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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Comunhão de adolescente com autismo causa polêmica

Moradores se revoltaram com a decisão do padre local, que retirou o menino da fila para a primeira comunhão

| Álisson Coelho | Bom Princípio (RS), 19/06/2012 |

Uma polêmica está colocando em lados opostos a fé e a inclusão de um menino com deficiência em Bom Princípio, no Vale do Caí. A decisão do padre local de não dar a primeira eucaristia para um adolescente com autismo, no último domingo, revoltou os moradores, e tem causado controvérsia.

Cássio Maldaner, 13 anos, estava na fila para entrar na igreja e receber a primeira comunhão com outras 34 crianças. Nos bancos de madeira da Paróquia Nossa Senhora da Purificação, 90 convidados da família esperavam pelo momento sonhado pela mãe, a dona de casa Maria Silvani Maldaner, 41 anos. Minutos antes da cerimonia começar, o padre Pedro José Ritter pediu que Cássio fosse retirado da fila. Ele não participaria da celebração.

Sete anos atrás, Silvani havia buscado informação com o então pároco da cidade, que afirmou que o filho poderia participar da primeira comunhão. Depois esperar o melhor momento, há dois meses ela havia procurado o padre Ritter e explicado a situação. De acordo com religioso, a igreja estipula que, em casos como o de Cássio, não há necessidade de que o fiel passe pelo rito da eucaristia.

- Como a mãe queria muito, e nós não temos catequistas preparadas, pedi a ela que ensinasse ao menino o sentido da eucaristia. Se ele entendesse, ainda que do jeito dele, o que estava acontecendo, e se aceitasse a hóstia, ele poderia participar – afirma.

Mãe e filho treinaram durante um mês e voltaram à igreja para um ensaio. Na ocasião, Cássio se negou a receber a hóstia. Silvani continuou ensinando o menino, para ele pudesse participar da celebração.

- Ficamos de fazer um novo teste, que não aconteceu. Na última sexta-feira ocorreu o ensaio, e eu esperava falar com o padre, mas ele não participou. Como não houve mais nenhuma manifestação, achei que estava tudo certo - conta a mãe.

O religioso, no entanto, afirma que em nenhum momento Cássio aceitou a hóstia. Sem que isso acontecesse, Ritter diz que a orientação à mãe é que se esperasse outro momento para que o adolescente participasse da eucaristia.

- Não houve nenhum tipo de preconceito. A minha decisão apenas foi por esperar por um outro momento, em que ele aceitasse e entendesse o que estava acontecendo - afirma o padre.

Comunidade se mobiliza

A imagem dos pais do adolescente chorando durante a missa comoveu a comunidade. A festa programada foi realizada, mas em clima de tristeza. Moradores de Bom Princípio estão se mobilizando nas redes sociais, contrários a atitude do padre.

Para a família, houve preconceito por parte do religioso. O pai, o agricultor Letus Maldaner, 56 anos, afirma que espera que o filho participe da eucaristia, mas com outro padre.

- Depois que ele tirou o Cássio da fila eu ainda pedi que ele ao menos desse uma benção lá na frente, mas ele se negou. Essa é primeira vez que o meu filho foi discriminado, e isso aconteceu justamente na igreja - afirma Maldaner.

Comunhão de adolescente com autismo causa polêmica em Bom Princípio
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2012/06/comunhao-de-adolescente-com-autismo-causa-polemica-em-bom-principio-3795483.html

Respeite este trabalho. Se for republicar algum texto, cite-nos como sua fonte e coloque um link: http://cronicaautista.blogspot.com/

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Em Nova Jérsei, fiéis aprendem a incluir crianças autistas

| 02/05/2009 | Lindy Washburn | ContraCosta Times | The Record (Hackensack N.J.) |

Congregações religiosas do norte de Jérsei devem caminhar no sentido de incluir pessoas com autismo nas suas atividades - mesmo que elas não saibam dizer "Amem". O recente programa do Colégio Caldwell pretendeu ensinar aos participantes como igrejas e sinagogas podem ser mais receptivas a pessoas cujas habilidades de comportamento, comunicação e socialização saem fora das normas.

-"Não é justo pretender que crianças com autismo aprendam a sentar-se quietas para irem à igreja com o resto de nós" - disse Mary Beth Walsh, professora adjunta de Teologia e mãe de um menino autista. -"Queremos que nossas comunidades religiosas tomem a vanguarda e mostrem como a inclusão trabalha."

O programa atraiu cerca de 50 pessoas ao Colégio católico, líder no treinamento de educadores em ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Uma em cada 94 crianças nascidas em Nova Jérsei tem o diagnóstico de autismo, de acordo com os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças). Mais de 150 mil pessoas no estado tem deficiências de desenvolvimento.

Para Walsh, "um grande grupo de pessoas lá fora, esperando para ser incluídas". Ela conta como, ao longo de 3 anos, gradualmente levou o filho à participação nas atividades da igreja e ás aulas de religião. Ele aprendeu que o pão da Comunhão é especial. Praticou ir de joelhos do fundo da igreja ao altar para receber a Primeira Comunhão. Orgulhoso de suas conquistas, prestava atenção às aulas, conta sua mãe.

Mas os pais dizem que é muito duro encontrar uma casa religiosa. Enquanto 36% das famílias de crianças com desenvolvimento típico tem uma "forte afiliação" com suas comunidades religiosas, apenas 19% daquelas que têm crianças no espectro autista dizem o mesmo, segundo recente estudo citado por Walsh.

Uma mãe contou que, ao começar a levar o filho à igreja, sentiu-se "quebrar por dentro", com a dor do diagnóstico e os desafios diários que encarou. Mas, na medida em que as pessoas olhavam para trás quando seu filho fazia barulho, sentiu-se rejeitada.

Para os Católicos, como para as religiões mais tradicionais, "acolher pessoas com deficiência é parte da missão", afirmou Anne Masters, diretora da Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese Católica de Newark.

-"É parte de nosso ensinamentos" - ela disse. "Só temos de aprender".

Faiths learn to include autistic children
http://www.contracostatimes.com/nationandworld/ci_11636126?nclick_check=1