quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Crianças autistas veem movimento duas vezes mais rápido do que aquelas sem a condição

  • Especialistas descobriram que quanto mais rápido o movimento mais rápido a criança o vê
  • Os cientistas acreditam que tais descobertas podem fornecer pistas para as causas da condição
  • Isso pode explicar por que as pessoas autistas não suportam ruídos e luzes brilhantes
| Rachel Reilly | 09/05/2013 | Daily Mail | Trad. Argemiro Garcia |

Crianças com autismo enxergam movimentos simples duas vezes mais rápido que as outras crianças da mesma idade, de acordo com o estudo.
Os cientistas pensam que este esta hipersensibilidade ao movimento pode fornecer pistas para o que provoca a doença.
As descobertas podem explicar por que algumas pessoas que sofrem de autismo são sensíveis às luzes brilhantes e ruídos altos.
"Vemos o autismo como uma desordem social, porque crianças com essa condição muitas vezes têm dificuldades com as interações sociais, mas, por vezes, negligenciamos o fato de que quase tudo o que sabemos sobre o mundo vem de nossos sentidos.
"Anormalidades na forma como uma pessoa vê ou ouve pode ter um profundo efeito sobre a comunicação social", diz Duje Tadin, um dos autores principais do estudo e professor assistente de cérebro e ciências cognitivas na Universidade de Rochester.
Embora estudos anteriores tenham descoberto que as pessoas com autismo possuem habilidades visuais ampliadas para imagens paradas, esta é a primeira pesquisa a registrar uma maior percepção do movimento.
As descobertas foram publicadas no Journal of Neuroscience por Tadin, em artigo gujo autor principal foi Jennifer Foss-Feig, pós-doutora do Child Study Center (Centro de Estudos da Criança) da Universidade de Yale, e seus colegas na Universidade de Vanderbilt.
No estudo, 20 crianças com autismo e 26 crianças com desenvolvimento típico, todas com idade entre 8 e 17, assistiram a um breve trecho de vídeo de barras pretas e brancas a se mover.
Foi-lhes pedido que indicassem a direção para que as barras estavam indo, direita ou esquerda.
Cada vez que um participante escolheu a direção correta, o próximo clipe de vídeo tornou-se ligeiramente mais curto e por isso um pouco mais difícil.
Quando uma criança cometeu um erro, o próximo vídeo tornou-se um pouco mais longo e, portanto, mais fácil de ver. Desta forma, os pesquisadores foram capazes de medir a rapidez com que as crianças com autismo podem perceber movimento.
Os pesquisadores descobriram que quando as barras na imagem eram apenas pouco visíveis, ambos os grupos de crianças realizavam de forma idêntica. Quando o contraste ou a escuridão das barras foi aumentado todos os participantes do estudo ficou melhor em perceber a direção do movimento.
"Mas as crianças com autismo, tem muito, muito melhor desempenho, duas vezes melhor que seus pares", relata Foss-Feig.
Na verdade, o participante autista com piores resultados foi aproximadamente igual à média dos participantes sem autismo.
'Esta capacidade dramaticamente melhorada de [ver] o movimento é um indício de que os cérebros dos indivíduos com autismo seguem respondendo cada vez mais, conforme a intensidade aumenta.
O cientista diz que, enquanto isso poderia visto como uma vantagem, na maioria das circunstâncias, o sentido elevado poderia causar sobrecarga sensorial.
Tal percepção hipersensível é a assinatura neural de um cérebro incapaz de amortecer sua resposta à informação sensorial, observam os autores.
Este mesmo aumento excitabilidade do cérebro 'também é encontrada na epilepsia, o que está fortemente ligada ao autismo.
Na verdade, algo como um terço dos indivíduos com autismo também têm epilepsia. Normalmente, o cérebro coloca um freio em suas respostas ao som, paladar, tato, e outros estímulos quando se tornam demasiado intensos.
A pesquisa se baseia em conclusões anteriores de que pessoas com autismo processam estímulos visuais de maneira diferente.
Por exemplo, estudos anteriores demonstraram que as pessoas com autismo são mais capazes de perceber padrões básicos, são capazes de ver imagens de linha simples mais rapidamente e são mais focados em detalhes do que aqueles sem a condição.
Em contraste, em tarefas mais complexas, como o reconhecimento facial, estas melhorias tornam-se deficiências.



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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Mulher que fez vídeo viral sobre autismo foi morta pela polícia

CBS News – 5/2/2016

Danielle, encostada à parede, com o cão Sampson ao seu lado.
Imagem do vídeo de Danielle Jacobs com Sampson.

 MESA, Arizona – A mulher que foi baleada e morta por policiais nas proximidades de Phoenix depois de, alegadamente, tê-los ameaçado com uma faca, tinha postado um vídeo popular no ano passado em que seu cão tentava confortá-la enquanto ela chorava e se batia.

Segundo a polícia, vários oficiais foram à casa de Danielle Jacobs na quinta-feira, em resposta a chamadas sobre uma pessoa que tentava suicidar-se no subúrbio de Mesa, em Phoenix (Arizona). Dois oficiais atiraram na mulher de 24 anos, porque se sentiram ameaçados quando, dentro de casa, ela avançou na sua direção com uma faca, disseram as autoridades.

Seu vídeo de 2015 a mostra chorando e se golpeando enquanto seu cão tenta acalmá-la, aproximando-se e erguendo as patas. A descrição do vídeo explica que mostrava o que é ter síndrome de Asperger que, segundo ela, era seu diagnóstico desde 2013. As pessoas com esse transtorno do espectro do autismo podem ser muito inteligentes e ter interesses restritos, às vezes obsessivos, e falta de habilidades sociais, muitas vezes.

– "Ela tentava compartilhar a luta das pessoas com Asperger e tirar o estigma de distanciamento", disse Heather Allen, fundador da HALO Animal Rescue, uma organização de Phoenix onde Jacobs tinha feito trabalho voluntário.

– "Também acho que pretendia mostrar o que um cão pode fazer para ajudar as pessoas com uma condição como a sua", acrescentou Allen.


Em um post junto com o vídeo, Jacobs disse que compartilhou o momento de forma crua para mostrar o que é viver com Asperger e aumentar a consciência sobre a doença, relata a afiliadada CBS, KPHO. A capacidade do cão para acalmá-la gerou um interesse generalizado e o vídeo se tornou viral. A estação fez uma reportagem sobre o vídeo em 2015.

A KPHO informou que Jacobs adotou o animal depois que passou um tempo de voluntariado para cuidar dele através da HALO.

Allen disse que chamou a polícia na quinta-feira para pedir que verificassem Jacobs, após ter recebido um e-mail suicida naquela manhã pedindo que alguém cuidasse do cão, Sampson. E questionou se teria sido necessário atirar em Jacobs:

– “Eu não estava lá, então não sei como ela estava se comportando", disse. "Eu gostaria que tivessem sido capazes de usar uma contenção não-letal, talvez pudessem ter usado um Taser ou uma arma beanbag. Ela não tinha uma arma de fogo. Tinha uma faca" – disse Allen. – "Acho que poderia ter havido uma forma melhor."

Os oficiais atiraram em Jacobs porque se sentiram ameaçados, disse o detetive Esteban Flores, porta-voz da polícia. Ela "avançou sobre os oficiais com uma faca e eles dispararam suas armas", disse.

Flores e outro porta-voz da polícia de Mesa não responderam imediatamente a vários pedidos de comentários adicionais na sexta-feira, mas o departamento agendou uma entrevista coletiva sobre a morte de Jacobs e as interações de policiais "com pessoas com doença mental."
O cão Sampson está agora com a família de Jacobs. Sua mãe diz que o animal "é o último pedaço de Danielle que eles têm".


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Como projetar para o autismo

| John Brownlee | 6/2/2016 | Co.Design | Trad. Argemiro Garcia |

O ARQUITETO por trás do Centro de Autismo e Cérebro em Desenvolvimento diz que a chave é ser sensível à luz, visão, texturas e sons.

Problema: Muitas crianças autistas são supersensíveis à visão, audição e à sensação de seu ambiente. Assim, quando o Hospital Presbiteriano de Nova York (New York-Presbyterian) decidiu construir um centro de intervenção precoce para crianças autistas, precisava que fosse projetado de acordo com as suas necessidades.

Uma em cada 68 crianças norte-americanas são diagnosticadas com autismo, de acordo com o Center for Disease Control. A intervenção precoce é o tratamento mais eficaz, exigindo centros dedicados, mas a hipersensibilidade das crianças autistas ao seu ambiente torna difícil o projeto dessas instalações.

Para projetar o novo Centro de Autismo e Cérebro em Desenvolvimento (Center of Autism and the Developing Brain - CADB), um centro de intervenção precoce ambulatorial para crianças autistas tão novas quanto dezoito meses, o New York-Presbyterian voltou-se para os seus parceiros de projeto de longa data do DaSilva Architects. Embora nunca tivesse projetado algo para crianças autistas antes, o diretor Jacques Black disse que trabalharam para converter um ginásio em ruínas em um ambiente confortável para crianças autistas. Como? Prestando muita atenção às condições da textura, acústica e iluminação - lições aplicáveis ​​ao resto do mundo quando se trata de projetar espaços amigáveis para autistas.


UM ESPAÇO TIPO DISNEY PARA EXPLORAR

Desde o início, o espaço escolhido para O CADB pelo New York-Presbyterian apresentava desafios únicos. Primeiramente construído em 1924, o Ginásio Rogers "parecia um velho ginásio da escola", diz Black, cheio de paredes de tijolos amarelos, gaiolas sobre as janelas, e uma tendência a ser cavernosamente ecoante. Era meio assustador. "Este era o ambiente onde deveríamos construir uma instalação para crianças ultrassensíveis aos seus ambientes", diz ele. "Era uma charada."

Com a ajuda da nova diretora do CADB, Cathy Senhor, a solução de DaSilva foi transformar todo o interior do ginásio em uma vila colorida. Salas autossuficientes de tratamento, escritórios e outro espaço fechado foram feitos na forma de pequenas e brilhantes cabanas, casas e pavilhões, entre ruas abertas, caminhos e outros espaços de encontro centrais. Há um céu artificial e nuvens, e o interior do centro também contém seus parques próprios, bancos e até mesmo jardins.

Dada a sensibilidade que muitas crianças apresentam ao seu ambiente, esses elementos de design familiares foram essenciais. Os corredores institucionais intermináveis de muitos hospitais e clínicas, que se estendem por uma fileira de portas indistinguíveis, pode provocar confusão e, mesmo, terror em pacientes jovens, de acordo com pesquisa de apoio de DaSilva. Comparativamente, CADB se parece com uma "aldeia Disney", explica-Black – uma versão menor, mais manejável, de uma cidade com detalhes familiares como ruas e parques –  criando um ambiente onde as crianças se sintam confortáveis.



DEIXANDO QUIETO

Para muitas pessoas autistas, acústica pode ser um problema. Por exemplo, o zumbido aparentemente normal de luzes fluorescentes pode causar extrema agitação. O mesmo com o som do ar condicionado ou do aquecimento. Mesmo o som de passos, crianças brincando, ou um caminhão de lixo passando podem ser uma distração para alguns pacientes do CADB.
Para manter o centro tranquilo, DaSilva Architects empregou uma série de truques. As salas de tratamento foram concebidas para ser tão à prova de som quanto possível, com carpete de absorção para amortecer gritos e painéis de amortecimento de som nas paredes. Em áreas onde o chão não poderia ser acarpetado, como em áreas próximas a pias, DaSilva usou piso de borracha macia para conseguir um efeito similar. Quanto aos espaços públicos, os arquitetos especificaram pisos de cortiça para amortecer o som de pessoas caminhando pelo chão. Black e sua equipe ainda mudaram todos os condicionadores de ar do edifício, caldeiras e ventilação para uma cabana ligada ao edifício principal, eliminando totalmente seus ruídos.




LUZ DE UMA SALA DE ESTAR, NÃO DE UM ESCRITÓRIO

A iluminação é uma consideração importante em qualquer espaço, mas para pacientes do CADB, era ainda mais crítica. Para algumas pessoas com autismo, a luz é um problema de Goldilocks: não pode ser muito quente, nem muito frio, muito brilhante ou fraca, dura ou artificial – nem mesmo muito natural. Ela precisa apenas ser correta.

Para o CADB, DaSilva Architects escolheu iluminar o espaço com uma mistura de fontes naturais e artificiais. Para a iluminação natural, as enormes janelas do antigo ginásio mostraram-se vantajosas. "Muita literatura sobre autismo fala contra ter muita luz natural", diz Black, mas isso é principalmente porque grandes janelas ao nível do solo fornecem a abundância de distrações. As janelas do Rogers Ginásio, no entanto, estão localizadas dois metros acima do chão, dando às crianças uma sensação suave de ar livre, sem realmente expor o que está acontecendo lá fora.

Para a iluminação artificial, DaSilva Architects optou contra o uso total de luzes do teto, como aquelas que você encontra em muitos escritórios, selecionando uma mistura diversificada de fontes de vez. É verdade, ainda existem algumas luzes do teto, mas também há uso substancial de iluminação lateral de uma variedade de fontes. Todas estas lâmpadas podem ser reguladas no caso de um paciente reagir fortemente contra elas. O resultado é um centro que é iluminado como uma sala de estar de uma instituição.



TEXTURA É IMPORTANTE

"Assim como são hipersensível ao som, barulho e luz, muitas crianças autistas são hipersensíveis à textura de objetos físicos, à sensação física", diz Black. Isso pode ser bom e ruim. Uma criança pode ser atraída por superfícies brilhantes, escorregadias, enquanto outra pode achar uma superfície ligeiramente abrasiva insuportável ao toque.

Não há nenhum ponto ideal entre estes dois extremos, mas Black diz que favorecer tecidos e materiais naturais pode ajudar a encontrar um meio termo, e é por isso que o CADB utiliza materiais como cortiça, borracha, porcelana e lã. Outra regra de ouro é escolher materiais com as pessoas não-autistas também se sintam bem. A maioria das pessoas prefere tocar em uma superfície de madeira do que metal, ou caminhar sobre um carpete de tecido plano que em um linóleo, e isso é geralmente verdade para as crianças no espectro do autismo também.



"Há uma piada: se você conhecer uma pessoa autista, você conhece uma pessoa autista", diz Black. "Cada pessoa autista é muito diferente: é todo um espectro de diferentes condições." Isso pode tornar o design para quem tem autismo desafiador, mas como as novas instalações do Centro para Autismo e Cérebro em Desenvolvimento mostraram, não é impossível. O truque é ser sensível ao estímulo e sensação, porque as pessoas para quem você está projetando são ainda mais.

[Todas as Imagens: via DaSilva Architects]

http://www.fastcodesign.com/3054103/how-to-design-for-autism

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Legislação da Ética na Pesquisa em Seres Humanos: O Projeto de Lei n° 200


|Agência FAPESP | 5/2/2016 |

O debate “A Legislação da Ética na Pesquisa em Seres Humanos: O Projeto de Lei n° 200” será realizado no dia 16 de fevereiro de 2016 no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em São Paulo.

Encontra-se em tramitação no Senado Federal o Projeto de Lei nº 200/15, que tem o objetivo de simplificar o processo de avaliação de protocolos de pesquisa em seres humanos. Segundo o IEA, apesar do mérito da intenção, a forma como o projeto está redigido tem sido criticada por aqueles que o julgam incapaz de atender a ampla variedade de pesquisas conduzidas em seres humanos.
Para debater os prós e contras do projeto, a Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da USP, com apoio do IEA e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), realizará o debate a partir das 8h30, na Sala de Eventos do Instituto.

Será o quarto encontro da série “Strategic Workshops” da PRP-USP. Participarão pesquisadores com larga experiência no assunto, favoráveis e contrários ao projeto de lei.

A abertura do evento terá José Eduardo Krieger, pró-reitor de Pesquisa da USP, Martin Grossmann, diretor do IEA, e Marcos Buckeridge, presidente da Aciesp.

Os palestrantes serão: Paulo Marcelo Gehm Hoff, da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Dalton Luiz de Paula Ramos, da Faculdade de Odontologia da USP, Roger Chammas, da Faculdade de Medicina da USP, e Dirceu Greco, da Faculdade de Medicina da UFMG (só a sigla mesmo?).

Os organizadores do evento são: Harnoldo Colares Coelho (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto), Paolo Zanotto e Regina Scivoletto (Instituto de Ciências Biomédicas) e Hamilton Varela (Pró-Reitoria de Pesquisa e presidente da Comissão de Pesquisa do IEA), todos da USP.

O evento terá transmissão ao vivo pela internet, em www.iea.usp.br/aovivo.

Mais informações: www.iea.usp.br e (11) 3091-1686.
 
http://agencia.fapesp.br/agenda-detalhe/a_legislacao_da_tica_na_pesquisa_em_seres_humanos_o_projeto_de_lei_n_200/22655/

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Infeção viral durante a gravidez pode aumentar risco de autismo no feto

| SIC Notícias | 03/02/2016 |

Um estudo publicado na revista Science demonstra que a resposta do sistema imunitário de ratos fêmeas grávidas a uma infeção viral altera a estrutura cerebral dos fetos, provocando alterações comportamentais semelhantes às que se observam no ser humano com Perturbações do Espetro do Autismo.

Vários estudos com humanos têm sugerido uma correlação entre a infeção viral materna durante a gravidez e o risco de autismo. As investigações com ratos de laboratório têm servido para estudar como a ativação do sistema imunitário da mãe influencia comportamentos autistas, mas o mecanismo era desconhecido.

O estudo "The maternal interleukin-17a pathway promotes autism-like phenotypes in offspring" conduzido por investigadores do University of Massachusetts Medical School, Massachusetts Institute of Technology, NYU Langone Medical Center e University of Colorado, Boulder, e publicado a 28 de janeiro na Science, demonstra esse mecanismo.

Já se sabia que os linfócitos T - células do sistema imunitário - desempenhavam um papel na fisiologia de alguns doentes com autismo. Os cientistas focaram a atenção numa molécula produzidas pelos linfócitos T - a interleucina-17a. Durante a gravidez, manipularam essa molécula. Concluíram que essas alterações no funcionamento do sistema imunitário podem influenciar o desenvolvimento dos neurónios do feto bem como as ligações entre os neurónios.

Os ratos que nasceram após a manipulação do sistema imunitário da mãe demonstraram comportamentos semelhantes ao autismo nos seres humanos bem como alterações no cérebro.

A investigação sugere que a relação causal entre a infeção viral na mãe e o autismo no filho não tem a ver com o vírus em si mas com a resposta do sistema imunitário da mãe à infeção.

Os cientistas injetaram nos ratos fêmeas grávidas uma droga que bloqueou a interleucina-17a. Houve um retrocesso na malformação dos neurónios e do cérebro dos fetos. É agora nesta terapêutica in utero que os cientistas querem investir.

http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2016-02-03-Infecao-viral-durante-a-gravidez-pode-aumentar-risco-de-autismo-no-feto
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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Estudante apresenta seu mundo aspie


Arquivo pessoal
Estudante revela seu fascinante mundo autista
Victor Mendonça: além de escritor,
mantém programa na Rádio da Uni-BH

O estudante de Jornalismo Victor Mendonça tem 18 anos e lançou nesta quinta (19) seu livro Outro Olhar – Reflexões de Um Autista, em que se apresenta como um repórter em busca de informações dentro de si mesmo.

Nos seus textos, ele mostra como funciona sua mente de aspie - pessoa com Síndrome de Asperger (uma das formas de autismo), com que foi diagnosticado aos 11 anos de idade.

Ainda que o autismo se caracterize por dificuldades nessa área - e o escritor admite isso - Victor cursa Comunicação na Uni-BH, em Belo Horizonte. Assim, o mais emocionante no livro é descobrir como ele enfrenta sei dia a dia, buscando saídas, entendimentos.

Victor, que tém ainda uma página no facebook, Mundo Asperger, escreveu seu livro em seis meses.

- “Tempo suficiente para observar meu cotidiano, relembrar fatos do passado e entender como o autismo faz com que até situações banais sejam tão diferentes para mim. Também me dediquei, nesse período, a estudar a filosofia budista, que tem muita influência no meu livro" - declarou o jovem ao site Hoje em dia.

Victor  mantém o blog Tudo Bem Ser Diferente e o programa semanal Mundo Asperger, na webradio do Uni-BH, onde estuda. Mais um passo para entender a socialização que clama pela nossa presença a cada respiro.

- “O meio virtual me fez ter contato com personalidades muito diferentes, inclusive entre autistas. Muitas pessoas me procuram nas redes sociais ou mandam e-mails para conversar sobre autismo, mas a comunicação ainda é desafio. É difícil fazer os assuntos renderem. Isso ainda me frustra um pouco”, explica Victor, em português irretocável.

Depois de tantas conquistas, Victor diz que quer ser “independente” e seguir nesse processo de “autoconhecimento para vencer as peças que o autismo lhe prega”. “Me dá alegria ter a consciência de que sou protagonista da minha própria história e que posso direcioná-la para onde desejar”. Difícil, mas fascinante. Só isso.

Fonte:
Estudante revela seu fascinante mundo autista

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Adiada votação de benefício fiscal para quem tem dependentes com autismo, down e esquizofrenia

 | Simone Franco | Agência Senado | 20/10/2015 |

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) estava prestes a rejeitar, nesta terça (20), proposta de benefício fiscal para contribuintes do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que tenham dependentes com deficiência ou doenças graves, como autismo e esclerose tuberosa, mas recuou. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu vista da matéria com o compromisso de apresentar um substitutivo para torná-la viável.

Essa saída surgiu logo após a leitura de parecer do senador Elmano Férrer (PTB-PI) pela rejeição de projeto de lei (PLS 110/2012) da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que concede dedução em dobro na base de cálculo do IRPF por dependente nessa condição. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) também já havia aprovado parecer contrário à proposta.

“Os argumentos de cunho social apresentados pela autora são bastante razoáveis, mas não suficientes, em nossa opinião, para engendrar tamanho impacto nas finanças públicas. É preciso lembrar que toda concessão de favor fiscal, por mais nobre que seja a causa, implicará redistribuição da carga tributária para todo o conjunto de contribuintes, incluindo aqueles que suportam dramas pessoais ou familiares tão ou mais desgastantes que os descritos na justificação do projeto em análise”, considerou Elmano em seu parecer.

Para reforçar seu ponto de vista, o relator citou trecho de parecer da CAS em que se observa já existir, na legislação atual, mecanismos que permitem dedução ilimitada de despesas com saúde no IRPF. O fato dispensaria, no seu entendimento, a necessidade de criação de mais um benefício tributário na mesma direção.

Divergência

Mas há quem pense diferente dentro da CAE. O primeiro a divergir desta posição foi Lindbergh, para quem o projeto de Vanessa é de “grande justiça”.

— Eu tenho uma filha com down que faz terapia ocupacional, fisioterapia e tem uma mediadora no colégio contratada por fora. E a situação do down é relativamente mais simples que a dos autistas. Eu vejo pais e mães de autistas que investem todo o orçamento familiar nessas crianças. Essa discussão é a dessas famílias. É um projeto relevante e não creio que tenha um impacto [financeiro] do tamanho do mundo — ponderou Lindbergh.

Ao pedir vista, o petista adiantou a intenção de negociar uma solução para o PLS 110/2012 junto ao Ministério da Fazenda. O empenho de Lindbergh em viabilizar a proposta recebeu o apoio da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP). Movimento idêntico fez o senador Douglas Cintra (PTB-PE), que também revelou ter uma filha especial.

Essa reviravolta na votação do projeto aconteceu depois de a própria Vanessa Grazziotin lamentar o parecer contrário à sua iniciativa. Na ocasião, ela disse aceitar temporariamente esse recuo, prometendo que representaria a proposta com a melhora da situação econômica do país.

O PLS 110/2012 alcança contribuintes do IRPF com dependentes que tenham síndrome de down, neurofibromatose ou doença de Von Recklinghausen, esclerose tuberosa, doença de Huntington, autismo e esquizofrenia. Outro benefício previsto é permitir, na apuração do imposto devido, que sejam consideradas em dobro as quantias despendidas por dependente.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)



http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/10/20/adiada-votacao-de-beneficio-fiscal-para-quem-tem-dependentes-com-autismo-down-e-esquizofrenia
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