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segunda-feira, 28 de agosto de 2023

AUTISMO COMO  UM PARADIGMA ACADÊMICO


| TYLER COWEN | 13 de julho de 2009 | Tradução: Argemiro de Paula Garcia Filho |

Se você pensar em termos de História, talvez imagine que as faculdades e universidades americanas nunca tenham contribuído para o discurso racista. Mas Princeton e muitas outras instituições mantiveram de fora judeus, e defesas “acadêmicas” da escravidão, segregação e eugenia foram comuns até que mudanças sociais mais amplas tornaram tais pontos de vista inaceitáveis.

A triste verdade é que ideologias desumanizantes permanecem conosco na universidade moderna, embora com formas muito diferentes. Os principais exemplos incluem as inaceitáveis maneiras com que às vezes se fala e pensa sobre o espectro autista. Há alguns anos, Michael L. Ganz, que ensina na Escola de Saúde Pública de Harvard, publicou um ensaio intitulado “Costs of Autism in the United States” (Custos do autismo nos Estados Unidos). Em nenhuma parte o ensaio avalia se as pessoas autistas trouxeram algum benefício à raça humana. Você pensaria em um ensaio equivalente, intitulado: “Custos dos nativos americanos”? Ganz pode pensar que o autismo é estritamente uma doença, mas nunca menciona ou refuta o fato de que um grande número de autistas rejeita essa visão e a considera ofensiva.

David Bainbridge é um anatomista veterinário da Universidade de Cambridge. Em 2008, publicou um livro pela Editora da Universidade de Harvard, “Beyond the Zonules of Zinn: A Fantastic Journey Through Your Brain” (Além das zônulas de Zinn: uma fantástica jornada através de seu cérebro). No livro, defende que aos autistas falta a qualidade da precaução humana, e comparou suas faculdades cognitivas desfavoravelmente às de macacos com lesões no cérebro. Deborah R. Barnbaum, filósofa da Universidade do Estado de Kent, escreveu um livro ironicamente intitulado “The Ethics of Autism”, Indiana University Press, 2008 (A ética do autismo) em que pondera as implicações filosóficas do suposto fato de os autistas não poderem compreender a vida mental de outras pessoas, ainda que este resultado não se sustente experimentalmente e possa ser igualmente refutado por uma simples conversa com uma pessoa autista.

A questão não é focalizar a culpa nesses indivíduos em particular, porque estão afogados em idéias, atitudes e pressupostos comuns a uma estrutura maior. É perfeitamente possível que todos esses escritores sejam “gente boa” no sentido usual do termo, mas eles não sentem nenhum mal-estar ou hesitação em pintar tais retratos de outros seres humanos. A triste verdade é que, até que nós estejamos muito conscientes das implicações de nossas palavras, é muito fácil escorregar em maus hábitos e numa retórica danosa, mesmo no politicamente correto ano de 2009.

Citei alguns exemplos mais óbvios, mas as polarizações subjacentes estão enraizadas muito mais profundamente. Muitas pessoas nas faculdades estão cientes de como lidar com o autismo (e a síndrome de Asperger - vou me referir em geral ao espectro autista) em seus “programas de necessidades especiais”. A realidade mais complexa é que há muito mais autismo no ensino superior do que a maioria de nós imagina. Não são apenas os “estudantes com necessidades especiais” mas, também, os oradores das turmas, os professores da faculdade e até, às vezes, seus gestores.

Esta última frase não é algum tipo de humor barato sobre as muitas características disfuncionais do ensino superior. O autismo é descrito frequentemente como uma doença ou uma praga, mas quando chega à faculdade ou universidade americanas é, frequentemente, uma vantagem competitiva mais do que um problema a ser resolvido. Uma razão da universidade americana ser tão forte é porque mobiliza eficazmente forças e talentos de pessoas do espectro autista. Apesar de alguma retórica negativa, a realidade é que os autistas são muito bons para as faculdades e as faculdades são muito boas para os autistas.

O economista e Prêmio Nobel Vernon L. Smith, um antigo colega meu, é um exemplo dos mais conhecidos de um grande realizador do espectro autista. Vernon, em Discovery: A Memoir (Descoberta: uma biografia), atribui seu extremo foco, sua atenção ao detalhe e sua erudita persistência a ligação que tem com o espectro autista. Richard Borcherds, vencedor em 1998 da Medalha Fields de Matemática, foi diagnosticado como tendo síndrome de Asperger. Temple Grandin, que ensina Ciência Animal na Universidade do Estado de Colorado, é uma brilhante mulher autista cujas ideias revolucionaram a forma como os matadouros americanos tratam os animais. Há provavelmente muito mais exemplos, embora não reconhecidos. O consagrado pesquisador de autismo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, argumenta que os grandes realizadores autistas são, de longe, mais comuns do que a maioria das pessoas imagina, sobretudo na Matemática e na Engenharia. Ele ressalta o comportamento sistemático como uma importante habilidade cognitiva dos autistas.

Apesar da retórica comum, a cada ano os especialistas estão nos ensinando mais sobre as capacidades cognitivas do espectro autista. Nos anos 60, a visão comum era que, à exceção de alguns savants, a maioria das pessoas autistas eram incapacitadas intelectualmente (“retardado mental” era o termo mais do que infeliz), e em certa medida esse estereótipo persiste hoje. Mas um crescente número de pesquisadores localiza as

Um breve levantamento mostra que os autistas têm, em média, maior percepção do compasso e outras habilidades musicais; são melhores na observação de detalhes no meio de padrões; têm melhor acuidade visual; enganam-se menos com ilusões de ópticas; têm maior probabilidade de ajustar-se a alguns cânones da racionalidade econômica, resolvem alguns tipos de quebra-cabeças e enigmas a uma taxa muito mais rápida e são menos propensos a ter certos tipos de falsas memórias. Autistas igualmente têm, em graus variados, fortes ou mesmo extremadas habilidades de memorização, execução de operações com códigos e cifras, fazer cálculos de cabeça, mostrando excelência em muitas outras tarefas cognitivas especializadas. Os savants, ainda que sejam excluídos, igualmente apresentam as forças cognitivas encontradas nos autistas mais genericamente. Uma pesquisa recente mostrou, usando métodos conservadores, que cerca de um terço dos autistas podem apresentar habilidades excepcionais ou do tipo “savant”.

As pessoas autistas têm geralmente desejo e talento superiores para montar e organizar a informação. Especialmente quando lhes é dado acesso apropriado a oportunidades e materiais, vivem o ideal do auto-didatismo, frequentemente ao extremo. Em meu novo livro, Create Your Own Economy (Crie sua própria economia), me refiro aos autistas como os “infóvoros” da moderna sociedade e argumento que, em muitas dimensões, nós, como sociedade, estamos trabalhando duro para imitar suas habilidades na organização e processamento da informação. Autismo é um item sobre o qual todo interessado em Educação deveria ler e pensar.

Resulta que a universidade americana é um ambiente especialmente favorável aos autistas. Muitos são desfavorecidos ou ficam oprimidos com o processamento de certos estímulos do mundo exterior e ficam, assim, sujeitos a uma sobrecarga sensorial. Para alguns autistas, isso é debilitante, mas para muitos outros é um problema administrável ou, ao menos, contornável. O resultado é que muitos preferem ambientes estáveis, a possibilidade de escolher seu próprio horário de trabalho ou fazê-lo em casa, e poder trabalhar focalizando-se em um projeto por longos períodos de tempo.

Soa familiar? A faculdade e a universidade modernas são, frequentemente, ideais ou ao menos relativamente boas em fornecer esse tipo de ambiente. Enquanto há uma grande discriminação contra os autistas, a maioria das pessoas das universidades americanas são tão cegas à noção de sua alta realização que um preconceito cancela o outro, para benefício de muitos dos autistas nas universidades.

Da mesma forma, autistas tendem a ser extremamente bons em um conjunto de tarefas cognitivas e marcadamente fracos ou prejudicados em outras; são os beneficiários finais da noção de Adam Smith da divisão de trabalho. A especialização acadêmica facilita que tais pessoas tenham sucesso.

Não quero forçá-lo na direção de estereótipos como o “professor distraído”. Algumas pessoas que se encaixam nesse perfil bem podem estar dentro do espectro autista, mas ele igualmente inclui mulheres bonitas com sorrisos encantadores, gente entusiasmada e extrovertida, pessoas que não conseguem produzir um discurso significativo e aqueles que fazem sozinhos, de memória, discursos em público claros e eficientes. Tony Attwood, um psicólogo australiano com extensa experiência em diagnóstico, acredita que a profissão de ator tem muitos representantes do espectro autista. A questão não é convencer ninguém de nenhum perfil único para autistas, ou substituir velhos estereótipos por novos. Ao contrário, devemos nos manter abertos para aprender que a diversidade autista é maior do que costumamos pensar.

Não há nenhuma dúvida que muitas pessoas autistas têm problemas na vida e são incapazes de atingir posições elevadas ou mesmo disputá-las. Problemas, tais como atipicidades sociais muito óbvias, ansiedade social, ou várias hipersensibilidades sensoriais - encontrados entre muitos, mas de forma alguma em todos os autistas - podem impedi-los de conseguir trabalhos comuns ou melhorar seu status social. Os preconceitos atuais são baseados pelo menos em dois erros. Primeiramente, o autismo é definido muito frequentemente como uma série de prejuízos ou falhas da vida, levando grandes realizadores à exclusão. É mais científico e igualmente mais ético ter uma definição mais ampla do autismo, baseada nos métodos diferenciados e atípicos para processar a informação e em outros marcadores cognitiva e biologicamente definidos. Dessa maneira, não rotulamos os autistas como necessariamente falhos mas, em vez disso, reconhecemos uma grande diversidade de resultados, que inclui seus sucessos.

Em segundo lugar, os autistas diagnosticados são frequentemente aquelas pessoas que encontram os maiores problemas na vida. A maioria de autistas de sucesso nunca aparecem para diagnóstico ou intervenção e muitos deles não têm necessidade ou mesmo consciência dele, ou, mesmo se estão tendo dificuldades, temem o estigma de um diagnóstico. A amostragem comum de autistas, como se encontra em um típico artigo de pesquisa, mostra muito mais problemas e menos sucessos do que seria mais provável caso usasse uma amostra verdadeira da população de autistas. Ou seja, há uma polarização enorme da seleção. A pesquisa sobre o autismo está somente começando a confrontar esse problema.

Também estamos aprendendo que muitos estereótipos sobre autistas são falsos ou pelo menos equivocados. Costuma-se dizer, por exemplo, que autistas não se preocupam com outras pessoas, ou que não sentem emoções genuínas ou empatia. O mais provável é que autistas e não-autistas não se compreendam muito bem. Frequentemente, as pessoas que fazem tais afirmações mostram sua própria falha em mostrar empatia para com autistas ou para reconhecer a riqueza de suas vidas emocionais. Mesmo quando há reconhecimento das suas capacidades cognitivas - mais comumente nos savants – ele vem acompanhado de um clichê impreciso, um retrato de uma personalidade fria, robótica, menos que humana.

A relevância do espectro autista para o ensino superior não diz respeito apenas a indivíduos particulares. A própria natureza do ensino superior mostra o quanto nós, frequentemente sem o saber, acreditamos que os perfis cognitivos dos autistas são um ideal educacional. Na “educação especial” abundam os esforços para ensinar as habilidades dos não-autistas aos autistas, mas, na sala de aula regular, frequentemente fazemos o oposto. Vejo a educação superior (e níveis mais baixos) ensinando as pessoas a serem autistas em muitas de suas habilidades cognitivas básicas. Além disso, algumas características cognitivas chave no autismo são a habilidade, o desejo de processar muita informação através de escalas grandemente diferentes, de minúsculos detalhes a estruturas abrangentes; focalizar e ordenar mentalmente essa informação; um relativamente alto nível de objetividade científica; e a presença de algumas capacidades cognitivas altamente especializadas, mesmo se acompanhados de algumas áreas com baixo desempenho. Um educador pode gostar de muita coisa nessa lista.

Outra maneira de ver a questão é notar que todos os alunos têm necessidades especiais, precisando de muita ajuda. Estudantes não-autistas não representam algum ponto ideal que todos estão se esforçando para alcançar, mas tanto os autistas como os não-autistas estão tentando aprender as habilidades especiais do outro grupo, assim como aperfeiçoar suas próprias habilidades.

No discurso público e acadêmico, não é apenas o entendimento do autismo que está em jogo. O neurodesenvolvimento dos seres humanos segue caminhos variados, sendo o TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) outro exemplo de destaque. Precisamos ser cuidadosos sobre o que rotulamos como uma desordem. Em relação a este, por exemplo, crescem as evidências de que os indivíduos com TDAH conseguem resultados muito bons por padrões sociais normais. O estereótipo da cultura popular de um TDAH (frequentemente "TDA") é de uma pessoa que zapeia freneticamente de um canal ou website para o outro. Uma visão alternativa é que muitos desses indivíduos se adaptam e terminam por usar seu perfil cognitivo para se lançar do aprendizado de um fragmento de informação ao seguinte, terminando por aprender melhor e, talvez, situando-se melhor para lidar também com o mundo social. Similarmente, um estudo descobriu que as pessoas disléxicas se fizeram melhores empreendedores na média, porque são acostumados à ideia de ter que delegar algumas tarefas mais do que tentar gerenciar tudo.

Em muitas áreas da neurodiversidade humana, incluindo o autismo, ainda não sabemos as respostas a muitas perguntas básicas. Não há nem mesmo um acordo nas definições básicas do autismo, ásperguer e conceitos relacionados. Entretanto, aplicamos aos autistas montes de estereótipos e descrições negativas que não sonharíamos em usar para descrever grupos raciais ou étnicos. É tempo de as faculdades e universidades saíram à lutar contra esses preconceitos. O ensino superior precisa ajustar sua retórica à realidade de que é uma opção comum para pessoas autistas.

Ainda estamos procurando as metáforas e a linguagem apropriadas para descrever e explicar a neurodiversidade humana. Por exemplo, avançamos de uma visão do autismo como resultado de "mães-geladeira" - frias, distantes -, como foi mais visivelmente sugerido por Bruno Bettelheim nos anos 1960. Estamos apenas dando os primeiros passos além de uma definição do tipo “série de limitações”. Chamarmos o autismo de “desordem” é sermos humanos e oferecermos simpatia, ajuda, ou é valorizar estereótipos e baixas expectativas, ignorando a variação nos resultados?

Mas se não está correto falar em desordem, quais seriam os termos aceitáveis e qual seria o quadro conceitual a acompanhá-los? A distinção geralmente aceita entre o “alto funcionamento” e o “baixo funcionamento” ignora as grandes variações nas habilidades individuais dos autistas e igualmente parece classificar um grupo de seres humanos como algo inadequado. Quando vamos falar do espectro autista, devemos ser humanos, respeitarmos a diferença e a individualidade humanas, a necessidade de apoio e reconhecermos a diversidade dentro do espectro, tudo isso sem supor que as formas dos não-autistas verem o mundo são sempre as corretas.

O senso comum é que “autismo” diz respeito a crianças doentes e cumpre à comunidade acadêmica ajudar a corrigir esse quadro. Se olharmos os dados, parece fácil encontrar montes de crianças com autismo relativamente severo, ao menos segundo os padrões desse mesmo ponto de vista e, assim, encontrar um número proporcional de adultos autistas. Por exemplo, uma ideia disseminada sugere que os Estados Unidos tenham aproximadamente 500.000 crianças autistas, para uma predominância de uma em cada 150. Isso significaria que os Estados Unidos igualmente teriam 1,5 milhão de adultos autistas. (Esses números são aproximações grosseiras e ainda estão em debate.)

Minha opinião é que os Estados Unidos têm de fato mais de um milhão de adultos autistas. Mas se há tantos, as perguntas óbvias são: “Onde estão? Quem são eles? Estão todos trancados nas instituições?” Fala-se em uma recente “epidemia” de autismo. Mas as medidas epidemiológicas da prevalência do autismo - se considerarmos mudanças baseadas nos critérios diagnósticos, conscientização, disponibilidade de serviços, métodos de pesquisa e assim por diante - não indicam grandes aumentos injustificados. Pode-se argumentar que há um aumento gradual na taxa de autismo, uma vez que as evidências não permitem excluir todas as mudanças (penso ser mais provável que a taxa seja constante ao longo do tempo) mas, ainda assim, a curva seria tão ascendente que, outra vez, uma estimativa apreciável seria mais de um milhão de adultos autistas nos Estados Unidos.

Seria complicado falar ou escrever sobre os autistas que podem estar trabalhando perto de você. Se trabalha em uma faculdade ou universidade, há uma boa chance de estar interagindo com pessoas no espectro autista regularmente. Talvez sua reação seja elaborar uma lista mental de colegas e começar a aplicar-lhes vários estereótipos. Talvez você fique de vigia, na próxima reunião com o reitor, para ver se encontra pessoas com “traços” autistas, e passe a fofocar sobre essas observações com seus amigos. Essa é a natureza humana, mas sugiro uma alternativa. Seja diferente. Questione seus estereótipos. Olhe-se no espelho. Quando tiver feito isso, é provável que se considere mais distante da perfeição e mais dentro de variedades pouco convencionais do que esperava.

Tyler Cowen é professor de Economia na Universidade George Mason, e escreve no New York Times, Money, no blog http://www.marginalrevolution.com e em outras publicações. Este texto foi adaptado de seu novo livro, Create Your Own Economy: The Path to Prosperity in a Disordered World.

FONTE: https://www.chronicle.com/article/autism-as-academic-paradigm/ Disponível em 2011.

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sexta-feira, 7 de abril de 2017

As meninas são melhores em mascarar o autismo do que os meninos

| Universidade de Leiden | 01/4/2017 |

Meninas autistas têm habilidades sociais relativamente boas, o que significa que seu autismo muitas vezes não é reconhecido. O autismo manifesta-se nas meninas de forma diferente que nos meninos. A psicóloga Carolien Rieffe e seus colegas do Centro de Autismo e INTER-PSY (Groningen) relatam suas descobertas na Revista Científica Holandesa Autismo (Wetenschappelijk Tijdschrift Autisme).

Informações sobre o autismo em meninas são escassas. O que sabemos sobre autismo baseia-se principalmente na pesquisa com meninos e homens. Isso pode ser um problema, explica a Professora de Desenvolvimento Psicológico de Leiden, Carolien Rieffe: "Se tomarmos o quadro clínico para meninos autistas como padrão, há uma boa chance de que o autismo em meninas não seja percebido. Para mudar isso, Rieffe e seus colegas examinaram como o autismo se manifesta nas meninas.

Estudo com adolescentes

Os pesquisadores analisaram o comportamento de 68 adolescentes, meninas e meninos, com e sem autismo. Como parte do teste, a pesquisadora fingiu ter ferido seu dedo no anel de um arquivo e exclamou: "Oh, isso doeu", enquanto apertava a mão com dor. Dois colegas pesquisadores analisaram posteriormente o vídeo para avaliar o quão empaticamente os participantes reagiam.

Responder à emoção ou resolver o problema

As meninas, tendo ou não autismo, reagiram com mais empatia do que os meninos. Rieffe explica: "Não encontramos diferenças entre os participantes com ou sem autismo. Mas vimos uma diferença qualitativa entre meninas e meninos. As meninas responderam mais frequentemente à emoção da pessoa que conduzia o teste com perguntas como: "Você está bem?" Os meninos, por outro lado, procuraram uma solução para o problema: "Se você fizer isso assim, você não vai pegar seu dedo."

Empatizar ou compreender verdadeiramente um conflito

Rieffe acrescenta que nem os meninos nem as meninas têm dificuldade em empatizar com as emoções de outra pessoa. No entanto, a capacidade de entender por que a pessoa se sente como eles muitas vezes é falha, tanto em meninas como em meninos autistas. Consequentemente, pode ser mais difícil para os adolescentes autistas reagir adequadamente a situações que envolvem questões de que os adolescentes gostam de falar, como se apaixonar ou um conflito com os pais.

Focalizando o pedido de ajuda

O que os resultados da pesquisa significam na prática para o prestador de cuidados? De acordo com Rieffe e colegas, as meninas autistas apresentam a grande vantagem de compreender muitas das regras sociais. No entanto, seus cuidadores não devem se enganar com isso, porque não indica necessariamente uma forte capacidade de empatia, ou habilidades de realmente ser capazes de formar boas relações sociais e amizades. Isso significaria que essas meninas poderiam se encontrar socialmente mais isoladas? É importante, ao tratar as meninas autistas, olhar quais são suas necessidades específicas. Isso pode exigir uma abordagem e estratégia diferentes daquela para meninos autistas.

https://www.universiteitleiden.nl/en/news/2017/04/girls-are-better-at-masking-autism-than-boys

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terça-feira, 21 de março de 2017

Terapia com búfalos do Exército Tailandês faz crianças autistas sorrir

| Aneeta Bhole | 15/8/2016 | Daily Mail Australia |

Uma terapia nova e surpreendente, que permite a crianças autistas desenvolverem laços emocionais e sociais ao montar nas costas de búfalos, tem ajudado centenas de jovens na Tailândia.

Essa terapia é o único programa de autismo conhecido a usar búfalos, com crianças sentadas nas grandes criaturas e conduzidas em torno de um campo.

O pioneiro projeto de bufaloterapia do exército tailandês fica em Lopburi (Tailândia Central) e cresceu de apenas um punhado de pessoas até algumas dúzias delas atendidas semanalmente.

Uma nova terapia que vê crianças autistas desenvolverem habilidades emocionais e sociais montando búfalos alega ajudar centenas de jovens na Tailândia.
Esta terapia é o único programa para autistas conhecido a usar búfalos, com as crianças sentadas sobre as grandes criaturas para dar uma voltinha.
Uma série de dez fotografias mostra crianças montadas nos búfalos, enquanto membros do exército tailandês os conduzem pelo pátio.

Primeiro, as crianças recebem aulas de arte e música com os soldados, antes de ser levadas a um passeio de búfalo por uma hora.

Soldados os ajudam a interagir e praticar jogos ao montar o búfalo, que incluem minicorridas.

Um tratamento típico pode levar até 20 horas de montaria em búfalos distribuídas ao longo de várias semanas, com os médicos verificando o progresso ao longo do caminho.

O general Kajonsak Jonpeng, que organiza o esquema com outros soldados, disse que muitas pessoas têm "medo" de búfalos, mas as crianças com autismo são muitas vezes "atraídas por eles".

"Eles se tornam amigos e gostam do contato. Os pais dizem que nunca viram isso antes com seus filhos ou filhas.
O Projeto Bufaloterapia é uma iniciativa pioneira do Exército Tailandês em Lopburi, Tailândia Central e cresceu de um punhado de pessoas a algumas dúzias.

Soldados do Exército Tailandês ajudam as crianças a dar uma volta pelo terreno, fazendo jogos e simulando uma corrida.

"Vemos as crianças que se mostravam tensas e sem emoção, apresentarem sorrisos e risos no rosto."

Porque os búfalos são amigáveis ​​e gostam das crianças, elas se divertem ao montar em cima deles, explicou o General Kajonsak Jonpeng.

"É um momento mágico, ver a emoção, adrenalina e alegria em seus rostos."

Equoterapia, que utiliza cavalos para crianças com autismo, tornou-se um tratamento alternativo popular nos últimos anos, com uma série de centros especializados em todo o mundo.

É um momento mágico ver a emoção, adrenalina e alegria nos seus rostos. Como os búfalos são animais mansos e gostam de crianças, estas podem aproveitar enquanto os montam.
Mas o Projeto de Terapia com Búfalos é um marco na terapia do autismo e o único a usar esses animais para ajudar a tratar crianças com essa condição que lhes causa dificuldade em comunicar e formar relacionamentos.

A ideia da bufaloterapia inspirou-se na equoterapia e veio a se tornar um tratamento alternativo popular na Tailândia.
O projeto começou quando um soldado que havia resgatado búfalos de fazendas e mercados precisava encontrar um uso para eles.

Os soldados tinham ouvido falar de tratamentos semelhantes usando golfinhos e cavalos e acreditavam que os búfalos teriam benefícios semelhantes.

Depois de vários testes positivos, eles decidiram continuar o programa e agora recebem crianças encaminhadas de escolas, médicos e hospitais por toda a Tailândia.

O tratamento também tem pessoas de Myanmar e Camboja recomendado através do boca-a-boca.

O general Kajonsak Jonpeng acrescentou: "As crianças autistas que têm montado búfalos mostraram melhorias no caráter, humor e confiança.

Carol Povey, diretora do Centro para o Autismo da Sociedade Nacional de Autistas (National Autistic Society's Centre for Autism - do Reino Unido), disse que esta foi a primeira vez que o búfalo foi usado para tratar crianças com autismo e disse que a organização "acolhe o desenvolvimento de novas iniciativas".

Ela diz: "A pesquisa mostra que os animais de estimação podem reduzir os níveis de estresse em algumas famílias, e também conhecemos muitas pessoas autistas e famílias que dizem que realmente se beneficiaram por estar com animais.


O projeto se iniciou quando soldados que resgataram búfalos de fazendas e mercados precisavam encontrar para eles uma finalidade. Ajudar crianças autistas e usar as dóceis criaturas pareceu servir a um objetivo comum.

Autismo, uma condição que afeta as habilidades sociais e emocionais, é posto à prova na bufaloterapia. Aqueles que são sensíveis a ruídos ou toque se beneficiam muito deste tipo de zooterapia.
"Mas o autismo afeta cada um de forma diferente, então isso não beneficiará todas as pessoas autistas e pode ser devastadora para alguns, particularmente aqueles que são extremamente sensíveis ao ruído ou ao toque.

"Não nos deparamos com a terapia de búfalo antes, mas ouvimos falar de famílias que se beneficiaram ao interagir ou cavalgar com eles.

"Congratulamo-nos com o desenvolvimento de novas iniciativas que têm um impacto positivo sobre as pessoas autistas e suas famílias.

"No entanto, sem qualquer evidência não há razão para pensar que a terapia com búfalos pode ser melhor do que outras formas de apoio envolvendo animais".

"Nós também aconselhamos qualquer pessoa que pense em terapia animal, ou mesmo qualquer forma de intervenção ou apoio, a procurar informações confiáveis ​​e robustas antes de tomar qualquer decisão".

Carol Povey, diretora do Centro para Autismo da National Autistic Society (Reino Unido) diz que esta foi a primeira vez que búfalos são usados para tratar crianças com autismo e diz que sua organização apoia o desenvolvimento de novas iniciativas.

Mas a Sra. Povey alerta que aqueles que pensam em terapias assistidas com animais, ou qualquer forma de apoio, devem procurar informações seguras e detalhadas antes de tomar qualquer decisão.
Thai army creates one-of-a-kind buffalo therapy for autistic children to make them smile instead of being 'emotionless and tense'
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3741343/Thailand-buffalo-therapy-claims-help-autistic-children-form-emotional-bonds-build-social-skills.html


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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Mulher que fez vídeo viral sobre autismo foi morta pela polícia

CBS News – 5/2/2016

Danielle, encostada à parede, com o cão Sampson ao seu lado.
Imagem do vídeo de Danielle Jacobs com Sampson.

 MESA, Arizona – A mulher que foi baleada e morta por policiais nas proximidades de Phoenix depois de, alegadamente, tê-los ameaçado com uma faca, tinha postado um vídeo popular no ano passado em que seu cão tentava confortá-la enquanto ela chorava e se batia.

Segundo a polícia, vários oficiais foram à casa de Danielle Jacobs na quinta-feira, em resposta a chamadas sobre uma pessoa que tentava suicidar-se no subúrbio de Mesa, em Phoenix (Arizona). Dois oficiais atiraram na mulher de 24 anos, porque se sentiram ameaçados quando, dentro de casa, ela avançou na sua direção com uma faca, disseram as autoridades.

Seu vídeo de 2015 a mostra chorando e se golpeando enquanto seu cão tenta acalmá-la, aproximando-se e erguendo as patas. A descrição do vídeo explica que mostrava o que é ter síndrome de Asperger que, segundo ela, era seu diagnóstico desde 2013. As pessoas com esse transtorno do espectro do autismo podem ser muito inteligentes e ter interesses restritos, às vezes obsessivos, e falta de habilidades sociais, muitas vezes.

– "Ela tentava compartilhar a luta das pessoas com Asperger e tirar o estigma de distanciamento", disse Heather Allen, fundador da HALO Animal Rescue, uma organização de Phoenix onde Jacobs tinha feito trabalho voluntário.

– "Também acho que pretendia mostrar o que um cão pode fazer para ajudar as pessoas com uma condição como a sua", acrescentou Allen.


Em um post junto com o vídeo, Jacobs disse que compartilhou o momento de forma crua para mostrar o que é viver com Asperger e aumentar a consciência sobre a doença, relata a afiliadada CBS, KPHO. A capacidade do cão para acalmá-la gerou um interesse generalizado e o vídeo se tornou viral. A estação fez uma reportagem sobre o vídeo em 2015.

A KPHO informou que Jacobs adotou o animal depois que passou um tempo de voluntariado para cuidar dele através da HALO.

Allen disse que chamou a polícia na quinta-feira para pedir que verificassem Jacobs, após ter recebido um e-mail suicida naquela manhã pedindo que alguém cuidasse do cão, Sampson. E questionou se teria sido necessário atirar em Jacobs:

– “Eu não estava lá, então não sei como ela estava se comportando", disse. "Eu gostaria que tivessem sido capazes de usar uma contenção não-letal, talvez pudessem ter usado um Taser ou uma arma beanbag. Ela não tinha uma arma de fogo. Tinha uma faca" – disse Allen. – "Acho que poderia ter havido uma forma melhor."

Os oficiais atiraram em Jacobs porque se sentiram ameaçados, disse o detetive Esteban Flores, porta-voz da polícia. Ela "avançou sobre os oficiais com uma faca e eles dispararam suas armas", disse.

Flores e outro porta-voz da polícia de Mesa não responderam imediatamente a vários pedidos de comentários adicionais na sexta-feira, mas o departamento agendou uma entrevista coletiva sobre a morte de Jacobs e as interações de policiais "com pessoas com doença mental."
O cão Sampson está agora com a família de Jacobs. Sua mãe diz que o animal "é o último pedaço de Danielle que eles têm".


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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mentalmente superiores

09/11/2011 | William Raillant-Clark | Diário da Saúde |

Autismo não é deficiência


Em artigo publicado pela revista Nature, o Dr. Laurent Mottron, da Universidade de Montreal (Canadá), alerta: "precisamos parar de considerar que a estrutura cerebral diferenciada dos indivíduos autistas seja uma deficiência."

Segundo o cientista, as pesquisas revelam que muitos autistas têm capacidades e qualidades que frequentemente excedem aquelas dos neurotípicos:

- "Dados recentes, e minha própria experiência pessoal, sugere que é hora de começar a pensar no autismo como uma vantagem em algumas esferas, não uma cruz para carregar," afirma Mottron.

Leia mais:

Autistas são mentalmente superiores em vários aspectos
http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=autistas-mentalmente-superiores&id=7125


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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Temple Grandin em Pasadena

Temple Grandin, engenheira, professora universitária, especialista no manejo de gado, escritora best-seller, apontada como a mais bem-sucedida pessoa autista, teve uma recepção de celebridade na celebração de 50 anos de Villa Esperanza, em Pasadena, California.

Em Pasadena para a Conferência de Autismo no Hilton Pasadena, ela levou uma mensagem nascida de sua própria experiência:

-"Vou falar da importância da intervenção precoce", explicou, antes de se apresentar. "Com crianças autistas, frequentemente não se pode afirmar nada a respeito de quão severo (o autismo) será. Eu parecia (um caso) severo aos 2 anos e é importante enfatizar que se uma criança de 3 anos não fala, tem movimentos repetitivos ou não se comunica, não espere, comece a trabalhar logo com ela!"

Ela foi diagnosticada em 1950 e seus pais foram aconselhados a interná-la. Naquela época, ela explica, muitas crianças eram rotuladas de "severametne retardadas". Desde então, ela explica, foi idealizado o "espectro autista", que inclui crianças nerds e geeks como ela.

-"É um continuum, em uma ponta temos as crianças Caltech e, na outra ponta, aquelas que não vão ser daquele jeito. Mas há muita gente que será capaz".

Sua história, que contou no livro "Uma menina estranha", mudou o senso comum sobre o autismo.

O filme da HBO, com Clare Danes fazendo o seu papel, indicada aos prêmios Emmy e Globo de Ouro, foi "muito divertido", ela diz.

-"Sinto que é uma responsabilidade. Muitos pais me procuram, e sempre quero ter a certeza de que dou dicas práticas, sensíveis. Mas, uma coisa: recebo muitos e-mails de garotos que me escrevem: 'Agora eu sei que posso ser bem sucedido'."

Temple Grandin, the voice of autism, rocks the crowd at Villa Esperanza
| Janette Williams | 27/1/2011 | Pasadena Star News |
http://www.pasadenastarnews.com/news/ci_17221425

Fotos de Grandin em Pasadena:
http://lang.sgvtribune.com/photos/photos.asp?a=1160578

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Autismo NÃO É uma coisa terrível

Donna Eustace
Traduzido por Argemiro Garcia
Enviado para a Comunidade Virtual Autismo no Brasil por Wandira em 3/5/2007

A maioria das pessoas já ouviu, pelo menos uma vez, a palavra "autismo". Mas dificilmente alguém já pensou que o autismo possa ser, realmente, uma coisa boa. À menção da palavra, vêm à mente imagens de uma criança que se senta no chão a balançar repetitivamente, batendo a cabeça na parede, agitando as mãos ou girando objetos. A menos que uma pessoa já tenha um conhecimento anterior, estas imagens, derivadas em grande parte da mídia, são a primeira coisa que vem à cabeça. Como poderia o autismo ser uma coisa boa, ou mesmo uma vantagem?

Temple Grandin, que tem Ph.D. em Ciência Animal pela Universidade de Illinois e é professora assistente nessa disciplina na Universidade Estadual do Colorado, é autista. É também autora de dois livros: Uma menina estranha (Cia das Letras) e Thinking in Pictures (1995). Um terço do gado e dos porcos abatidos na America do Norte passam por equipamentos que ela projetou. De acordo com Joseph P. Shapiro, "se o termo autismo nos traz as imagens de Dustin Hoffman no filme Rain Man ou de algum infeliz batendo a cabeça na parede, Grandin é uma destruidora de estereótipos". Ela acredita firmemente que, desde que os animais dão tanto aos seres humanos, devem ser bem tratados até o momento de suas mortes.

Cadê o autismo? Por causa de seu pensamento concreto, Temple Grandin é incapaz de pensar nas coisas em termos genéricos, como a maioria das pessoas. Se ouvir a palavra "gato", em vez da imagem de um gato genérico surgir em seu cérebro, ela vê mentalmente gatos específicos que conheceu na vida. Quando alguém lhe fala sobre uma torre de igreja, visualiza imediatamente as torres que já viu. Esta habilidade permite-lhe retratar exatamente em sua mente como o gado verá a passagem que está projetando e como funcionará antes mesmo que seja registrada no papel. Não somente compreende totalmente como a rampa se operará, ela pode também vê-la da perspectiva do animal. Projeta as curvas e as paredes de modo que obstruam a vista de qualquer coisa que possa fazer o animal ficar agitado, como sombras, um outro animal, ou o vislumbre de alguém que trabalha na planta industrial. Mas sua maneira autista de pensar em termos científicos - ela se compara ao pensamento lógico do Sr. Spock de Jornada nas Estrelas - a impede de ver a morte do animal de outra forma que não seja desapegada. Contudo, não fosse seu autismo, não poderia pensar em tais termos concretos, e não poderia ter transformado uma de suas "fixações" em uma carreira profissional.

Um outro exemplo de como o autismo pode ser vantajoso é a história de Taylor Touchstone, um menino autista de dez anos que se perdeu no pântano do Forte Walton Beach, Flórida, em agosto de 1996. Em um artigo do New York Times de 17 de agosto de 1996, Rick Bragg conta a história do garotinho que vagou sozinho pelo pântano por quatro dias. "Nadou, flutuou, rastejou e percorreu cerca de 22 quilômetros com os pés, pernas e barriga cobertos de cortes dos galhos e espinhos que o pessoal do resgate achavam ser impenetráveis, sua jornada iluminada na noite pelos relâmpagos das tempestades que açoitavam o pântano."

Em 7 de agosto daquele ano, Taylor foi nadar com a mãe, Suzanne, a irmã Jayne, e alguns amigos no Ribeirão Turtle, na área protegida da base da Força Aérea. Andou na água, flutuou rio abaixo e desapareceu de vista. Não respondeu aos chamados da sua mãe. Foi encontrado por um pescador de nome Jimmy Potts no domingo, dia 11, nu, boiando nas águas do Rio East Bay. Seis meses antes, quatro rangers morreram durante um treinamento no pântano da região.

A família de Taylor não acha que ele sobreviveu "apesar" de seu autismo mas, sim, "por causa" dele. A área infestada de jacarés e cobras poderia ter feito outra criança entrar em pânico, mas não Taylor. Sua mãe explica no artigo que "ele se concentraria em um nó do cordão de seu calção de banho - e não se preocuparia com o resto do mundo. Se esse foco lhe ajudou a sobreviver, é um milagre que tenha sido meu filho e não alguma criança considerada normal que tenha nadado por quatro dias naquela região. Talvez tenha enfrentado aligátores e se preocupado mais com sua sunga." Comparou a situação à história de uma mulher autista que dizia que, embora a maioria das pessoas, em uma floresta, pudesse ver a vastidão das árvores, ela conseguia se focalizar na teia de uma aranha. Os soldados do exército e os auxiliares do xerife não conseguiam penetrar a região totalmente. Contudo, de algum modo, Taylor o fez. Rick Hord, do Departamento do Xerife, comentou que "a área de busca cobriu tanto da região quanto poderíamos cobrir. Ele foi além."

Este ano, Alex Mont, de 9 anos, foi premiado com um troféu de ouro por sua pontuação perfeita em um teste nacional da matemática. Mais de 85.100 estudantes tinham feito a prova e somente 268 deles - incluindo apenas sete do quarto grau - tiveram uma contagem perfeita. Alex tem dois lados: um é ser extremamente bem dotado em Matemática; o outro é ser autista. Quando tinha quatro anos, montava no carrinho de supermercado e, enquanto seus pais faziam compras, convertia o volume das garrafas de refrigerante de litros para quartos. Susan Levine, redatora do jornal Washington Post, conta em um artigo de 23 de junho de 1997 que ele "compreendia frações antes do jardim de infância e logo depois entendeu que a divisão era o contrário da multiplicação. Uma noite, quando estava na segunda série, brincando sozinho em seu quarto, calculou uma equação para uma sequência matemática infinita. Sua estante, do teto ao assoalho, é cheia com títulos como 'A vingança de Arquimedes'." Sua mãe, Nadine Goodman, explica: "ele é um menino autista de alto funcionamento com severos problemas sociais - que faz cálculos."

Alex também participará, neste verão, de uma iniciativa de Matemática e Ciências de três semanas no Centro para a Juventude Talentosa da Universidade John Hopkins. Para se qualificar para este programa, um aluno de quarta série como Alex tem que se colocar dentro do percentil de 70% para alunos de sétima série em um teste avançado para habilidades de raciocínio. Alex atingiu os 99% para alunos da nona série. O nível mais elevado que poderia atingir.

Quando foi com sua tropa de escoteiros visitar uma companhia de pedras local como parte de seu estudo de rochas, Alex se concentrou no sistema de preços da empresa, em vez da mercadoria. Perguntou ao gerente porque era mais barato comprar vinte e cinco sacos de oitenta libras de cascalho do que requisitar uma entrega de uma tonelada bruta. A mãe de Alex diz que começou a estudar o preço de unidades quando tinha três anos de idade.

Sou membro de três diferentes listas de discussão que tratam de autismo na Internet, duas das quais com fontes anônimas. Postei nelas as perguntas: "1) Quais são alguns exemplos ou formas em que o autismo pode ser uma coisa positiva? e 2) porque o autismo é percebido como uma coisa tão terrível e nunca positiva?" Recebi 14 respostas. Algumas das respostas à primeira pergunta encontram-se a seguir:

"Muitos dos grandes pensadores tiveram tendências autistas e as dádivas que deixaram para o planeta são surpreendentes. Einstein, em particular, só falou tardiamente e tinha muitos traços autistas. Bill Gates é outro... Se considerarmos que a nova definição 'politicamente correta' do autismo é que o cérebro dessas pessoas é 'conectado de forma diferente', isso nos diz que qualquer um que tenha QI 150 será considerado com cérebro 'conectado diferente', se comparado com a população em geral. Talvez seja, de um ponto de vista darwiniano, necessário para a população mover-se para o espectro autista para resolver muitos dos mistérios do mundo (AIDS, câncer), porque estas pessoas não deixam relacionamentos pessoais influenciarem sua paixão verdadeira - normalmente, seu trabalho (principalmente quem tem nível universitário)."

Isso faz sentido. Parece que qualquer um que seja considerado um "bambambam" em nossa sociedade tem a reputação de ser excêntrico. E muitas dessas pessoas parecem ser solitárias.

"Meu filho de nove anos escolheu fazer seu projeto de semestre no curso do LEAP (Licensing ExAm Preparation Services) sobre Bill Gates. Descobriu que Gates tem muitos traços asperger/autista, como saltar e balançar, sendo muito competitivo (odeia perder qualquer coisa), prazer em atividades solitárias, timidez, forte desejo de controle, caminhar contando os passos, não gostar de conversinhas... Pessoas brilhantes pensam diferente e essa é a chave de seu brilhantismo".

A resposta seguinte veio em resposta à sentença final da resposta acima. Parece ser consenso que as diferenças pessoais são importantes para nos dar uma sociedade equilibrada.

"O cérebro de _______ é ligado diferentemente, e então todos os demais e também ele será certamente brilhante por causa disso! Precisamos lembrar disso quando estamos tratando dos aspectos negativos." "Meu filho _______ tem uma certa inocência, faltando a ele os traços comuns a outros pequenos de sua idade. Isto inclui seu desinteresse em se adaptar à multidão, ou seja, os comportamentos médios, a pirraça dos outros meninos, tentar ser 'legal', o exibicionismo e a ostentação. Ele (e outras crianças autistas) têm uma honestidade angelical que eu não troco por nada. É doce por dentro..."

Tenho observado isto com minha própria filha. Há uma doçura nela, não sabe nada sobre ficar na média. O conceito está fora de sua compreensão.

"Tenho gasto muitos anos no Colégio (High School) ensinando alunos superdotados. Aqueles que são muito dotados, com QI acima de 150, são muito diferentes de seus colegas e certamente compartilham muitos traços com nossas crianças. A supedotação, por definição, significa que estes garotos não são normais e quanto mais seu desvio padrão está longe da norma 100, mais excêntricos parecem ser... Não acho que tenha tido alguma vez um pequeno superdotado que não tivesse algumas (em alguns casos muitas) características associadas com o espectro autista; quando o cérebro é voltado para a genialidade, faz parte do pacote."

Isto, para mim, é muito interessante e foi algo novo que aprendi sobre crianças superdotadas. Eu nunca imaginara que alguma delas pudesse exibir alguns dos comportamentos de uma criança autista.

"Conheço um jovem sem diagnóstico e, assim, provavelmente seu exemplo não possa ser usado... entretanto, sua mãe agora reconhece que ele é, ou foi, hiperléxico. É campeão de xadrez. Aprende bem com visualização. Quando era pequeno, tinha muitos problemas de comportamento, mas agora está na universidade estudando matemática e física."

A hiperlexia acompanha o espectro autista. As crianças com hiperlexia têm interesse intenso por letras e números e, para muitas delas, os nomes das letras ou dos números são suas primeiras palavras. Frequentemente, aprendem a ler antes dos cinco anos.

"Posso pensar em diversas coisas positivas como: meus garotos não parecem ter um pingo de maldade e o mais velho está sempre criticando os baderneiros na escola; o ______ também desenvolveu uma habilidade artística e matemática; pode repetir toda canção ou verso, tanto que achamos que poderá ser ator; dificilmente se machuca; e, finalmente, ambos meus filhos têm uma quantidade enorme de energia."

Um intenso interesse por música também pode ser um sintoma de autismo embora, como as crianças neurotípicas, duas crianças autistas nunca serão iguais. Algumas pessoas autistas desenvolvem habilidades "savant", o que significa que aprendem a fazer algo extremamente bem, mas não podem aplicar isso em sua vida diária. Aqueles que desenvolvem habilidades e conseguem aplicá-las, frequentemente levam sua vida graças a elas.

"No nível pessoal, ter uma criança autista nos forçou a fazer mudanças em nosso modo de vida que não faríamos de outra forma... __________ nos ensinou também a ser mais tolerantes, ter mais compreensão e ser mais gratos pelo que temos! Sou muito menos julgadora do que era antes de termos intimidade com o autismo. E mesmo a criança mais "inalcançável" pode nos ensinar a lição mais importante da vida: como dar amor incondicionalmente! Se as pessoas aprendessem a amar uma criança autista 'difícil', este mundo seria um lugar melhor!!!"

Para mim, ter uma criança autista em minha vida me trouxe um intenso fascínio pelas pessoas com qualquer deficiência. Frequentemente, quando vou a um lugar de que gosto, imagino se há uma forma de uma pessoa em cadeira de rodas chegar até lá, ou como explicar a uma pessoa cega como é, para que também possa "ver" a beleza.

"Há uma tênue linha entre insistência e perseverança. Quando a _____ usa de insistência para conseguir algo que se pensava impossível para ela, as pessoas interpretam como perseverança... quando começou seu projeto de ciência do ano passado, tornou-se obcecada com o assunto e aprendeu tudo que poderia sobre ele. Quando chegou a hora de falar aos juizes, impressionou-os tanto que ganhou o grande prêmio da escola, e um Excelente em Biologia na feira geral do condado. Não era mais aquele tempo lá atrás quando nos diziam para colocá-la em uma unidade especial..."

Mesmo nestes dias, nesta época em que ninguém pensaria em pôr uma criança com deficiência física em um "asilo", como se fazia no passado, não é incomum um pai ser recomendado a institutionalizar seu filho autista.

"Para mim, às vezes é difícil distinguir o que é causado pelo autismo e o que é causado apenas pela sua maravilhosa personalidade normal. O _____ só tem quatro anos, assim não tem que escolher uma carreira, ou se perdeu em algum lugar, mas posso dizer-lhe que ele é uma criança visivelmente bonita. Algo que acredito a respeito do seuautismo é que:

1. Aprendeu sozinho a ler, aos três anos. 2. Não se envolve com a última "novidade" e, assim, não é influenciado pelas coisas que afetam outras crianças. Por exemplo, não gosta de assistir a desenhos animados e, assim, não quer ter o último boneco do Power Ranger, ou o que quer que esteja na moda. Adora assistir a programas educativos mas não choraminga para comprarmos brinquedos quando vamos à loja... 3. Na maior parte, não entende os conceitos de raiva e violência. Eu diria que ele jamais bateria em outra criança porque pegou seu brinquedo, nem nunca ficaria bravo por lhe xingarem - riria junto com eles. 4. Ainda adora se aconchegar, abraçar, etc.. Não é "tão grande que não queira mais fazer isso..."

As duas respostas seguintes vieram de pessoas que são, elas mesmas, autistas.

"Tendemos a ser honestos, diretos e retos com nossos princípios. Podemos desenvolver habilidades especiais em uma variedade de áreas, talvez devido a uma habilidade geral de nos concentrarmos em informações abstratas. A maioria de nós provavelmente não é muito afetada pela propaganda e, acredito, nem por líderes carismáticos."

"Pessoalmente, acho útil me isolar automaticamente de um monte de coisas emocionalmente negativas - elas não existem para mim a menos que eu lhes queira prestar atenção, ou alguém me explicar o que está acontecendo."

Um dos maiores desafios que as pessoas autistas, mesmo as de alto funcionamento, enfrentam é a dificuldade em compreender as respostas emocionais daquelas que chamam de "NT" (neurotípicas). Como as habilidades sociais lhes são um grande problema, encontrar um trabalho em que possam ser melhores do que os outros é difícil, porque frequentemente começam se fechando durante a entrevista.

"Bem, um pouco antes eu fiz um teste (o teste GATB) para avaliar-me com relação a ser capaz trabalhar - parecia uma boa idéia na época - pouco desse teste tinha alguma relação comigo, mas uma coisa em particular foi interessante... Era sobre ver figuras planas e visualizá-las dobradas em 3-D, como se fossem folhas de metal dobrado. Gostei mesmo dessa parte e eu quis fazer mais... fiquei sabendo que eu atingi a maior pontuação que a mulher que tabulou os resultados tinha visto em dez anos.

"Para mim, é como a habilidade de Temple Grandin, um sentido quase palpável das imagens, que posso usar de acordo com minha vontade. Houve situações em que inventei algo - eu conserto equipamentos de áudio e tenho várias ideias no meu trabalho, algumas muito inovadoras - e sei na hora qual seria o resultado de minha ideia. Fico surpreso e não compreendo quando as pessoas não entendem imediatamente... apesar de tudo, frequentemente a outra pessoa é alguém muito mais competente em outras coisas, de longe mais bem sucedida do que eu, contudo não enxerga, não importa como eu tente explicar."

"Isso não é sobre ser sempre estritamente visual, no sentido em que Temple Grandin explica. Para mim, é mais como uma espécie de 'sacação' ou de saber uma coisa. Eu tenho sentidos similares sobre tendências e implicações em áreas, como computadores, que me interessam o suficiente para me manter ligado com o assunto principal e o pano de fundo."

A respeito de minha segunda pergunta, "porque o autismo é percebido como uma coisa tão terrível e nunca positiva?", o consenso geral pareceu indicar que é por causa da imprensa ruim, que é porque a mídia tende ao sensacionalismo. Entretanto, recebi alguns comentários que me surpreenderam. Uma pessoa comentou: "por isso é terrível. Ser privado do contato humano, unidirecional ou outro, tem consequências emocionais. Também, pode ser difícil imaginar alguns dos lados positivos, até que você os viva no dia-a-dia." Uma outra resposta foi, simplesmente, que "precisamos de melhores definições." Mas talvez minha resposta favorita seja "porque as pessoas tendem a ver o lado positivo como sendo "apesar do autismo". Todos os comportamentos negativos - mesmo aqueles que ocorrem nas crianças normais - são vistos como sendo parte do autismo da pessoa."

Acho que é hora de nós todos olharmos mais o lado positivo de todos... tanto aqueles que têm deficiências como aqueles que não têm.

O endereço não se encontra acessível em 2010:
http://access.autistics.org/support/family/terrible.html

Autism Is NOT A Terrible Thing
by Donna Eustace

Most people have at least heard of Autism. But hardly anyone has ever thought that autism could actually be a good thing. At the mention of the word autism, the mind pulls up images of a child sitting on the floor rocking repetitively, banging their heads against a wall or the floor, flapping their hands, or spinning objects. Unless a person has first hand knowledge of autism, these images, mostly derived from the media's portrayal of autism, are the first thing to pop into their heads. So how can autism be a good thing or even an advantage?

Temple Grandin, who has a Ph.D. in animal science from the University of Illinois, and is an assistant professor in animal science at Colorado State University, is autistic. She is also the author of two books, Emergence: Labeled Autistic (1982) and Thinking In Pictures (1995). One third of the cattle and pigs slaughtered in North America pass through livestock equipment she designed. According to Joseph P. Shapiro, "If the term autism conjures up images of Dustin Hoffman in Rain Man or some head-banging unfortunate on a back ward, then Grandin is an accomplished stereotype blaster" (78). She firmly believes that since animals give so much to humans, they should be treated well up until the moment of their deaths.

So where does autism fit into this? Because of her concrete thinking, Temple Grandin is unable to think of things in generic terms like most people do. If she hears the word cat, instead of the picture of a generic cat popping into her brain, she mentally sees certain cats that she has known during her life. When someone speaks to her about a church steeple, she instantly pictures specific steeples she has seen. This ability enables her to actually picture in her mind exactly how a cattle chute she is designing will look and operate before it is ever put down on paper. Not only does she totally understand how the chute will operate, she can also see it from the animal's perspective. She designs the curves and walls so that they block the view of anything that might make the animal skittish, such as shadows, another animal, or a glimpse of someone who works in the packing plant. But her autistic way of thinking in scientific terms - she compares herself to Star Trek's logical thinking Mr. Spock - prevents her from viewing the animal's death with anything other than detachment. Yet if not for her autism, she would not be able to think in such concrete terms, and may not have actually turned one of her "fixations" into a life-long career.

Another example of how autism can work to a person's advantage is the story of Taylor Touchstone, a 10-year-old autistic boy who was lost in the swamp of Fort Walton Beach, Florida in August of 1996. In an article for the August 17, 1996 edition of the New York Times, Rick Bragg tells the story of the little boy who wandered alone through the swamp for four days. "He swam, floated, crawled, and limped about 14 miles, his feet, legs, and stomach covered with cuts from brush and briars that rescuers believed to be impassable, his journey lighted at night by thunderstorms that stabbed the swamp with lightning."

On August 7, 1996, Taylor went swimming with his mother, Suzanne, his sister, Jayne, and some friends in Turtle Creek on the reservation lands of the Air Force Base. He walked into the water, floated downstream, and disappeared from sight. He did not respond to his mother's calls. He was found by a fisherman named Jimmy Potts on Sunday, August 11, floating naked in the waters of the East Bay River. Six months earlier, four Rangers died while training in swampland near there.

Taylor's family believes that he survived, not in spite of his autism, but rather because of it. The alligator and snake infested area might have caused another child to have gone into panic, but not Taylor. His mother states in the article that, "He will fixate on a knot in a bathing suit's draw string - and not be concerned about the broader realm of his life. If that focus helped him survive, it is a miracle that it was my son and not some otherwise normal child who went for a four-day swim in the black water region. He may have paddled with the gators, and worried more about losing his trunks." She compared it to a talk she had heard by an autistic woman who stated that although most people in a forest might see the vastness of the trees, she might concentrate instead on a spider web. Army Rangers and sheriff's deputies could not fully penetrate the region. Yet somehow, Taylor did. Rick Hord of the Sheriff's Department stated, "The search area encompassed as much of that area as we could cover. He went farther."

This year, 9 year old Alex Mont was presented with a gold trophy for his perfect score on a national mathematics test. More than 85,100 students had taken the exam, and only 268 of them -including just seven fourth graders - got a perfect score. There are two sides to Alex. One side is his extreme giftedness in math, the other side is his autism. When he was four years old, he would ride in the cart when his parents took him grocery shopping with them and convert the soda bottles from liters to quarts. Susan Levine, a Washington Post Staff Writer tells us in her June 23, 1997 article for the Washington Post that "He conquered fractions before kindergarten and soon after grasped that division was multiplication in reverse. In second grade, giggling to himself one night in his bedroom, he figured out the equation for an infinite mathematical sequence. His floor- to-ceiling bookshelf is filled with titles such as 'Archimedes' Revenge.'" His mother, Nadine Goodman explains, "He's a high-functioning autistic kid with severe social problems - who does calculus."

Alex will also participate this summer in a three-week math and science institute at John Hopkins University's Center for Talented youth. To qualify for this program, a fourth grader like Alex has to place within the 70th percentile for seventh graders on an advanced test of reasoning ability. Alex placed at the 99th percentile for ninth graders. This was the highest level that could be pinpointed from the results.

When he went with his Cub Scout pack to tour a local stone company as part of their study of rocks, Alex concentrated on the company's pricing system instead of the merchandise. He asked the manager why it was cheaper to buy twenty five of the eighty pound bags of gravel than to order a bulk ton delivery. Alex's mother says he started studying unit pricing when he was three years old.

I am a member of three different listservs on the internet dealing with autism, two of which are anonymous sources. I posted the questions, "1) What are some other examples or ways in which autism can be a positive thing, and 2) Why is autism perceived as such a terrible thing and never positive?" to these listservs. I received 14 responses. Some of the answers first question included following

"Many of our world's great thinkers had autistic tendencies and the gifts they gave to the planet are amazing. Einstein in particular, didn't talk until late and had many autistic traits. Bill Gates is another. . . . If one considers that the new 'politically correct' definition of autism is that a person's brain is 'wired differently' then it stands to reason that anyone who as an IQ in the 150 range will be perceived as having his brain 'wired differently' compared with the general population. Perhaps it is, from a Darwinian standpoint, necessary for the population to move toward the autistic spectrum in order to solve many of the mysteries of the world (AIDS, cancer) because these people don't let personal relationships get in the way of their true passion, often their work (often at the upper University level)."

This makes sense. It seems as if anyone who has ever been a "mover and shaker" in our society has always had a reputation of eccentricity. And many of these people have seemed to be loners.

"My nine year old chose to do his semester long project in LEAP on Bill Gates. He found that Gates has many Aspergers/Autistic traits: jumping and rocking, being very competitive (hates to lose at anything), happiness with solitary activities, shy, strong desire for control, pacing, dislike for small talk. . . . People who are brilliant--think differently and that is the key to their brilliance."

The next person's response actually came in response to the final sentence of the response above. It seems to be the consensus that people's differences are important in giving us a well- balanced society.

"_____'s brains is wired differently then [sic] everyone else and he is certainly brilliant because of that! We need to remember this when we are dealing with the negative aspects." "My son . . . has a certain innocence, lacking the worldly traits of other kids his age. This includes his disinterest in conforming to the crowd, ie mean behaviors, teasing of other kids, trying to be 'cool', showing off and bragging.... He (and other autistic kids) has a heavenly genuineness that I wouldn't trade for the world. He is internally sweet..."

I have noticed this with my own child. She has a sweetness about her, and does not know anything about being mean. The concept is beyond her.

"I have spend [sic] many years in the high school classroom teaching the gifted, and those who are highly gifted with IQ's above 150 are very different from their peers, and they do indeed share many traits of our own children. Giftedness by it's very definition means that this [sic] kids are not normal and the more standard deviations they are from that 100 norm, the more eccentric they seem to be. . . . I don't think I've ever had a highly gifted kid who didn't have some (in some cases many) characteristics associated with ASD [Autism Spectrum Disorder]. When the brain is wired for genius, this is part of the package."

This was very interesting to me. This was something new that I learned about gifted children. I had never imagined that some of them might exhibit some of the same behaviors that an autistic child would.

"I know a young man who is unidentified so probably this could not be used...however his mom recognizes now that he is/was hyperlexic. He is a chess champion. Learns well through vizualization [sic]. As a young child there were many many difficult behavior problems but now he is in university [sic] and studying maths and physics."

Hyperlexia is along the autism spectrum. Hyperlexic children have an intense interest in letters and numbers, and for many of them, the names of letters or numbers are their first words. These children often teach themselves to read before the age of five.

"I can think of several positive things such as: my kids don't seem to have a mean bone in them and my oldest is always telling the bullies off in school; _____ also has developed an artistic and math ability; he can repeat any song or verse so we think maybe he'll be an actor; he hardly ever gets hurt; and lastly both of my sons posess [sic] a great amount of energy."

An intense interest in music can also be a symptom of autism, although like typical children, no two autistic children are alike. Some autistic people develop "savant" abilities, which means that they learn to do something extremely well but can't apply it in their everyday lives. Those who develop abilities but can apply them often can make a living using those abilities.

"On a personal level, having an autistic child has forced us to make lifestyle changes that we would not have considered otherwise.... _____ has also taught us to be more tolerant, to be more understanding and to be more thankful for what we have! I am much less judgemental [sic] than I was before we became intimate with autism. And even the child who is the most "unreachable" can still teach us all the most important lesson of life: how to give unconditional love!! If people learned to be loving toward the most difficult autistic child, this world would be a better place!!!"

For myself, having an autistic child in my life has also given me an intense fascination for people of all disAbilities. I often wonder when I go hiking to a favorite spot if there would be a way to get a person in a wheelchair out there so they could see it too, or how to tell a blind person what it looks like so they could "see" the beauty too.

"There is a fine line between perseveration and perseverance. When ____ uses her perseveration to accomplish something thought to be impossible for her, people remark on her perseverance. . . . when she started her science fair project last year, she became obsessed with the topic and learned everything she could about it. When the time came to talk to the judges, she impressed them so much that she won grand prize at her school, and Excellence in Biology (the equivalent of second grand) at the county wide fair. It wasn't that long ago that we were told to put her in a functional placement..."

Even in this day and age when no one would even think about putting a child with a physical disAbility into an "asylum" like they were in the past, it is not uncommon for a parent to be advised to institutionalize their autistic child.

"For me, it is hard to distinguish sometimes between what is caused by the autism, and what is caused by just his normal, wonderful personality. _____ is only four, so he hasn't had to choose a career, or get lost somewhere, but I can tell you he is a pretty remarkable child. The following is some of the autism I believe:

1. He taught himself to read at age three. 2. He doesn't become involved in the latest "fad", so is not as influenced by things as other children are. For instance, he doesn't particularly like watching cartoons, so he does not have to have the latest power ranger [sic] toy, or whatever is in now. He loves to watch PBSshows, but doesn't clammer [sic] for the toy when we are in the store.... 3. the [sic] concepts of anger and violence, for the most part, escape him. He would never say, hit another child because they took his toy, he would never get mad at being called a name - he would laugh right along with them. 4. He still loves to cuddle, hug, etc. He is not such a "big boy that he can't do that any more..."

The next two responses came from people who are themselves autistic.

"We tend to be honest, straightforward, and stick to our principles. We can develop special skills in a variety of areas, perhaps due to a general ability to concentrate on abstract information. Most of us probably are not affected by advertizing very much, and neither, I believe, by charismatic leaders.

"Personally, I find it useful that I shut out a lot of negative emotional stuff and power struggles automatically - it doesn't exist to me unless I want to pay attention, or someone explains what's happening."

One of the biggest challenges facing even a high-functioning autistic person is the inability to understand the emotional responses of those of us they call "NT's (NeuroTypicals)". Because social skills are a big problem for them, finding a job that they might be able to do better than anyone else is hard to do because they often get shut out during the interview stage.

"Well, a while back I took a test (the GATB test) for appraising me in relation to being able to work - seemed like a good idea at the time - much of this test had little relation to me, but one particular part of the test was interesting...

"It was about seeing flat shapes and visualizing them bent into 3-D shapes, as if they were sheet metal to be bent and formed. I really liked that part and wanted to do more of it... turned out I got the highest score the woman who tabulated the scores had seen in ten years.

"I see this as similar to Temple Grandin's ability - an almost palpable sense of imagery that can be made to do my bidding. There are times when I have invented something - I tinker with audio equipment and have a number of original concepts at work in my daily life, some very novel - and have _known_ [Using an underscore immediately before and after a word on the internet is a way of stressing that word, since many mail programs do not support italics or bold print. Writing in all capital letters is considered to be yelling, and is therefore considered to be rude.] immediately what the result of my idea would be. I'd be surprised and uncomprehending when other people did _not_ immediately know...after all, frequently the other person would be somebody far more competent in many things, far more successful than I, yet they wouldn't _see_ it no matter how I tried to make them see it.

"This is not always strictly visual, in the sense that Temple Grandin explains it. For me, it's more like a sort of overall 'grokking' or knowing of a thing. I get similar senses about trends and implications in fields (like computers) that interest me enough to have me keeping up with the news and background."

As to my second question of "Why is autism perceived as such a terrible thing and never positive?", the general consensus seemed to be that it was because of bad press, that the media tends to sensationalize the worst. However, I did receive a few comments that surprised me. One person stated, "Because it so often is terrible. Being deprived of human contact, one way or another, has emotional consequences. Also, some of the positive sides could be hard to imagine until you see them in daily life." Another response said simply, "We need better definitions." But perhaps my favorite response was, "Because people tend to see the positives as being "in spite of" the person's autism. All negative behaviors--even those that occur in statistically normal kids--are seen as being part of the person's autism."

I think it is time we all stop to look at the positive in everyone.....those who are disAbled, as well as those who are not.

Respeite nosso trabalho. Se for copiar algum texto, cite-o como sua fonte e coloque um link para o Crônica Autista: http://cronicaautista.blogspot.com/

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Funcionário afastado da Febem mata sobrinho autista no Guarujá, em SP

SÃO PAULO - Evaldo Fernandes Pestana, de 48 anos, funcionário afastado da antiga FEBEM, matou com duas facadas seu sobrinho adolescente e autista.

O homicídio foi cometido na frente da avó da vítima e mãe do acusado. Quando o neto Felipe Francisco Pestana Barbosa, de 15 anos saiu do banheiro we disse que amava o tio, foi abraçado por este, o esfaqueando por duas vezes em seguida. O jovem, que era órfão, era criado pela avó.

Gravemente ferido, o garoto foi submetido a cirurgia, morrendo no início da noite. O acusado permaneceu estático dentro da casa, onde compareceram policiais militares e o prenderam em flagrante. A faca usada no assassinato foi apreendida sobre uma pia.

Uma irmã do acusado, que mora no térreo da residência, o afastamento do irmão do trabalho por distúrbios psiquiátricos teria sido um meio dele obter indevidamente benefícios previdenciários. Ela afirmou à escrivã da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Guarujá, que Evaldo nunca demonstrou possuir qualquer problema mental.

Evaldo foi autuado por homicídio e removido à Cadeia Pública de Guarujá. Ao ser interrogado, o acusado alegou que tentou "tirar o mal" do sobrinho, estando aliviado por conseguir o seu intento e, por isso, não se sentia arrependido.





Funcionário afastado da Febem mata sobrinho autista no Guarujá, em SP
| Tribuna Digital | Publicada em 16/09/2009 |
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/09/16/funcionario-afastado-da-febem-mata-sobrinho-autista-no-guaruja-em-sp-767631357.asp

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

LIA condena alimentos transgênicos

Fundação de assistência a autistas condena alimentos transgênicos
| Safra News | 02/09/2009 |


Declaração da Fundação de Autismo Induzido por Doença de Lyme (LIA, na sigla em inglês), divulgada esta semana, diz que os testes com alimentação transgênica em animais já fornecem provas suficientes sobre os danos desses tipos de alimentos para a saúde e que os médicos devem começar a prescrever dietas livres de transgênicos. Segundo a fundação, a recomendação seria especialmente importante para indivíduos com autismo, doença de Lyme e condições associadas a essas doenças.

A declaração inclui citação de Jannelle Love, fundadora da Fundação de Assistência ao Autismo. “É sabido que as crianças no espectro autístico sofrem de sistemas imunológicos frágeis, inflamações digestivas e do cérebro e uma sobrecarga de toxinas ambientais. Introduzir elementos estranhos como alimentos transgênicos em crianças tão frágeis poderia provocar deterioração mais grave e talvez bloquear os delicados caminhos bioquímicos necessários para o funcionamento apropriado do organismo e a possível recuperação”.

A doença é causada por uma bactéria transmitida por carrapatos minúsculos infectados (em Massachusetts, é transmitida por carrapatos de cervo). Pessoas e animais podem ser infectados e contrair a doença.

Em maio deste ano, a Academia Estadunidense de Medicina Ambiental já havia publicado declaração semelhante, orientando, entre outras recomendações, os médicos a alertarem seus pacientes, a comunidade médica e o público em geral a evitar os alimentos transgênicos sempre que possível.

Fundação de assistência a autistas condena alimentos transgênicos
http://www.safranews.com.br/index.cfm?ler_noticia=1&NOTICIA_ID=412552&secao_id=6

Designer cria modelo de jogo virtual para crianças autistas

01/09/2009 - 18:33:18

As crianças com autismo são excluídas de um dos passatempos favoritos dessa nova geração de meninos e meninas do mundo todo: os jogos de computadores. Os brinquedos disponíveis no mercado não são apropriados para elas. Em geral, eles contêm comandos que, em vez de ajudar no desenvolvimento, atrapalham. Recém-graduada em Desenho Industrial pela Universidade de Brasília, Brenda Oliveira Kelly se sensibilizou com o problema. Estudou a fundo o distúrbio e, aliando a psicopedagogia ao design de interfaces, desenhou um modelo de jogo virtual acessível a esse público infantil.

O software idealizado por Brenda é destinado a crianças com idade entre três e cinco anos. No modelo, pais e professores podem configurar volume do som, níveis de dificuldade e limites de sensibilidade na movimentação do mouse de acordo com as necessidades de cada criança. Como há diversos modos de manifestação do distúrbio, a possibilidade de alteração das ferramentas é necessária. Algumas crianças possuem hipersensibilidade sonora mais aguçada que outras, além de dificuldades motoras e visuais.

Se o som do brinquedo é estridente, por exemplo, o jogo pode deixar a criança nervosa e agitada. “O modelo que proponho é um novo jeito de pensar ferramentas educativas, que podem incluir todas as crianças", diz Brenda. "Geralmente os jogos são pré-formatados, não são produzidos para abarcar a diversidade das pessoas”, afirma.

A Associação Americana de Autismo estima que de uma em cada 167 crianças apresentarão autismo nos próximos anos. O distúrbio é uma desordem no desenvolvimento que afeta a capacidade da pessoa se comunicar e de estabelecer relacionamentos. Geralmente, ela se manifesta até os três anos de idade. Há autistas que possuem pouco ou nenhum contato visual (dificuldade de fixar o olhar). Outras crianças têm extrema facilidade em decodificar estímulos visuais e espaciais. Também é comum que algumas apresentem modos arredios, hiperatividade ou extrema inatividade.

Protótipo

A narrativa do jogo mostra o dia a dia de uma criança em sua casa antes de ir para a escola. As crianças autistas têm dificuldades em seguir rotinas. Durante a brincadeira, a criança precisa executar tarefas como escovar os dentes ou brincar dentro do quarto. “Vivendo a situação virtualmente, acreditamos que a criança vai adquirir esse hábito”, afirma Anelice Batista, professora da Faculdade de Educação da UnB, que acompanhou o projeto.

Há situações de contato físico no ambiente escolar da brincadeira. Em certo momento, a professora abraça o aluno. "Para a criança autista, o abraço é quase que uma sensação de dor. O jogo cria situações de um autoestímulo", avalia Anelice.

Outro ponto importante da proposta é que a criança não enfrenta a situação da perda. Se não for bem sucedida na atividade, ela precisa melhorar o que fez. Quando a executa bem, é elogiada. “Não é para criar ou estabelecer com a criança só relações de coisas boas, mas ao eliminar reações negativas, evitamos o sofrimento dela”, destaca Anelice.

Barreiras

Angélica Cordeiro trabalha há seis anos com crianças autistas e é professora da Associação dos Amigos dos Autistas do Distrito Federal (AMA-DF). Ela afirma que o mercado de brinquedos para esse público é escasso no Brasil. "O que a gente faz é adaptar os brinquedos", declara.

Para construir os parâmetros do jogo, Brenda analisou dois softwares bem conhecidos no mercado infantil. A designer observou durante duas horas uma criança autista manipulando as ferramentas e chegou à conclusão de que os jogos não tinham acessibilidade e usabilidade para o público com autismo.

“O Arthur (nome fictício para preservar a identidade da criança) teve muita vontade de jogar. Mas os dois softwares eram muito verbais, só falados, não apresentavam nenhuma dica visual”, disse. “Ele ficou muito nervoso. São jogos que excluem muita gente. É preciso ter cuidado”, alerta a designer.

UnB Agência

Designer cria modelo de jogo virtual para crianças autistas
http://www.clicabrasilia.com.br/portal/noticia_new.php?IdNoticia=114846

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Bjork e Kate Winslet em documentário sobre autismo

Novo filme sobre autismo. Desta vez é o documentário The Sunshine Boy (O Garoto do Sol), do diretor islandês Fridrik Thor Fridriksson.

O filme acompanha a jornada da produtora Margret Dagmar Ericsdottir em sua busca para entender e ajudar seu filho autista Keli, atravessando meio mundo até a terapeuta Soma Mukhophadhyay, no Texas. Soma é a mãe do rapaz autista Tito Mukhophadhyay, autor de livros sobre sue próprio autismo e sua relação com o mundo.

A estréia mundial de The Sunshine Boy acontecerá no Festival Internacional de Toronto, neste mês de setembro. A narração em inglês será por conta de Kate Winslet, tendo, ainda, a participação de Bjork.

Kate Winslet to narrate film on autism - Scott Roxborough - Reuters (26/8/2009)
http://www.reuters.com/article/filmNews/idUSTRE57Q0GN20090827

Kate Winslet em documentário sobre autismo - Diário IOL
http://diario.iol.pt/cinema/kate-winslet-narracao-filme-autismo/1085000-4059.html

sábado, 29 de agosto de 2009

Em novo filme, Jet Li faz pai de autista

Jet Li, o astro do kung fu, fará seu primeiro papel dramático representando o pai de um jovem autista. O filme, sediado na cidade portuária de Qingdao, foi escrito e dirigido pela estreante Xue Xiaolu.

O filme Ocean Heaven (ainda sem nome em português, mas que quer dizer algo como Paraíso Oceânico) conta ainda com o ator chinês Wen Zhang, no papel do filho autista de Li, e a atriz taiwanesa Kwai Lun-mei, no papel de uma jovem que se apresenta no Qingdao Polar Ocean World.
Jet Li, Kwai Lun-mei, Chen Rui e Wen Zhang
O elenco do filme posa para foto durante a entrevista coletiva: Jet Li, Kwai Lun-mei, Chen Rui e Wen Zhang

No Kungfu and no charity for Jet Li in ocean paradise - China Daily, 28/8/2009
Jet Li to star in first non-action drama Ocean Heaven - Screen Daily, 26/8/2009