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sábado, 23 de junho de 2012

Teresina: mãe denuncia parque de diversão por discriminação contra o filho autista

| Astrid Lages | Portal de A a Z | 22/6/2012 |

Mãe do garoto, Ivna Gadelha. Foto: Dantércio Cardoso.
O que era pra ser uma noite feliz entre arquiteta Ivna Gadelha e o filho de cinco anos se transformou em revolta para a mãe e decepção para o garoto. Ao visitar um parque de diversões instalado na zona Leste de Teresina ontem (21), ela viu seu próprio filho ser discriminado e retirado de um brinquedo, onde já estava sentado, pelo fato de ser autista. O empregado alegou que para poder usar a mini montanha russa, a mãe deveria pagar o ingresso de R$ 20 reais para a acompanhante, o que é ilegal.

A mãe do garoto registro Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia dos Direitos Humanos na manhã de hoje (22) e fez a denúncia ao Ministério Público Estadual (MPE/PI). A promotora de Justiça Myrian Lago afirmou que ainda nesta sexta-feira a diretoria do local será notificada a comparecer em audiência e prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.

Promotora Myriam Lago. Foto: Dantércio Cardoso.
Myriam afirmou que esse mesmo parque, que sempre vem à Teresina nesta época do ano, já foi denunciado em outras duas ocasiões, em 2010 e 2011. Há dois anos, uma criança com deficiência visual também teria passado pela mesma situação, de ser impedida de brincar. Já no ano passado, um funcionário teria dito para a mãe de um menino com paralisia cerebral que só permitiria que o mesmo usasse o brinquedo caso ela assinasse o termo de compromisso. No contrário ele “não se responsabilizaria” pelo que viesse a acontecer. Uma multa de R$ 5 mil foi aplicada e, no caso de Ivna, o valor deve ser maior, por conta da reincidência.

A promotora destacou que em casos como esses pode haver duas repercussões. Na esfera criminal, tendo como base o parágrafo 140, artigo 3°, do código penal, pode ser aplicada a composição de multa ou até mesmo o cumprimento de um a três anos de reclusão por injúria e discriminação. Outra repercussão esperada é a cível, onde cabe a aplicação de multa indenizatória. O pagamento poderá ser feito através de veiculação de mídia visando conscientizar a sociedade acerca do direito das pessoas com deficiência. “Nós iremos tomar todas as medidas necessárias. O que queremos com isso é garantir o direito dessa e outras crianças, além de advertir as pessoas para que esse tipo de coisa não aconteça mais”, destacou a promotora.

“Eu estou fazendo isso não só pelo meu filho, mas representando todas as mães de crianças autistas – ou não – que possam vir a ter que passar pelo que eu passei. A gente precisa conscientizar as pessoas”, esclareceu a arquiteta que também é presidente da Associação Casulo, que atende crianças com autismo.

Mãe denuncia parque de diversão por discriminação contra o filho autista
http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/245699_mae_denuncia_parque_de_diversao_por_discriminacao_contra_o_filho_autista.html


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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O potencial oculto das crianças autistas

O que os testes de inteligência podem mostrar quando se trata de autismo

| Rose Eveleth | Scientific American | 30/11/2011 |


Quando eu estava na quinta série, meu irmão Alex começou a corrigir a minha lição de casa. Isto não teria sido estranho, se ele não estivesse no jardim de infância e fosse autista. Essa desordem, caracterizada por comportamentos repetitivos e dificuldades com a interação social e a comunicação, tornava difícil para ele prestar atenção nos professores. Freqüentemente, era expulso da classe por não ser capaz de se sentar durante mais de alguns segundos de cada vez. Mesmo agora, quase 15 anos depois, ele apenas consegue rabiscar seu nome. Mas ele poderia olhar para minha página com palavras cuidadosamente escritas ou problemas de matemática e apontar quais estavam errados.

Muitos pesquisadores começam a repensar o quanto realmente se sabe sobre as pessoas autistas e suas habilidades e estão chegando à conclusão de que podemos estar subestimando o que são capazes de contribuir para a sociedade. O autismo é um espectro com duas extremidades muito diferentes. Em um extremo está o "alto funcionamento" de pessoas que muitas vezes têm empregos, amigos e podem se dar bem no mundo. Na outra, o "baixo funcionamento", é de pessoas que não conseguem administrar a vida por conta própria. Muitos são diagnosticados com retardo mental e devem ser mantidos sob cuidado constante. Mas esses diagnósticos se concentram no que as pessoas autistas não podem fazer. Agora, um crescente número de cientistas se volta para o que as pessoas autistas têm de bom.

Pesquisadores consideram, há muito tempo, que a maioria das pessoas com autismo são mentalmente retardadas. Embora os números citados variem, geralmente apontam para 70 a 80 por cento da população afetada. Mas quando Meredyth Edelson, pesquisadora da Universidade Willamette, foi buscar a fonte das estatísticas, ficou surpresa por não conseguir encontrar nada definitivo. Muitas das conclusões se baseavam em testes de inteligência, que tendem a superestimar a incapacidade nas pessoas autistas. "Nosso conhecimento é baseado em belos dados ruins ", ela diz.

Este potencial escondido foi recentemente reconhecido por Laurent Mottron, um psicólogo da Universidade de Montreal. Em um artigo publicado em 3 de novembro na revista Nature, ele conta sua própria experiência ao trabalhar com pessoas autistas de alto grau de funcionamento em seu laboratório, o que lhe mostrou o poder do cérebro autista, em vez de suas limitações. Mottron conclui que, talvez, o autismo não seja realmente de todo uma doença, mas talvez apenas uma maneira diferente de olhar o mundo que deve ser valorizada, em vez de vista como patologia.

Tendo crescido com dois irmãos autistas - Alex, quatro anos mais novo que eu, e Decker, que tem oito anos a menos - as conclusão de Mottron me parecem verdadeiras. Como eu os assisti a percorrer as escolas públicas, tornou-se muito claro que havia uma grande diferença entre o que os professores esperavam deles e o que poderiam fazer. Claro, o autismo os limitava de certa forma, o que muitas vezes tornava a escola difícil; no entanto, também parecia lhes dar novas e úteis formas de ver o mundo, o que muitas vezes não aparece nos testes de inteligência normais.

Isso é porque o teste de inteligência em pessoas autistas é difícil. A pessoa média pode se sentar e fazer um teste administrado oralmente, cronometrado, sem grandes problemas. Mas para uma pessoa autista com capacidade de linguagem limitada, que pode facilmente se distrair com informações sensoriais, essa tarefa é muito difícil. O mais comum dos testes de inteligência normalmente administrados, a Escala Wechsler de Inteligência para Crianças (Wechsler Intelligence Scale for Children - WISC) parece quase destinada a reprovar uma pessoa autista: é um teste completamente verbal, cronometrado, que depende fortemente de conhecimento cultural e social. Ele pergunta coisas como "Qual é a coisa a fazer se você encontrar um envelope na rua, que é selado, endereçado e tem um selo colado?" ou "O que fazer se cortar seu dedo?"

Este ano Decker foi reprovado em um teste muito parecido com o WISC. A cada três anos, à medida que avança pelo sistema de ensino público, seu progresso é reavaliado como parte de seu Plano de Educação Individualizada, um conjunto de orientações destinadas a ajudar as pessoas com deficiência a alcançar seu objetivo educacional.

Este ano, como parte do teste, a mulher que lhe aplicava o teste lhe perguntou: "Você descobre que alguém vai se casar. O que é uma questão apropriada para lhes perguntar?"

A resposta do meu irmão: "Que tipo de bolo vocês terão?"

A aplicadora balançou a cabeça. “Não”, ela disse, “isso não é uma resposta correta. Tente novamente”. Ele franziu a testa da maneira que nós aprendemos a ser cautelosos - é a expressão que ele mostra um pouco antes de entrar em colapso e disse: "Eu não tenho outra pergunta. Isso é o que pergunto." E foi isso. Ele não iria dar-lhe outra resposta, e ela não iria avançar sem uma. Ele falhou na questão e nunca terminou o teste.

Um teste não precisa ser assim. Outras medidas, como as Matrizes Progressivas de Raven (Raven's Progressive Matrices) ou o teste de inteligência não-verbal (Test of Nonverbal Intelligence - TONI), evitam essas dificuldades comportamentais e de linguagem. Eles pedem às crianças que completem desenhos e padrões, com instruções não-verbais, na sua maioria. E ainda assim não são usados muitas ve\es.

Uma criança média, seja verbal ou não verbal, vai pontuar o mesmo percentil para estes testes. Mas uma criança autista não. Isabelle Soullieres, pesquisadora da Universidade de Harvard, fez, com um grupo de autistas, tanto o WISC quanto o teste de Raven, para medir a diferença entre os dois grupos. Embora já esperasse uma diferença, ficou surpresa com o quão grande ela foi. Em média, os alunos autistas foram 30 pontos percentuais melhor no teste de Raven do que no WISC. Algumas crianças saltaram 70 pontos percentuais. "Dependendo de qual teste você usa, você tem uma imagem muito diferente do potencial das crianças", diz ela. Outros estudos têm confirmado essa lacuna, embora tenham encontrado uma menor diferença entre os testes.

As crianças autistas de "alto funcionamento", com a versão menos grave da deficiência, não foram as únicas a ter a pontuação mais elevada. Soullieres realizou um estudo recentemente em uma escola para crianças autistas consideradas intelectualmente deficientes. Utilizando o teste de Raven, descobriu que cerca de metade delas pontuavam na faixa média da população em geral. "Para muitos daqueles que são considerados de baixo funcionamento, se lhes forem dados outros testes de inteligência, será encontrado um potencial escondido", diz ela. "Eles podem resolver problemas muito complexos, se você lhes der material com que possam otimizar o processo."

O que isto significa, diz ela, é que as escolas estão subestimando as habilidades de crianças autistas em todas as faixas do espectro. O uso difundido do WISC nas escolas tem ajudado a definir expectativas muito baixas para crianças autistas, assumindo que não serão capazes de aprender as mesmas coisas que a criança média. Com base nos resultados de testes, as pessoas chegam à conclusão de que as crianças autistas não conseguem aprender, quando talvez não aprendam da mesma maneira que as outras pessoas.

O potencial oculto de pessoas autistas parece cair em certas áreas - tarefas que envolvem reconhecimento de padrões, raciocínio lógico e escolha de irregularidades nos dados ou argumentos. Soullieres descreve o trabalho com uma mulher autista em seu laboratório, que pode apontar a menor falha na lógica. "No começo, nós argumentamos com ela", Soullieres ri, "mas quase sempre, ela está certa, e nós, errados."

Reconhecer esses talentos, ao invés de deixá-los de lado para focar as dificuldades do autismo, poderia beneficiar não apenas as pessoas autistas, mas as outras também. Mottron registra quanto sua ciência melhorou quando começou a trabalhar com parceiros de laboratório autistas. Tenho notas muito mais altas no meu dever de casa do que teria sem Alex, apesar de suas correções serem por vezes irritantes. E muitos pensam que seu potencial se estende além da ciência, até as outras profissões, se lhes for dada uma chance.

Só porque um teste diz que alguém tem potencial, isso não significa que é fácil de perceber. Professores de meu irmão Decker estão convencidos, e os testes confirmam - que ele tem um potencial oculto. Mas, na sala de aula, muitas vezes ele se perde ao tentar ouvir instruções e fica frustrado ao tentar acompanhá-los. "Não quer dizer que é fácil na vida cotidiana, ou que é fácil para os pais ou professores", diz Soullieres. "Mas isso mostra que eles têm esse potencial de raciocínio. Talvez tenhamos de começar a ensiná-los de um jeito diferente e parar de supor que não vão aprender."

Mais e mais pessoas estão começando a imaginar que jóias podem estar escondidas no cérebro autista. E, se meus irmãos servem de referência, se continuarmos a olhar, vamos encontrá-las.

The Hidden Potential of Autistic Kids
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=the-hidden-potential-of-autistic-kids


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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Pronunciamento da Deputada Rosinha da Adefal sobre a "Casa dos Autistas"

Pronunciamento da Deputada Rosinha da Adefal sobre o vídeo que vem circulando pelo youtube, da MTV, intitulado como "Casa dos Autistas"

Rosinha da Adefal (Associação de Pessoas com Deficiência de Alagoas) é deputada federal

Como Presidenta da Frente Parlamentar do Congresso Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, aderi ao abaixo assinado contra o programa "Casa dos Autistas" e me coloco à disposição do Movimento de Inclusão Social das Pessoas com Deficiência para facilitar o encaminhamento de qualquer requerimento, representação ou outros encaminhamentos necessários à devida reprimenda desta conduta discriminatória.

Entendo que além da comunicação aos órgãos públicos competentes para as medidas cabíveis,é igualmente importante que seja comunicado o Ministério Público, que além de investigar o caso podeajuizar ação civil pública com pedido de indenização por danos morais causados à coletividade. Na atualidade, é incabível a veiculação de programas que, com a suposta intenção de divertir, depreciam e ridicularizam a imagem das pessoas com autismo, ou com qualquer outra deficiência.

Comunico, por fim, que o fato foi incluído como ponto de pauta da próxima reunião da Frente Parlamentar, a ser realizada ainda esta semana, e que os deputados e senadores integrantes foram comunicados do ocorrido por email, para que possam se pronunciar, elaborar notas de repúdio e aderir às mais diversas formas de demonstração de reprovação ao fato.

Um bom dia para todos.

Cordialmente.

Rosinha da Adefal
Deputada Federal por Alagoas

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Comédia MTV desrespeita pessoas autistas


Sob o pretenso objetivo de fazer rir, a MTV veiculou, no dia 22 de março próximo, um quadro chamado "Casa dos Autistas", dentro de seu programa "Comédia MTV".

As imagens exibidas causaram dor e revolta em familiares de pessoas autistas e nelas mesmas. Serem retratados como pessoas sem sentimento, sem habilidades, sem capacidade alguma de compreensão da relaidade já é corriqueiro para nossos amigos e filhos autistas, mas fazer uso de imagens preconceituosas, apresentando-os gritando e babando só vem reforçar os estereótipos muito distantes da realidade.

A MTV é uma emissora voltada para o público jovem, pretensamente "descolado", que acaba por reproduzir as ideias, imagens e bordões nela apresentados. Fazer esse quadro, da forma que foi feito, acaba por fortalecer preconceitos e induzir a juventude ao abuso e assédio moral de pessoas verdadeiramente autistas e de outras que, por qualquer motivo, tenham comportamento retraído ou alguma dificuldade de aprendizagem, relacionamento ou comunicação.

Após verem as imagens do Comédia MTV, agora hospedadas no youtube por um grupo de jovens, vários familiares tomaram iniciativas variadas de crítica. Um dos principais alvos no Twitter acabou sendo o humorista Marcelo Adnet, através do seu perfil @marceloadnet0, que argumentou ter discordado do quadro, do qual só participou imitando Sílvio Santos, como seu apresentador.

Para ver mais, acesse:
Blog Conversando sobre inclusão, de Barbara Parente:

Vídeo a Casa dos Autistas da MTV.
http://barbaraparente.blogspot.com/2011/04/video-casa-dos-autistas-da-mtv.html


Marcelo Adnet se desculpa por fazer piada com autistas na TV
http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/marcelo-adnet-se-desculpa-por-fazer-piada-com-autistas-na-tv-20110424.html


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terça-feira, 15 de março de 2011

Polícia da Nova Zelândia bate em autista

| Amelia Wade | NZ Herald | 9/3/2011 |

Dois policiais são acusados de bater em um jovem autista que "parecia estar saqueando".

Cornelius Arie Smith-Voorkamp, 25, foi preso por roubar duas lâmpadas e uma velha luminária em uma casa danificada pelo terremoto em Christchurch. Na noite de sua prisão, ele apanhou de dois policiais e foi humilhado por pessoal do exército, diz seu advogado.

Um porta-voz da polícia neozelandesa diz que uma investigação está sendo realizada.

Cornelius está com um olho roxo há mais de uma semana. Simon Buckingham, seu advogado, diz que seu cliente, com síndrome de Asperger, e um outro homem foram presos por saque e espancados. Houve ainda humilhação verbal.

- "O que posso lhes dizer? Eles gostam de bater em pessoas autistas ou em pessoas claramente com deficiência?" O advogado, que também é autista, diz que não há como seu cliente ter motivado os policiais a usar a força e que ele atendeu a todas as suas ordens.

- "Ele fez tudo como conta, por causa de seu autismo. Ele é cooperativo. Se tivessem dito 'fique parado', ele teria ficado parado. Se tivessem dito 'ponha as mãos sobre a cabeça', ele teria posto as mãos sobre a cabeça."

Diz ainda que Cornelius reitera que os dois policiais são "duas maçãs podres".

Um juiz, no dia 8 de março último, libertou-o sob fiança. Cornelius se diz "cheio de remorsos" pelo que fez, mas que não sabia, na ocsião, que se tratava de um ato fora da lei. Seu advogado explica:

- "ele não pretendia cometer um crime, mas por anos esteve visitando prédios abandonados, pedindo permissão para entrar e pegando as luminárias, por causa de uma verdadeira fixação m ser um eletricista."

Sua irmã Shannen Davis se diz revoltada com a brutalidade usada pela polícia, mas que está aliviada em vê-lo fora da cadeia. Considera que os policiais deveriam ter percebido que não se tratava de um criminoso perigoso e não usar de violência.

Seu advogado acredita que ele foi preso por policiais australianos, mas o porta-voz da polícia diz que eles eram neozelandeses.

Christchurch looting case: Cops accused of bashing
http://www.nzherald.co.nz/nz/news/article.cfm?c_id=1&objectid=10711038


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quinta-feira, 3 de março de 2011

O falso autista do filme Amargo Pesadelo

Circula reiteradamente pela internet o spam abaixo.

CENA QUE MARCOU O FILME

O filme Amargo Pesadelo estava sendo rodado no interior dos Estados Unidos. O diretor fez a locação de um posto de gasolina nos confins do mundo, onde aconteceria uma cena entre vários atores contracenando com o proprietário do posto onde ele também morava com sua mulher e filho. Este último autista e nunca saía do terreno da casa.

A equipe parou no posto de gasolina para abastecer e aconteceu a cena mais marcante que o diretor teve a felicidade de encaixar no filme.

Num dos cortes para refazer a cena do abastecimento, um dos atores que sendo músico sempre andava acompanhado do seu instrumento de cordas aproveitando o intervalo da gravação e já tendo percebido a presença de um garoto que dedilhava um banjo na varanda da casa aproximou-se e começou a repetir a sequência musical do garoto.

Como houve uma 'resposta musical" por parte do garoto, o diretor captou a importância da cena e mandou filmar. O restante vocês verão no vídeo.

Atentem para alguns detalhes:

- O garoto é verdadeiramente um autista;
- ele não estava nos planos do filme;
- A alegria do pai curtindo o duelo dos banjos... dançando
- A felicidade da mãe captada numa janela da casa;
- A reação autêntica de um autista quando o ator músico quer cumprimentá-lo.

Vale a pena o duelo, a beleza do momento e, mais que tudo, a alegria do garoto.

A sua expressão. No início está distante, mas, à medida que toca o seu banjo, ele cresce com a música e vai se deixando levar por ela, até transformar a sua expressão num sorriso contagiante, transmitindo a todos a sua alegria.

A alegria de um autista, que é resgatada por alguns momentos, graças a um violão forasteiro. O garoto brilha, cresce e exibe o sorriso preso nas dobras da sua deficiência, que a magia da música traz à superfície.

Depois, ele volta para dentro de si, deixando a sua parcela de beleza eternizada "por acaso" no filme "Amargo Pesadelo" (Ano: 1972).


EXPLICAÇÃO:

Amargo Pesadelo (Deliverance) é um filme de 1972 dirigido por John Boorman, baseado no romance de mesmo nome escrito por James Dickey. O escritor aparece no filme, no papel de um xerife.

A cena do Duelo de Banjos não é "real". O jovem (na época, com 16 anos) Billy Redden foi escolhido na sua escola, Clayton Elementary School, devido a sua aparência, mas não é autista, nem tem qualquer outra deficiência. Ele não sabia tocar banjo e, assim, foi usado um truque de filmagem - um músico se posicionou atrás dele e tocou o banjo por dentro das mangas de sua camisa. Foi usada maquiagem para fazê-lo parecer mais "esquisito". Além disso, a cena estava nos planos do filme, pois o personagem Lonnie, com deficiência intelectual, está presente no livro que inspirou o filme.

A wikipedia o apresente como um ator americano, mas Billy trabalha na lanchonete em que é um dos proprietários em sua cidade natal, Clayton, na Geórgia.

Jon Voight, que atuou no filme, o descreveu como tendo "um desequilíbrio genético" e sendo um "camarada muito falante".

Somente em 2003 Redden reapareceu em um filme, Peixe Grande "Big Fish", de Tim Burton. Em 2004, apareceu no programa Blue Collar TV.

Por favor, divulgue esta informação, para tentarmos minimizar o impacto negativo que tem a ideia de que todo autista é "superdotado".

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Perdeu o cargo ao chamar ministra de "meio autista"

O sociólogo Emir Sader tinha sido indicado para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa. Entrevista à Folha de S. Paulo publicou que ele teria dito que os problemas estão estourando na mão da ministra Ana de Hollanda "porque ela fica quieta, é meio autista".

Como resultado, sua nomeação foi revertida.

Em matéria publicada na Rede Brasil Atual (1) e no seu blog Carta Maior (2), Emir Sader acusou a Folha (3) de querer impedir o pensamento plural e o livre debate.

Em artigo provocativo, Elio Gaspari tentou desmoralizar Emir Sader.

Ana de Hollanda é "meio autista", diz Emir Sader

| FOLHA DE SÃO PAULO | 27/02/2011 - 08h00|


Prestes a ser nomeado para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa, o sociólogo Emir Sader afirmou em entrevista à Folha que a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, é "meio autista".

Ao comentar a situação orçamentária do ministério, Sader disse: "Tem o corte, o orçamento é menor, e tem dívidas. Desde março não se repassou nada aos Pontos de Cultura. Teve uma manifestação em Brasília. Está estourando na mão da [ministra] Ana [de Hollanda] porque ela fica quieta, é meio autista".

Antes de mesmo de ter oficializada sua nomeação, Sader causou polêmica no meio intelectual ao expor seus planos para a "Casa Rui", como é conhecida a instituição, vinculada ao ministério da Cultura e tradicionalmente voltada para a preservação e o acervo de intelectuais brasileiros, de Rui Barbosa a Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Vinicius de Moraes.

Atualmente são 123 os acervos guardados na casa, que também realiza estudos nas áreas de história da cultura, direito e políticas culturais.

Sua intenção é levar para a casa as discussões sobre o que chama de "o Brasil Para Todos", citando o slogan do governo Lula. Segundo disse à Folha, as pesquisas da casa "não é potencializado, não tem temas de muita transcendência".

Suas ideias foram prontamente rebatidas por intelectuais, que viram nas propostas sinais de aparelhamento petista, desconhecimento das atividades da casa e desvirtuamento da vocação da instituição, com a adoção de uma linha de pensamento que o crítico literário Luiz Costa Lima chama de "marxismo parnasiano".

A Ilustríssima deste domingo traz reportagem de Marcelo Bortoloti e Paulo Werneck, com novas declarações de Emir Sader, as reações no meio intelectual e um retrospecto das atividades da Casa Rui.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/881609-ana-de-hollanda-e-meio-autista-diz-emir-sader.shtml

Ministra da Cultura cancela nomeação de Emir Sader

| G1 | 02/03/2011 |


Sociólogo seria nomeado presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Em nota, Ana de Hollanda informa que novo nome será anunciado em breve.

Do G1, em Brasília

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, informou em nota, nesta quarta-feira (2), que o sociólogo Emir Sader não vai mais assumir a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa. A ministra desistiu de nomeá-lo depois que o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem em que Sader teria chamado a ministra de autista.

Na nota, a ministra afirma que "o senhor Emir Sader não será mais nomeado presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa. O nome do novo dirigente será anunciado em breve". Sader foi indicado por setores do PT para assumir o posto, mas a nomeação ainda não havia sido publicada no "Diário Oficial da União".

Segundo trecho da reportagem publicada no jornal "Folha de S.Paulo", ao comentar a situação orçamentária do Ministério da Cultura, Sader disse: "Tem o corte, o orçamento é menor, e tem dívidas. Desde março não se repassou nada aos Pontos de Cultura. Teve uma manifestação em Brasília. Está estourando na mão da [ministra] Ana [de Hollanda] porque ela fica quieta, é meio autista".

Em seu blog, Sader afirmou que "as referências [na reportagem], antes de tudo à ministra da Cultura (...) apareceram de forma totalmente deturpada".

http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/03/ministra-da-cultura-cancela-nomeacao-de-emir-sader.html

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Rotulado trapaceiro

Um garoto autista dos Estados Unidos foi rotulado de "trapaceiro" pelo Xbox Live porque atingiu pontuação considerada "impossívelmente alta", de acordo com a Microsoft. Jennifer, sua mãe explica que ele consegue dominar os jogos em 3 ou 4 dias e que o Xbox Live lhe dá importante oportunidade de interação. Ela reclama:

-"Isso pode afetá-lo emocionalmente. Ser rotulado de trapaceiro, para ele, que é autista, é como um pecado". Jennifer pediu à Microdoft que retirasse o rótulo da conta de seu filho.

A Microsoft sugeriu que o menino ganhasse seus pontos de forma legítima e que a conta foi alterada para criar tais pontuações.

-"Confirmei que os pontos foram modificados ilegitimamente na conta e contatei diretamente o gerente", tuitou o gerente do Xbox Live, Stephen Toulouse.

Autistic boy branded a cheat for being too good at Xbox Live

Kimberley Smith | Mede for mums | 28/01/2011 |

http://www.madeformums.com/its-amazing/autistic-boy-branded-a-cheat-for-being-too-good-at-xbox-live/12456.html

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Maria do Rosário é nova secretária dos Direitos Humanos

| G1 e Zero Hora | 8/12/2010 |

A presidenta Dilma convidou a deputada federal gaúcha, Maria do Rosário, para assumir a Secretaria dos Direitos Humanos. Autora do capítulo dos Direitos Humanos do programa de governo de Dilma, a deputada era cotada para ocupar a pasta desde as eleições.

Convocada para uma conversa com a presidenta, Maria do Rosário ouviu:

- "Maria, tenho uma missão para ti. Quero que tu coordenes a política de direitos humanos do meu governo. Quero um cuidado especial com as crianças."

A deputada petista aceitou o desafio prontamente:

- "Aceito como uma das missões mais importantes da minha vida".

Em meio à conversa, que durou cerca de uma hora, Dilma afirmou-lhe que vinha acompanhando sua atuação na área e que a questão de gênero também pesou na decisão de convocá-la. Defensora do polêmico programa de direitos humanos do PT, que, entre outros pontos, apoia a legalização do aborto, Rosário preferiu não adiantar qual postura deve adotar à frente do ministério antes de conversar com a futura chefe, com quem ficou de conversar sobre as diretrizes para os direitos humanos nos próximos dias, após Dilma concluir o tabuleiro de xadrez dos ministérios.

Relatora da CPI mista do Congresso que investigou, ao longo de dois anos, a exploração sexual de crianças e adolescentes, Rosário antecipou que uma de suas principais metas no comando da pasta será desenvolver ações integradas com os ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social para combater a mazela.

Maria do Rosário (PT-RS) iniciou sua militância no movimento estudantil secundarista. Foi vereadora em Porto Alegre por dois mandatos (1993-1999), tendo presidido as comissões de Educação e de Direitos Humanos, além de ser líder do PT e do governo municipal na Câmara.

É formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É especialista em estudos sobre violência doméstica pelo Laboratório de Estudos da Criança da Universidade de São Paulo (Lacri/USP). Também pela UFRGS, é mestre em educação e violência infantil.

Como deputada estadual (1999-2003), foi presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e vice-presidente da Assembleia Legislativa gaúcha por dois anos. Em 2002, foi eleita deputada federal, sendo reeleita em 2006.

No Congresso Nacional, foi relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou as redes de exploração sexual de crianças e adolescentes. Representou a Câmara na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos durante o regime militar e foi presidente da Comissão Especial da Lei Nacional da Adoção.

Desde 2003, coordena a Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Foi vice-presidente das Comissões de Direitos Humanos e Minorias, e
Educação e Cultura. Em 2009, presidiu a Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, tendo se destacado, entre tantos temas, por coordenar uma série de debates em todo o Brasil sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020).

É integrante da direção nacional do PT. Em 2008, Maria do Rosário foi candidata à prefeita de Porto Alegre, mas foi derrotada no segundo turno por José Fogaça (PMDB).

Atualmente, é vice-líder da bancada do PT na Câmara Federal, membro titular da Comissão de Educação e Cultura, e suplente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, e da Comissão Mista de Orçamento.

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Pol%EDtica&newsID=a3135558.xml

http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/12/maria-do-rosario-e-escolhida-para-secretaria-de-direitos-humanos.html

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domingo, 23 de maio de 2010

Por que chora Yvonne?

Ao abrir a porta do quarto de hotel, a polícia do País de Gales, alertada peloa família de Yvonne Freaney encontrou uma cena tristemente macabra. Há dois dias essa mãe segurava a mão de seu filho morto, um garoto autista de 14 anos. Apontada como a causadora da morte de seu filho Glen, Yvonne apenas disse aos policiais:

-"Agora, ninguém pode mais ficar apontando o dedo para ele."

Cansada de ver o filho ser vítima de abusos e humilhações por outras crianças e jovens, abalada pela recente separação, aparentemente ela optou por dar um fim à situação pela forma mais dolorosa, mas a polícia prossegue nas investigações.

Britânica é acusada de matar filho autista de 11 anos
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,britanica-e-acusada-de-matar-filho-autista-de-11-anos,553755,0.htm


What could have driven Yvonne Freaney to murder her son?
http://www.telegraph.co.uk/health/7737773/What-could-have-driven-Yvonne-Freaney-to-murder-her-son.html


Mother charged with murder of disabled son, 11
http://www.guardian.co.uk/uk/2010/may/17/murder-of-boy-11-mother-charged


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terça-feira, 20 de abril de 2010

Os perigos da Medicina das Celebridades

| Robin Hausman Morris | Examiner | 12/06/2009 |
Traduzido por Argemiro Garcia

(Originalmente escrito para a Autism Science Foundation)

Estou preocupada com o fenômeno da medicina das celebridades. Diariamente, mais um ator ou comediante se posiciona a respeito de danos vacinais. A ideia de uma formação obtida na "Universidade Google" está ficando velha. Não apenas tediosa, ela é perigosa. Talvez os cuidados médicos estejam sendo postos em xeque nos Estados Unidos, mas esta epidemia tem outra postura.

A Dra. Virgínia Keane, presidente da Academia de Maryland de Pediatria (Maryland Academy of Pediatrics), disse ao jornal Baltimore Sun que "estamos na borda de uma crise, em relação às vacinas". Ela declarou que "as celebridades espalham falsas acusações de perigo, perpetuando o mito de uma relação de causa e efeito entre vacinas e autismo. Quando a ciência não apoia suas afirmações, acusam a comunidade médica pediatra de estar no bolso das companhias produtoras de vacinas, de fazer grandes concessões e receber pequenos presentes para dar sustentação às vacinas”.

Não tenho dúvida alguma de que, em todas as comunidades, seja financeira, médica ou educacional, em cada setor das relações humanas, haja pessoas de mau caráter. Não obstante, quando as celebridades "acusam", passamos a ser vítimas de nossas próprias vulnerabilidades. Insisto: quem será o próximo acusado, e porque ainda estamos lhes dando ouvidos?

Continuo firme em meu interesse nos perigos da "medicina das celebridades". Se são as vacinas hoje, o que estará na loja amanhã? - eu pergunto. Esta não é uma pergunta retórica. Quando as bofetadas da mídia são justificáveis? O ator Dennis Quaid tem todo o direito de lutar por diretrizes hospitalares mais específicas para as dosagens medicinais. Seus gêmeos receberam uma dose maciça e exagerada de um afinador de sangue. Sua cruzada foi justificada e certamente vantajosa para a proteção pública. Não houve nenhum debate. Quaid não se posicionou como médico ou cientista. Os fatos falaram por si.

Entretanto, as águas se turvam quando o pânico é promovido por garotas da Playboy e por oportunistas fazendo carreira... e a ironia é que acredito que elas amem suas crianças. Simplesmente, os efeitos intoxicantes da atenção mundial parecem dotá-las de uma "proteção" para a prudência. Tristemente, ser o centro das atenções é uma espada de dois gumes. Ele nos dá o prazer do entretenimento, mas canoniza os participantes. Mesmo que nós, como povo, tenhamos essa vocação para a idolatria, ela deve se restringir às idiossincrasias da cultura Pop, não às perigosas percepções e equívocos da vida.

http://www.examiner.com/x-3565-Autism--Parenting-Examiner~y2009m6d12-The-Dangers-of-Celebrity-Medicine

The Dangers of Celebrity Medicine

I wrote this piece for the Autism Science Foundation .

Robin Hausman Morris

I have been worried about the phenomenon of celebrity medicine. Every day, another actor or comedian takes a position on vaccine injury. The notion of an education procured at the “University of Google” is getting old. Not only is it tedious, it’s dangerous. Perhaps health care is being tested in this country, but this epidemic takes on quite another posture.

Dr. Virginia Keane, President of the Maryland Academy of Pediatrics, tells the Baltimore Sun that “We are at the precipice of a crisis when it comes to vaccines.” Dr. Keane states: “Celebrities spread false accusations of danger, perpetuating the myth of a causal link between vaccines and autism. When science does not support their statements, they accuse the pediatric physician community of being in the pocket of the vaccine companies, accepting large grants and small gifts in exchange for our continued support of vaccines.”

I have no doubts that in all communities, financial, medical, educational and every sector of human relations that there are disingenuous characters. Nevertheless, when celebrities “accuse,” we are victims of our own vulnerabilities. I reiterate. Who will be the next subject for accusation, and why are we listening?

I remain steadfast in my concern about the dangers in “celebrity medicine.” It’s vaccines today, what’s in store for tomorrow, I ask. This is not a rhetorical question. When is media clout is justifiable? Actor Dennis Quaid had every right to fight for more stringent hospital guidelines regarding medicine dosage. His twins were given a massive overdose of a blood thinner. His crusade was justified and certainly a win-win for public protection. There was no debate. Quaid did not posture himself as a physician or scientist. The facts spoke for themselves.

However the waters are muddied when panic is fostered by Playboy centerfolds and various career seeking opportunists….and the ironic thing is that I do believe that they love their children. It’s simply that the intoxicating effects of world attention seem to endow them with a “shingle” for sage guidance. Sadly, the limelight is a double-edged sword. It gives us entertainment pleasure, yet canonizes the participants. Whether or not we as a people crave that need for idolatry, it should be relegated to the idiosyncrasies of pop culture, not life threatening perceptions and misconceptions.

http://www.examiner.com/x-3565-Autism--Parenting-Examiner~y2009m6d12-The-Dangers-of-Celebrity-Medicine


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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Autismo como um paradigma acadêmico

| TYLER COWEN | Tradução: Argemiro de Paula Garcia Filho |

Se você pensar em termos de História, talvez imagine que as faculdades e universidades americanas nunca tenham contribuído para o discurso racista. Mas Princeton e muitas outras instituições mantiveram de fora judeus, e defesas “acadêmicas” da escravidão, segregação e eugenia foram comuns até que mudanças sociais mais amplas tornaram tais pontos de vista inaceitáveis.
A triste verdade é que ideologias desumanizantes permanecem conosco na universidade moderna, embora com formas muito diferentes. Os principais exemplos incluem as inaceitáveis maneiras com que às vezes se fala e pensa sobre o espectro autista.
Há alguns anos, Michael L. Ganz, que ensina na Escola de Saúde Pública de Harvard, publicou um ensaio intitulado “Costs of Autism in the United States” (Custos do autismo nos Estados Unidos). Em nenhuma parte o ensaio avalia se as pessoas autistas trouxeram algum benefício à raça humana. Você pensaria em um ensaio equivalente, intitulado: “Custos dos nativos americanos”? Ganz pode pensar que o autismo é estritamente uma doença, mas nunca menciona ou refuta o fato de que um grande número de autistas rejeita essa visão e a considera ofensiva.
David Bainbridge é um anatomista veterinário da Universidade de Cambridge. Em 2008, publicou um livro pela Editora da Universidade de Harvard, “Beyond the Zonules of Zinn: A Fantastic Journey Through Your Brain” (Além das zônulas de Zinn: uma fantástica jornada através de seu cérebro). No livro, defende que aos autistas falta a qualidade da precaução humana, e comparou suas faculdades cognitivas desfavoravelmente às de macacos com lesões no cérebro. Deborah R. Barnbaum, filósofa da Universidade do Estado de Kent, escreveu um livro ironicamente intitulado “The Ethics of Autism”, Indiana University Press, 2008 (As éticas do autismo) em que pondera as implicações filosóficas do suposto fato de os autistas não poderem compreender a vida mental de outras pessoas, ainda que este resultado não se sustente experimentalmente e possa ser igualmente refutado por uma simples conversa com uma pessoa autista.
A questão não é focalizar a culpa nesses indivíduos em particular, porque estão afogados em idéias, atitudes e pressupostos comuns a uma estrutura maior. É perfeitamente possível que todos esses escritores sejam “gente boa” no sentido usual do termo, mas eles não sentem nenhum mal-estar ou hesitação em pintar tais retratos de outros seres humanos. A triste verdade é que, até que nós estejamos muito conscientes das implicações de nossas palavras, é muito fácil escorregar em maus hábitos e numa retórica danosa, mesmo no politicamente correto ano de 2009.
Citei alguns exemplos mais óbvios, mas as polarizações subjacentes estão enraizadas muito mais profundamente. Muitas pessoas nas faculdades estão cientes de como lidar com o autismo (e a síndrome de Asperger - vou me referir em geral ao espectro autista) em seus “programas de necessidades especiais”. A realidade mais complexa é que há muito mais autismo no ensino superior do que a maioria de nós imagina. Não são apenas os “estudantes com necessidades especiais” mas, também, os oradores das turmas, os professores da faculdade e até, às vezes, seus gestores.
Esta última frase não é algum tipo de humor barato sobre as muitas características disfuncionais do ensino superior. O autismo é descrito frequentemente como uma doença ou uma praga, mas quando chega à faculdade ou universidade americanas é, frequentemente, uma vantagem competitiva mais do que um problema a ser resolvido. Uma razão da universidade americana ser tão forte é porque mobiliza eficazmente forças e talentos de pessoas do espectro autista. Apesar de alguma retórica negativa, a realidade é que os autistas são muito bons para as faculdades e as faculdades são muito boas para os autistas.
O economista e Prêmio Nobel Vernon L. Smith, um antigo colega meu, é um exemplo dos mais conhecidos de um grande realizador do espectro autista. Vernon, em "Discovery: A Memoir" (Descoberta: uma biografia), atribui seu extremo foco, sua atenção ao detalhe e sua erudita persistência a ligação que tem com o espectro autista. Richard Borcherds, vencedor em 1998 da Medalha Fields de Matemática, foi diagnosticado como tendo síndrome de Asperger. Temple Grandin, que ensina Ciência Animal na Universidade do Estado de Colorado, é uma brilhante mulher autista cujas idéias revolucionaram a forma como os matadouros americanos tratam os animais. Há provavelmente muito mais exemplos, embora não reconhecidos. O consagrado pesquisador de autismo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, argumenta que os grandes realizadores autistas são, de longe, mais comuns do que a maioria das pessoas imagina, sobretudo na Matemática e na Engenharia. Ele ressalta o comportamento sistemático como uma importante habilidade cognitiva dos autistas.
Apesar da retórica comum, a cada ano os especialistas estão nos ensinando mais sobre as capacidades cognitivas do espectro autista. Nos anos 60, a visão comum era que, à exceção de alguns savants, a maioria das pessoas autistas eram incapacitadas intelectualmente (“retardado mental” era o termo mais do que infeliz), e em certa medida esse estereótipo persiste hoje. Mas um crescente número de pesquisadores localiza as áreas onde os autistas superam os não-autistas.
Um breve levantamento mostra que os autistas têm, em média, maior percepção do compasso e outras habilidades musicais; são melhores na observação de detalhes no meio de padrões; têm melhor acuidade visual; enganam-se menos com ilusões de ópticas; têm maior probabilidade de ajustar-se a alguns cânones da racionalidade econômica, resolvem alguns tipos de quebra-cabeças e enigmas a uma taxa muito mais rápida e são menos propensos a ter certos tipos de falsas memórias. Autistas igualmente têm, em graus variados, fortes ou mesmo extremadas habilidades de memorização, execução de operações com códigos e cifras, fazer cálculos de cabeça, mostrando excelência em muitas outras tarefas cognitivas especializadas. Os savants, ainda que sejam excluídos, igualmente apresentam as forças cognitivas encontradas nos autistas mais genericamente. Uma pesquisa recente mostrou, usando métodos conservadores, que cerca de um terço dos autistas podem apresentar habilidades excepcionais ou do tipo “savant”.
As pessoas autistas têm geralmente desejo e talento superiores para montar e organizar a informação. Especialmente quando lhes é dado acesso apropriado a oportunidades e materiais, vivem o ideal do auto-didatismo, frequentemente ao extremo. Em meu novo livro, Create Your Own Economy (Crie sua própria economia), me refiro aos autistas como os “infóvoros” da moderna sociedade e argumento que, em muitas dimensões, nós, como sociedade, estamos trabalhando duro para imitar suas habilidades na organização e processamento da informação. Autismo é um item sobre o qual todo interessado em Educação deveria ler e pensar.
Resulta que a universidade americana é um ambiente especialmente favorável aos autistas. Muitos são desfavorecidos ou ficam oprimidos com o processamento de certos estímulos do mundo exterior e ficam, assim, sujeitos a uma sobrecarga sensorial. Para alguns autistas, isso é debilitante, mas para muitos outros é um problema administrável ou, ao menos, contornável. O resultado é que muitos preferem ambientes estáveis, a possibilidade de escolher seu próprio horário de trabalho ou fazê-lo em casa, e poder trabalhar focalizando-se em um projeto por longos períodos de tempo.
Soa familiar? A faculdade e a universidade modernas são, frequentemente, ideais ou ao menos relativamente boas em fornecer esse tipo de ambiente. Enquanto há uma grande discriminação contra os autistas, a maioria das pessoas das universidades americanas são tão cegas à noção de sua alta realização que um preconceito cancela o outro, para benefício de muitos dos autistas nas universidades.
Da mesma forma, autistas tendem a ser extremamente bons em um conjunto de tarefas cognitivas e marcadamente fracos ou prejudicados em outras; são os beneficiários finais da noção de Adam Smith da divisão de trabalho. A especialização acadêmica facilita que tais pessoas tenham sucesso.
Não quero forçá-lo na direção de estereótipos como o “professor distraído”. Algumas pessoas que se encaixam nesse perfil bem podem estar dentro do espectro autista, mas ele igualmente inclui mulheres bonitas com sorrisos encantadores, gente entusiasmada e extrovertida, pessoas que não conseguem produzir um discurso significativo e aqueles que fazem sozinhos, de memória, discursos em público claros e eficientes. Tony Attwood, um psicólogo australiano com extensa experiência em diagnóstico, acredita que a profissão de ator tem muitos representantes do espectro autista. A questão não é convencer ninguém de nenhum perfil único para autistas, ou substituir velhos estereótipos por novos. Ao contrário, devemos nos manter abertos para aprender que a diversidade autista é maior do que costumamos pensar.
Não há nenhuma dúvida que muitas pessoas autistas têm problemas na vida e são incapazes de atingir posições elevadas ou mesmo disputá-las. Problemas, tais como atipicidades sociais muito óbvias, ansiedade social, ou várias hipersensibilidades sensoriais - encontrados entre muitos, mas de forma alguma em todos os autistas - podem impedi-los de conseguir trabalhos comuns ou melhorar seu status social.
Os preconceitos atuais são baseados pelo menos em dois erros. Primeiramente, o autismo é definido muito frequentemente como uma série de prejuízos ou falhas da vida, levando grandes realizadores à exclusão. É mais científico e igualmente mais ético ter uma definição mais ampla do autismo, baseada nos métodos diferenciados e atípicos para processar a informação e em outros marcadores cognitiva e biologicamente definidos. Dessa maneira, não rotulamos os autistas como necessariamente falhos mas, em vez disso, reconhecemos uma grande diversidade de resultados, que inclui seus sucessos.
Em segundo lugar, os autistas diagnosticados são frequentemente aquelas pessoas que encontram os maiores problemas na vida. A maioria de autistas de sucesso nunca aparecem para diagnóstico ou intervenção e muitos deles não têm necessidade ou mesmo consciência dele, ou, mesmo se estão tendo dificuldades, temem o estigma de um diagnóstico. A amostragem comum de autistas, como se encontra em um típico artigo de pesquisa, mostra muito mais problemas e menos sucessos do que seria mais provável caso usasse uma amostra verdadeira da população de autistas. Ou seja, há uma polarização enorme da seleção. A pesquisa sobre o autismo está somente começando a confrontar esse problema.
Também estamos aprendendo que muitos estereótipos sobre autistas são falsos ou pelo menos equivocados. Costuma-se dizer, por exemplo, que autistas não se preocupam com outras pessoas, ou que não sentem emoções genuínas ou empatia. O mais provável é que autistas e não-autistas não se compreendam muito bem. Frequentemente, as pessoas que fazem tais afirmações mostram sua própria falha em mostrar empatia para com autistas ou para reconhecer a riqueza de suas vidas emocionais. Mesmo quando há reconhecimento das suas capacidades cognitivas - mais comumente nos savants – ele vem acompanhado de um clichê impreciso, um retrato de uma personalidade fria, robótica, menos que humana.
A relevância do espectro autista para o ensino superior não diz respeito apenas a indivíduos particulares. A própria natureza do ensino superior mostra o quanto nós, frequentemente sem o saber, acreditamos que os perfis cognitivos dos autistas são um ideal educacional. Na “educação especial” abundam os esforços para ensinar as habilidades dos não-autistas aos autistas, mas, na sala de aula regular, frequentemente fazemos o oposto. Vejo a educação superior (e níveis mais baixos) ensinando as pessoas a serem autistas em muitas de suas habilidades cognitivas básicas. Além disso, algumas características cognitivas chave no autismo são a habilidade, o desejo de processar muita informação através de escalas grandemente diferentes, de minúsculos detalhes a estruturas abrangentes; focalizar e ordenar mentalmente essa informação; um relativamente alto nível de objetividade científica; e a presença de algumas capacidades cognitivas altamente especializadas, mesmo se acompanhados de algumas áreas com baixo desempenho. Um educador pode gostar de muita coisa nessa lista.
Outra maneira de ver a questão é notar que todos os alunos têm necessidades especiais, precisando de muita ajuda. Estudantes não-autistas não representam algum ponto ideal que todos estão se esforçando para alcançar, mas tanto os autistas como os não-autistas estão tentando aprender as habilidades especiais do outro grupo, assim como aperfeiçoar suas próprias habilidades.

No discurso público e acadêmico, não é apenas o entendimento do autismo que está em jogo. O neurodesenvolvimento dos seres humanos segue caminhos variados, sendo o TDAH (transtorno do deficit de atenção com hiperatividade) outro exemplo de destaque. Precisamos ser cuidadosos sobre o que rotulamos como uma desordem. Em relação a este, por exemplo, crescem as evidências de que os indivíduos com TDAH conseguem resultados muito bons por padrões sociais normais. O estereótipo da cultura popular de um TDAH (frequentemente "TDA") é de uma pessoa que zapeia freneticamente de um canal ou website para o outro. Uma visão alternativa é que muitos desses indivíduos se adaptam e terminam por usar seu perfil cognitivo para se lançar do aprendizado de um fragmento de informação ao seguinte, terminando por aprender melhor e, talvez, situando-se melhor para lidar também com o mundo social. Similarmente, um estudo descobriu que as pessoas disléxicas se fizeram melhores empreendedores na média, porque são acostumados à idéia de ter que delegar algumas tarefas mais do que tentar gerenciar tudo.
Em muitas áreas da neurodiversidade humana, incluindo o autismo, ainda não sabemos as respostas a muitas perguntas básicas. Não há nem mesmo um acordo nas definições básicas do autismo, ásperguer e conceitos relacionados. Entretanto, aplicamos aos autistas montes de estereótipos e descrições negativas que não sonharíamos em usar para descrever grupos raciais ou étnicos. É tempo de as faculdades e universidades saíram à lutar contra esses preconceitos. O ensino superior precisa ajustar sua retórica à realidade de que é uma opção comum para pessoas autistas.
Ainda estamos procurando as metáforas e a linguagem apropriadas para descrever e explicar a neurodiversidade humana. Por exemplo, avançamos de uma visão do autismo como resultado de "mães-geladeira" - frias, distantes -, como foi mais visivelmente sugerido por Bruno Bettelheim nos anos 1960. Estamos apenas dando os primeiros passos além de uma definição do tipo “série de limitações”. Chamarmos o autismo de “desordem” é sermos humanos e oferecermos simpatia, ajuda, ou é valorizar estereótipos e baixas expectativas, ignorando a variação nos resultados?
Mas se não está correto falar em desordem, quais seriam os termos aceitáveis e qual seria o quadro conceitual a acompanhá-los? A distinção geralmente aceita entre o “alto funcionamento” e o “baixo funcionamento” ignora as grandes variações nas habilidades individuais dos autistas e igualmente parece classificar um grupo de seres humanos como algo inadequado. Quando vamos falar do espectro autista, devemos ser humanos, respeitarmos a diferença e a individualidade humanas, a necessidade de apoio e reconhecermos a diversidade dentro do espectro, tudo isso sem supor que as formas dos não-autistas verem o mundo são sempre as corretas.
O senso comum é que “autismo” diz respeito a crianças doentes e cumpre à comunidade acadêmica ajudar a corrigir esse quadro. Se olharmos os dados, parece fácil encontrar montes de crianças com autismo relativamente severo, ao menos segundo os padrões desse mesmo ponto de vista e, assim, encontrar um número proporcional de adultos autistas. Por exemplo, uma idéia disseminada sugere que os Estados Unidos tenham aproximadamente 500.000 crianças autistas, para uma predominância de uma em cada 150. Isso significaria que os Estados Unidos igualmente teriam 1,5 milhão de adultos autistas. (Esses números são aproximações grosseiras e ainda estão em debate.)
Minha opinião é que os Estados Unidos têm de fato mais de um milhão de adultos autistas. Mas se há tantos, as perguntas óbvias são: “Onde estão? Quem são eles? Estão todos trancados nas instituições?” Fala-se em uma recente “epidemia” de autismo. Mas as medidas epidemiológicas da prevalência do autismo - se considerarmos mudanças baseadas nos critérios diagnósticos, conscientização, disponibilidade de serviços, métodos de pesquisa e assim por diante - não indicam grandes aumentos injustificados. Pode-se argumentar que há um aumento gradual na taxa de autismo, uma vez que as evidências não pemitem excluir todas as mudanças (penso ser mais provável que a taxa seja constante ao longo do tempo) mas, ainda assim, a curva seria tão ascendente que, outra vez, uma estimativa apreciável seria mais de um milhão de adultos autistas nos Estados Unidos.
Seria complicado falar ou escrever sobre os autistas que podem estar trabalhando perto de você. Se trabalha em uma faculdade ou universidade, há uma boa chance de estar interagindo com pessoas no espectro autista regularmente. Talvez sua reação seja elaborar uma lista mental de colegas e começar a aplicar-lhes vários estereótipos. Talvez você fique de vigia, na próxima reunião com o reitor, para ver se encontra pessoas com “traços” autistas, e passe a fofocar sobre essas observações com seus amigos.
Essa é a natureza humana, mas sugiro uma alternativa. Seja diferente. Questione seus estereótipos. Olhe-se no espelho. Quando tiver feito isso, é provável que se considere mais distante da perfeição e mais dentro de variedades pouco convencionais do que esperava.

Autism as academic paradigm
http://chronicle.com/weekly/v55/i41/41cowenautism.htm
Tyler Cowen é professor de Economia na Universidade George Mason, e escreve no no New York Times, Money, no blog http://www.marginalrevolution.com e em outras publicações. Este texto foi adaptado de seu novo livro,Create Your Own Economy: The Path to Prosperity in a Disordered World.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Preconceito nas escolas brasileiras

Pesquisa indica que há 99,3% de preconceito no ambiente escolar

| Flávia Albuquerque | Agência Brasil | 17/6/2009|

São Paulo -
Pesquisa realizada em 501 escolas públicas de todo o país, baseada em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, revelou que 99,3% dessas pessoas demonstram algum tipo de preconceito etnorracial, socioeconômico, com relação a portadores de necessidades especiais, gênero, geração, orientação sexual ou territorial. O estudo, divulgado hoje (17), em São Paulo, e pioneiro no Brasil, foi realizado com o objetivo de dar subsídios para a criação de ações que transformem a escola em um ambiente de promoção da diversidade e do respeito às diferenças.

De acordo com a pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 96,5% dos entrevistados têm preconceito com relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito etnorracial, 93,5% de gênero, 91% de geração, 87,5% socioeconômico, 87,3% com relação à orientação sexual e 75,95% têm preconceito territorial.

Segundo o coordenador do trabalho, José Afonso Mazzon, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a pesquisa conclui que as escolas são ambientes onde o preconceito é bastante disseminado entre todos os atores. “Não existe alguém que tenha preconceito em relação a uma área e não tenha em relação a outra. A maior parte das pessoas tem de três a cinco áreas de preconceito. O fato de todo indivíduo ser preconceituoso é generalizada e preocupante”, disse.

Com relação à intensidade do preconceito, o estudo avaliou que 38,2% têm mais preconceito com relação ao gênero e que isso parte do homem com relação à mulher. Com relação à geração (idade), 37,9% têm preconceito principalmente com relação aos idosos. A intensidade da atitude preconceituosa chega a 32,4% quando se trata de portadores de necessidades especiais e fica em 26,1% com relação à orientação sexual, 25,1% quando se trata de diferença socioeconômica, 22,9% etnorracial e 20,65% territorial.

O estudo indica ainda que 99,9% dos entrevistados desejam manter distância de algum grupo social. Os deficientes mentais são os que sofrem maior preconceito com 98,9% das pessoas com algum nível de distância social, seguido pelos homossexuais com 98,9%, ciganos (97,3%), deficientes físicos (96,2%), índios (95,3%), pobres (94,9%), moradores da periferia ou de favelas (94,6%), moradores da área rural (91,1%) e negros (90,9%).

De acordo com o diretor de Estudos e Acompanhamentos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação (MEC), Daniel Chimenez, o resultado desse estudo será analisado detalhadamente uma vez que o MEC já demonstrou preocupação com o tema e com a necessidade de melhorar o ambiente escolar e de ampliar ações de respeito à diversidade.

“No MEC já existem iniciativas nesse sentido [de respeito à diversidade], o que precisa é melhorar, aprofundar, alargar esse tipo de abordagem, talvez até para a criação de um possível curso de ambiente escolar que reflita todas essas temáticas em uma abordagem integrada”, disse.

Edição: Lílian Beraldo