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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Novas drogas, nova esperança

| Julie Steenhuysen | MSNBC | Reuters | 21/05/2012 |


CHICAGO - Lynn e Neil Balter sempre tiveram medo do teatrinho da escola primária de seu filho Jack.

O pai de Jack o segura no colo e o beija. Foto de Joshua Lott, Agência Reuters.
17/5/2012 - Jack Balter, nove anos de idade, ganha um beijo do pai, Neil, em sua casa em Scottsdale, Arizona.
 Quando Jack estava no palco com os colegas, o barulho, as luzes, a multidão quase sempre o perturbavam, e ele "começava a rodar", vagando ao redor do palco ou girando em círculos, conta Lynn. "Geralmente, virava uma situação embaraçosa", acrescenta ela.

Mas em uma apresentação de dança na escola de Jack em Scottsdale, Arizona, em dezembro passado, foi diferente. "Ele estava uma batida atrasado na dança, mas fez a coisa toda", diz Neil. "Ele participou e tocou o barco com toda a classe."

Depois, a professora de Jack cumprimentou os Balters em lágrimas. "Eu não sei o que está acontecendo com esse garoto, mas é um milagre que isso aconteça, eu tenho um garoto diferente na escola", ela disse a eles.

Jack, 9 anos, tem autismo. O que a professora não sabia é que Jack participava de um teste clínico de um medicamento destinado a superar alguns dos prejuízos sociais associados ao autismo, um espectro de transtornos que vai de uma falta de jeito e interesses restritos, como visto na síndrome de Asperger, à comunicação grave e deficiência intelectual.

Durante anos, o melhor que os médicos foram capazes de oferecer aos pacientes com autismo era terapia intensiva e anti-psicóticos, drogas como o Risperdal da Johnson & Johnson, para atenuar alguns dos comportamentos extremos associados à sua condição - birras, agressividade e auto-flagelação. Anti-psicóticos tranquilam os pacientes. Mas não resolvem os problemas sociais e de comunicação que tornam impossível para muitas crianças autistas desenvolver maiores relacionamentos com suas famílias e colegas e crescer funcionando independentemente dos adultos.

Como a experiência de Jack sugere, isso pode estar prestes a mudar. Os pesquisadores estão realizando testes avançados das primeiras drogas expressamente destinadas a corrigir os problemas de sinalização induzidos geneticamente no cérebro que resultam em autismo. As primeiras indicações são positivas o suficiente para oferecer uma nova esperança para as famílias e despertar o interesse de empresas farmacêuticas.

Para os pacientes, esta investigação "pode não resolver o autismo, mas pode resolver a agressão e a sobrecarga sensorial que levam a uma série de questões comportamentais", diz Isaac Pessah, um pesquisador de autismo da Universidade da Califórnia em Davis, que não está envolvido nesses testes.

As empresas farmacêuticas suíças Novartis International AG e Roche Holding AG, bem como a empresa de capital fechado Seaside Therapeutics em Cambridge, Massachusetts, têm medicamentos em fase final de testes visando a síndrome do X Frágil, a forma mais comum de deficiência mental herdada e a causa genética conhecida mais comum do autismo. E, apesar de o X Frágil representar apenas uma pequena porcentagem de pacientes com autismo, estudos preliminares sugerem que a droga pode funcionar em outras formas de autismo, também.

Se os estudos atuais forem suficientes para satisfazer as agências reguladoras dos Estados Unidos, as primeiras drogas poderão estar disponível dentro de poucos anos e, se isso acontecer, servirão a uma população crescente. Os últimos dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças estimam que cerca de 1 em 88 crianças nos Estados Unidos têm autismo, quase dobrando a taxa de 2002.

Mesmo assim, o número de estudos de drogas permanece pequeno e os próprios ensaios têm sido relativamente poucos. Daqueles que foram completados, o efeito tem sido dramática em alguns pacientes, mas desprezível nos demais.

"Este é um novo dia, e isso é instigante", diz o Dr. Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda, Maryland, um dos Institutos Nacionais de Saúde. "Mas temos que ter o pé no chão e lembrar que podem haver muitas falhas ao longo do caminho antes de chegar a um tratamento que seja eficaz e seguro."

Cientista louco

Quando pequeno, Jack Balter era hiperativo. Ele ficava hipnotizado pelas rodas dos caminhões de brinquedo ou qualquer outra coisa que girasse, ficava na ponta dos pés, tapava os ouvidos - todos os sinais clássicos do autismo. "Sequer sabíamos o que era o autismo, por isso não sabíamos que era algo fora do comum", diz Lynn, 52.
Joshua Lott / Reuters - Jack Balter joga cabo-de-guerra com a irmã Brianna em sua casa em Scottsdale, Arizona, em 17 de maio.
Jack Balter joga cabo-de-guerra com a irmã Brianna.

Jack foi diagnosticado com autismo um pouco antes de seu terceiro aniversário. Desde então, teve cerca de 60 horas de terapia intensiva por semana, incluindo a fala, fisioterapia e terapia interação social. Cerca de 10 por cento das crianças autistas que recebem terapia intensiva "florescem", tendo uma rápida melhora à medida que crescem, de acordo com um recente estudo publicado na revista Pediatrics.

"Tivemos sorte. Ele respondeu", diz Lynn. Jack está agora em uma classe de aula regular, com um cuidador em tempo integral.

Em um vídeo familiar postado no YouTube, Jack coloca para fora suas ambições: "Por fora, sou apenas um garoto normal, mas, por dentro, eu sou um cientista louco.". Ele diz que, quando crescer, ele quer ser oceanógrafo, meteorologista, climatologista, vulcanólogo e sismólogo.

Mas, mesmo com a terapia, Jack luta para interagir com o mundo à sua volta, falando cansativamente sobre seus temas favoritos, sem nunca praticar esportes ou assistir desenhos animados, ficando muito perto das pessoas. Para outras crianças, ele parece estranho.

"Ele sempre esteve em seu próprio túnel", diz Lynn.

Em novembro passado, Jack foi inscrito em um teste do composto STX209 da Seaside, ou arbaclofen. Arbaclofen contém um dos ingredientes ativos de um medicamento mais antigo, baclofen, que tem sido utilizado desde 1960 para o tratamento de paralisia cerebral.

Jack fazia parte de um estudo aleatório com 150 crianças com autismo. Nem seus pais nem seus médicos sabiam se ele recebeu a droga ou um placebo.

Os pais de Jack estão convencido de que ele toma o remédio. Neil, de 51 anos, que fundou a empresa de armários personalizados California Closets aos 17 anos e agora tem outro negócio semelhante em casa, plotou em um gráfico o progresso de Jack durante os testes. "Você pode ver, quando ele chegou à dose de 10 miligramas, aos 18 dias", ele chegou em casa com um relatório positivo da professora, Neil diz.

Os professores não sabiam sobre o teste, mas sabiam que, de repente, algo ficara diferente. Carrie Cunningham, professora de Jack na terceira série, diz que o menino estava mais concentrado e conseguia se expressar melhor e suas emoções estavam na maior parte em cheque. "Sua auxiliar e eu notamos uma mudança quase que imediatamente", ela conta.

Elas também perceberam quando o ensaio terminou. "Foi um pesadelo", diz Cunningham. "Tudo de repente, tudo trazia lágrimas aos seus olhos. Tudo era uma batalha."

Duas semanas mais tarde, Jack começou em um estudo de acompanhamento em que seus pais sabem que ele está recebendo a droga, e Jack mais uma vez melhorou.

Neil diz que, numa escala de 1 a 10, com 1 sendo uma deficiência grave e 10 sendo normal, ele costuma pensar em Jack como um 5. Desde que Jack passou a tomar arbaclofen, Neil o vê nos 7,5.

New drugs, fresh hope for autism patients
http://www.msnbc.msn.com/id/47630513/ns/health-mental_health/


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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Abbott paga indenização pelo Depakote

| Jef Feeley e Margaret Cronin Fisk | Business Week | 8/5/2012 |

O laboratório Abbott (ABT) chegou a um acordo em que pagará US$ 1,6 bilhão (um bilhão e seiscentos milhões de dólares) para saldar os débitos federais e estaduais decorrentes de uma investigação sobre o antiepiléptico Depakote, a segunda maior indenização por venda de medicamentos na história dos EUA.

A empresa pagará US$ 800 milhões para a retirada das acusações civis apresentadas pelos governos federal e estadual e US$ 700 milhões como sanção penal, disse o Departamento de Justiça em um comunicado. A Abbott comercializou o medicamento, aprovado para a epilepsia, transtorno bipolar e prevenção da enxaqueca, para usos não aprovados, incluindo demência e autismo, disseram os EUA.

A indenização foi resultado de uma investigação que durou quatro anos sobre as práticas de vendas da Abbott iniciadas em 1998, a Abbott Park, de Illinois, disse ontem em um comunicado. A empresa também informou que pagará aos estados US$ 100 milhões, para resolver questões de defesa do consumidor. O Estado do Arizona, por exemplo, receberá US$ 2 milhões como sua parte nessa indenização.

"A Abbott não apenas praticou marketing não indicado, mas visou pacientes idosos com demência e minimizou os riscos de seus próprios estudos clínicos," disse o promotor geral associado Tony West na declaração do Departamento de Justiça. "Como esta resolução criminal e civil demonstrou, aqueles que colocarem os lucros à frente dos pacientes pagarão um preço bem alto".

Reuben Guttman, advogado dos denunciantes, afirmou que a Abbott agiu contra duas categorais particularmente vulneráveis de pacientes: os idosos e as crianças, violando as normas básicas do cuidado com a saúde e a ética.

Recursos já estavam reservados para pagar a indenização

O acordo vem quando diretores da Abbott avançam nos planos de dividir a empresa em duas até o final do ano. Uma das empresas resultantes vai vender produtos médicos e outros medicamentos de prescrição. As receitas da Abbott no primeiro trimestre subiram 4,6% para 9,46 bilhões dólares, disseram os executivos no mês passado.

A empresa já anunciara ter reservado recursos para pagar um acordo deste tamanho. O acordo fica atrás, apenas, do fechado pela Pfizer Inc. no valor de US$ 2,3 bilhões pagos em 2009 para atender às investigações de comercialização indevida de seu analgésico Bextra e outras drogas.

"Estamos contentes por resolver este assunto e temos confiança de que nossos programas atuais satisfazem as exigências da presente resolução", disse Laura J. Schumacher, vice-presidente executiva e conselheira geral da Abbott no comunicado.

Funcionários do Departamento de Justiça disseram no ano passado que estavam envolvidos em "ativas discussões" de quitação com a Abbott sobre suas práticas de comercialização do Depakote. O governo concordou em se unir às ações movidas por ex-funcionários da Abbott que alegavam ter a empresa atuado no chamado comércio off-label da droga antiepiléptico a partir do final dos anos 1990.

Equipe de Vendas Especializada

"A Abbott admite que, entre 1998 e 2006, manteve uma equipe de vendas especializada, treinada para vender o Depakote em casas de repouso para o controle de agitação e agressividade em pacientes idosos com demência, apesar da ausência de provas científicas críveis de que o medicamento fosse seguro e eficaz para esse uso", disse o Departamento de Justiça em sua declaração.

A Abbott também comercializou o medicamento para ser usado em combinação com certos antipsicóticos para tratar a esquizofrenia, "mesmo depois de seus testes clínicos não terem conseguido demonstrar que a adição de Depakote tornava o antipsicótico atípico mais eficaz para esse uso", acrescentou o Departamento de Justiça.

Os reguladores federais dos EUA aprovaram o Depakote apenas para a prevenção de enxaquecas, tratamento de episódios maníacos agudos em pacientes bipolares e para deter convulsões em adultos e crianças.

De acordo com a lei dos EUA, um médico pode prescrever um medicamento para qualquer condição, desde que esteja licenciada pela Food and Drug Administration EUA e seja provado ser segura e eficaz. As empresas farmacêuticas não estão autorizadas a promover uma droga para outros usos que não sejam aprovadas.

Reclamações dos denunciantes

O acordo também abrange as alegações de que a Abbott pagou propinas para os profissionais de saúde e fornecedores de farmácias para induzi-los a promover ou prescrever Depakote, segundo a declaração do Departamento de Justiça.

"Este é um fantástico resultado para o público", declarou em entrevista Reuben A. Guttman, um advogado de Washington que representa alguns dos denunciantes que processaram a Abbott. "É uma dos maiores indenizações por falsas alegações de medicamentos da história."

Os denunciantes terão US$ 84 milhões da parcela da recuperação civil federal da indenização, de acordo com as disposições do Ato Federal das Falsas Alegações (False Claims Act).

Na parcela civil de US$ 800 milhões de dólares do acordo com os EUA, a Abbott pagará US$ 560,9 milhões para o governo federal e US$ 239,1 milhões para os estados participantes, informou o Departamento de Justiça. A Louisiana não está participando da liquidação, de acordo com o Departamento de Justiça.

É o segundo acordo de comercialização ilegal que o governo chegou com um fabricante de um remédio para epilepsia. Em 2004, a unidade da Pfizer Warner-Lambert se declarou culpada de acusações criminais federais sobre a comercialização ilegal de sua droga para epilepsia Neurontin e pagou US$ 430 milhões para resolver as denúncias criminal e civil sobre a medicação.

O caso Depakote é U.S. ex rel. McCoyd v. Abbott Laboratories, 1:07-CV-00081, U.S. District Court, Western District of Virginia (Abingdon).

Abbott to Pay $1.6 Billion to Settle Depakote Drug Allegations
http://www.businessweek.com/news/2012-05-07/abbott-to-pay-1-dot-6-billion-to-settle-depakote-marketing-claims


Laboratório vai pagar US$ 1,5 bi por marketing indevido
| Jornal Floripa | 10/05/2012 |

http://www.jornalfloripa.com.br/cienciaevida/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=2015


A farmacêutica Abbott concordou em pagar US$ 1,5 bilhão por ter promovido o medicamento Depakote (divalproato de sódio) para tratamento de esquizofrenia, demência e autismo nos EUA. O remédio só é aprovado contra epilepsia, enxaqueca e transtorno bipolar.

A Abbott afirmou estar contente em resolver o caso. O acordo feito com o governo também prevê ajustes no marketing do remédio.

Arizona to collect $2 million in Abbott settlement
http://kjzz.org/content/1205/arizona-collect-2-million-abbott-settlement


US drug company to pay $1.6bn over Depakote mis-selling
http://www.bbc.co.uk/news/world-us-canada-17986753


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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Neurolépticos e Autismo

| Dr. Joaquin Diaz Atienza | blog Paidopsiquiatria | 29/11/2011 |

Não me caracterizo por defender até à morte a prescrição de psicofármacos na idade infanto-juvenil. Diria exatamente o oposto. No entanto, há situações graves em que as crianças se autolesionam ou agridem outras pessoas, comprometendo seriamente sua sociabilidade, adaptação à escola e a qualidade de vida para a família.

Por outro lado, a grande maioria das drogas psicoativas não têm indicação expressa na infância como uma conseqüência de que não é um mercado atraente para os laboratórios e, assim, não há pesquisas para essa faixa etária. Esta circunstância obriga a nós, médicos que, em casos extremos, tenhamos de fazer uma prescrição compassiva, assumindo a responsabilidade pelos feitos secundários que possam ocorrer.

sinto-me profundamente comprometido com a racionalização dos gastos com medicamentos como se pode perceber do fato de ser um dos dois primeiros médicos que mais receitam genéricos na minha área de Saúde Mental. Ao mesmo tempo, busco prescrever o medicamento que possua maior eficiência. Ou seja, o menor preço, com o melhor efeito terapêutico e menos efeitos colaterais.

Nos últimos anos, vimos trocando os neurolépticos clássicos pelos de nova geração, ou atípicos, devido à sua melhor tolerabilidade e efeito terapêutico. Os mais usados em pediatria são a risperidona e a olanzapina. No entanto, não estão livres de efeitos secundários significativos. Por exemplo, a síndrome metabólica, que geralmente se apresenta com os subsequentes ganho de peso e resistência à insulina. Neste sentido, tem maior risco a olanzapina e, em segundo lugar, a risperidona. Esta última produz, ainda, aumento da prolactina com a consequente galactorreia.

Os neurolépticos atípicos precisam de um visto na Andaluzia. O visto responde exclusivamente à necessidade de controlar os gastos com medicamentos, ainda que até agora sempre se tenha respeitado a prescrição médica, se for suficientemente justificada.

Ultimamente, frente aos efeitos secundários descritos ou, especialmente, nos casos em que não têm efeito terapêutico, se está precrevendo alternativamente o aripiprazol, com bons resultados em casos de agressão nos TGD e nos transtornos de conduta. Da mesma forma, o ganho de peso e a prolactina são significativamente mais baixos do que com a olanzapina e risperidona. Considerando que estamos falando de tratamentos de longo prazo, a prevenção de obesidade, síndrome metabólica e diabete é evidente.

E agora a notícia: Algumas áreas hospitalares e distritos de saúde da Almería estão se recusando a aceitar o visto. Dizem aos pais que, uma vez que não é experimentada para determinadas idades, será uma comissão em Sevilha que decidirá. No entanto, isso é incompreensível e incerto, já que praticamente todos os neurolépticos atípicos, não têm essa indicação. Acontece que não há dinheiro na Andaluzia para os remédios - deveriam dizer aos pais: A mentira tem pernas muito curtas.

NEUROLÉPTICOS Y AUTISMO: UNA EXTENSA INTRODUCCIÓN PARA UNA REDUCIDA NOTICIA
http://paidopsiquiatria.com/?p=958


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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Falta de medicamentos em Salvador e São Paulo

Em 25 de abril último, a Rede Bahia exibia reportagem sobre a falta de medicamentos psiquiátricos nos CAPS (Centros de Atendimentos Psicossocial) de Salvador.

A Associação Metamorfose Ambulante, que reúne familiares e pacientes com transtornos mentais, já comunicou os problemas ao órgão e aguarda providência. "Não estão tendo vida digna, não tem remédio, não tem segurança. Aqui ao lado os usuários de crack utilizam a droga. Tem que mudar essa história da saúde mental", explica Girlene Almeida, representante da Associação Metamorfose Ambulante.

Segundo Célia Rocha, coordenadora da Saúde Mental de Salvador, no processo de contenção de despesas, foi diminuída a cota de combustíveis para os serviços, mas as visitas foram mantidas e que há agendamento para as visitas porque o número de psiquiatras é insuficiente.

Em São Paulo, a Clozapina, única opção de tratamento para pacientes com esquizofrenia do tipo refratária e fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde, está em falta para os 66 pacientes atendidos pelo Programa de Esquizofrenia (Proesq) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Em fevereiro, o ex-comerciário Fábio Roberto Oliveira Modesto, 31, enforcou-se após mais uma forte crise do distúrbio psiquiátrico. Ele sofria de esquizofrenia e dependia da medicação distribuída gratuitamente pelo governo do Estado.
A última vez que ele conseguiu obter a caixa do remédio Olanzapina 10 mg, cuja caixa dura um mês, foi no dia 10 de outubro.

Pacientes psiquiátricos têm dificuldades de atendimento na Bahia
http://g1.globo.com/bahia/noticia/2011/04/pacientes-psiquiatricos-tem-dificuldades-de-atendimento-na-bahia.html


Remédio contra a esquizofrenia está em falta em São Paulo
http://www.espacoholos.com.br/noticias_interna.aspx?id=664


Falta de Zyprexa® (Olanzapina 10 mg) na Farmácia do Estado da Bahia leva paciente a morte segundo a mãe do paciente, Idália Oliveira Modesto, 54
http://cidadaniatransparencia.blogspot.com/2011/03/falta-de-zyprexa-olanzapina-10-mg-na.html


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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Fármaco desenvolvido para tratar a tuberculose pode ser nova arma contra autismo

| RCM Pharma | 2010-12-09 |

Investigadores da Eastern Virginia Medical School identificaram uma possível nova estratégia de tratamento para o comprometimento social em pessoas com a desordem de espectro autista. Um fármaco desenvolvido para tratar a tuberculose transforma ratos anti-sociais em ratos que interagem com outros, avança o site Ciência Diária.

“Pessoas com a desordem de espectro autista são tanto desinteressadas em relação a interacções sociais ou as consideram desagradáveis”, explica Stephen Deutsch, professor de psiquiatria e ciências do comportamento. “Infelizmente, pessoas com a desordem de espectro autista são muitas vezes sofredoras conscientes de sua sociabilidade limitada, o que pode levar a profundos sentimentos de tristeza e frustração”.

Na pesquisa, os cientistas verificam que uma cepa específica de ratos em um modelo válido de sociabilidade limitada – semelhante ao de pessoas com autismo – passava o mais longe possível de outros ratos, não interagindo como animais do grupo de controlo faziam. Então, os pesquisadores resolveram testar se um medicamento já existente poderia alterar a função de determinados receptores do cérebro que afectam a sociabilidade: a D-cicloserina, originalmente desenvolvida para tratar a tuberculose mas que, ao longo de testes, mostrou ser capaz de mudar o comportamento social de indivíduos.

Em estudos preliminares, a medicação pareceu ter resolvido os défices de sociabilidade de ratos “com autismo”. Os animais que receberam o tratamento passaram a ficar perto de outros. Isso deu à equipe a oportunidade de sugerir que talvez a terapia pudesse ser usada para facilitar também a sociabilidade em pessoas com autismo, que evitam tanto o contacto visual e físico, como a interacção.

Estes indivíduos podem ter a vida muito limitada, especialmente na questão “emprego”.“O que torna isso importante é que pode haver alguém com um QI de 125 ou 130 que está desempregado por causa de suas deficiências sociais”, ressalta Maria Urbano, também uma professora associada de psiquiatria e ciências do comportamento.

A equipe planeja agora um ensaio clínico piloto em pacientes adultos, adolescentes e crianças com autismo para avaliar a forma como o medicamento age em seres humanos. Já se sabe que a droga é segura. Portanto, pesquisadores devem agora observar se há efeitos similares sobre déficides de sociabilidade como ocorrido nos ratos.


Fármaco desenvolvido para tratar a tuberculose pode ser nova arma contra autismo
http://www.rcmpharma.com/news/11011/51/Farmaco-desenvolvido-para-tratar-a-tuberculose-pode-ser-nova-arma-contra-autismo.html

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domingo, 4 de julho de 2010

Nova droga pode vir a penetrar a mente autista

Poderiam pessoas autistas tomar uma pílula para melhorar suas habilidades sociais? Pela primeira vez, estão sendo testadas drogas que poderão tratar as dificuldades sociais associadas ao autismo e outras desordens de aprendizado ao otimizar alguns processos químicos do cérebro ao invés de amortecê-los.

A única medicação prescrita para pessoas autistas parece deprimir a agressividade e a ansiedade. As novas drogas, ainda num estágio inicial de testes clínicos, tratam alguns dos principais sintomas clássicos do autismo.

“As pessoas podem aprender mais, falar melhor, adquirir habilidades sociais e ser mais comunicativas”, diz Randall Carpenter, da Seaside Therapeutics, em Cambridge, Massachussets, onde uma das drogas está sendo testada.

Geraldine Dawson, chefe do Escritório de Ciências da associação Autism Speaks e psiquiatra da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, está igualmente entusiasmada com a perspectiva de uma nova classe de medicamentos. “Pela primeira vez estamos vendo drogas que podem melhorar sintomas principais do autismo”, ela comemora.

A pesquisa do Seaside é focalizada em uma desordem de aprendizado chamada de síndrome do X-frágil, que é associada ao autismo. Pessoas com essa síndrome têm uma mutação em um gene envolvido com o reforço das conexões cerebrais associadas a experiências memoráveis. Com conexões cerebrais mais fortes, as pessoas podem distinguir esses eventos dos ruídos de fundo, fazendo disso um processo chave na aprendizagem.

Carpenter e seus colegas estão testando uma droga chamada arbaclofen, que parece reverter os efeitos da mutação. No Encontro Internacional para Pesquisa do Autismo, em Filadélfia, Pensilvânia, em 23 de maio de 2010, apresentaram resultados iniciais, sugerindo que a droga pode melhorar as habilidades sociais de pessoas com X-frágil e autismo, incluindo melhoras na comunicação e na sociabilidade em geral, e menos impulsos.

A pesquisa do Seaside não é a única tentativa de alterar a química do cérebro de pessoas autistas. O hormônio oxitocina, também conhecido como a substância do amor, ao dar sensações de prazer, nos ajuda a termos contatos sociais, sendo que algumas pessoas autistas produzem menos dele. Muitas equipes estão buscando aumentar a oxitocina para diminuir os sintomas do autismo.

No Encontro em Filadélfia, uma equipe chefiada por Evodokia Anagnostou, uma neuropediatra do Instituto de Pesquisa Bloorview, em Toronto, Canadá, relatou que pessoas às quais foi dado o hormônio duas vezes por dia durante seis semanas foram melhores no reconhecimento de emoções e no funcionamento social e tiveram melhor qualidade de vida que aquelas que receberam placebo.

Tentar alterar a química cerebral priorizando os comportamentos autistas nunca tinha sido tentado desta forma, comenta Uta Frith do University College de Londres. “Se eles conseguirem, será maravilhoso”. Mas ela explica que nenhuma droga mostrou que trabalhava melhor que a intervenção comportamental e que muitas causas do autismo permanecem profundamente misteriosas.

Carpenter pontua que as intervenções comportamentais não funcionam para todos e que ambas as abordagens podem ser úteis. Se este tratamento se consolidar, os pais vão abraçá-la.

Drug could get into the autistic mind
| New Scientist | 29 maio 2010 | Tradução Argemiro Garcia |


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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Haloperidol causa encolhimento temporário do cérebro

Pesquisa publicada na revista Nature concluiu que o haloperidol reduz temporariamente o tamaho de uma região do cérebro responsável pelo controle do movimento e da coordenação, causando efeitos colaterais como tremores, babação e a síndrome da perna inquieta (restless leg syndrome).

Apenas duas horas depois de receber uma injeção do medicamento, voluntários saudáveis experimentaram prejuízos nas suas habilidades motoras que coincidiram com uma diminuição no volume da matéria cinzenta do corpo estriado (striatum).

Clare Parish, do Howard Florey Institute, afirmou ser estarrecedor constatar que houve um remodelamento do corpo estriado em tão curto período. E acrescentou: "nosso ponto de vista é que apenas mudanças químicas aconteceriam em tão curto período de tempo".

Com imageamento de ressonância magnética funcional (fMRI) os autores observaram a diminuição do corpo estriado dos voluntários e mudanças na estrutura do circuito motor de seus cérebros. Além disso, seu tempo de reação em um teste de computador feito depois do tratamento caiu, indicando o começo dos lapsos no controle motor que afeta muitos pacientes sob efeito de antipsicóticos.

O haloperidol tem vários efeitos colaterais, mas muitos são menores e diminuem com algumas semanas do tratamento começado. Com poucas alternativas melhors, os psiquiatras têm prescirto a droga por mais de 40 anos para tratar pessoas com alucinações, delírios, ilusões e hiperatividade.

O haloperidol, como muitos antipsicóticos, bloqueia o receptor D2, que é sensível à dopamina. A droga deprime a elevada atividade dopaminérgica que se acredita ser subjacente à psicose. Esses receptores são abundantes no corpo estriado, onde sua atividade regula a expressão dos genes.

Andreas Meyer-Lindenberg, professor de psiquiatria e psicoterapia da Universidade de Heidelberg, Alemanha, diz que esta é a mais rápida mudança no volume do cérebro já vista: "Outros estudos mostraram que outras regiões do cérebro mudam de volume em alguns dias, mas este ocorre em duas horas, e na metade do tempo ele salta para o volume anterior".

Com um dia, o cérebro dos voluntários volta quase até o volume original, após passado o efeito da droga o que, para Meyer-Lindenberg, reduz o receio de que haja destruição de neurônios: "Sabemos que não está matando os neurônios, porque o cérebro volta ao tamanho original", ele diz.

A equipe sugere que o haloperidol reduza o tamanho das sinapses. Meyer-Lindenberg especula que a mudança seja mediada pela proteína BDNF, nevolvida no crescimento das sinapses e que diminui em resposta ao tratamento com o antipsicótico em ratos.

Para Shitij Kapur, do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres, isso causará preocupações a algumas pessoas, mas as contrapõe lembrando que as mudanças parecem ser reversíveis e que a dose usada no experimento é maior que a usualmente receitada aos pacientes.

As descobertas também dão pistas do porquê pessoas com transtorno bipolar têm reduzida sua massa cinzenta em partes do cérebro depois de alterações maníacas do humor. Andrew McIntoshm da Universidade de Edinburgh diz que a conexão entre as variações de tamanho do cérebro e de um antipsicótico e a redução de massa cinzenta que ovservaram em pacientes esquizofrênicos e bipolares ainda é "um pouco incerta, mas este artigo definitivamente faz o tema merecer investigação".

Antipsychotic deflates the brain
http://www.nature.com/news/2010/100606/full/news.2010.281.html

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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pesquisa: alimentação não tem efeito sobre autismo

Alimentação não tem efeito sobre autismo, diz pesquisa
| UOL | 30/07/2009 |


Muitos pais colocam suas crianças autistas em dietas estritamente livres de glúten ou laticínios, convencidos de que problemas gastrointestinais são uma causa primária. Porém, um novo estudo sugere que as dietas complicadas podem não ser justificadas.

Pesquisadores da Mayo Clinic revisaram os registros médicos de mais de cem crianças autistas acima dos 18 anos, e os compararam a mais de 200 crianças sem a doença. Eles não encontraram diferenças na frequência geral de problemas gastrointestinais relatados pelos dois grupos, embora as crianças autistas sofressem com maior frequência de prisão de ventre e fossem comedores meticulosos (crianças muito exigentes em relação a sua comida), com maior dificuldade em ganhar peso.

O estudo, publicado na última segunda-feira no jornal "Pediatrics", é o primeiro a observar a incidência de problemas gastrointestinais numa população autista, segundo o primeiro autor do artigo, Samar H. Ibrahim, gastroenterologista pediátrico da Mayo Clinic.

"Até hoje, não existe um experimento provando realmente que uma alimentação livre de caseína e glúten melhore o autismo", disse Ibrahim. "As dietas não são fáceis de seguir e podem, algumas vezes, causar deficiências nutricionais".

O estudo descobriu que a maioria das crianças, autistas ou não, sofria de problemas gastrointestinais comuns como prisão de ventre, diarreia ou vômitos. A alimentação meticulosa também era comum.

Alimentação não tem efeito sobre autismo, diz pesquisa
http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=181783

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Maconha para autistas?

O Estadão (O Estado de São Paulo), publicou um artigo de Marie Myung-Ok Lee, professora da Universidade Brown, defendendo a discussão da descriminalização da maconha nos Estados Unidos.

Ela começa relatando que dá produtos à base de maconha para seu filho autista, sob supervisão médica, alegando que essas substâncias são muito menos agressivas ao organismo do garoto que outras drogas, consideradas lícitas, embora "tarja preta", como é o caso da risperidona.

Segue link para o artigo, enviado por Mariene:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090628/not_imp394250,0.php