segunda-feira, 30 de abril de 2012

“Autismo é só um jeito de ser”, afirma psicóloga

Por Dulce Furtado | Portal AZ | Piauí, 28/4/2012

Transtorno que invade, desorganiza e desestrutura o desenvolvimento e o comportamento de uma criança. Considerado o maior distúrbio da comunicação, e da socialização, é também o mais desconhecido, essa é a realidade do autismo.

Este transtorno que se manifesta de maneira grave, durante toda a existência, aparece nos três primeiros anos de vida e afeta o desenvolvimento mental e físico do ser humano.

As primeiras características são notadas dentro de casa. “Sempre muito quieto, não falava muito, só brincava sozinho, rejeitava os amigos, festas e odiava multidões. Eu sabia que tinha alguma coisa de errado”, relata Ana Cristina sobre a doença do filho, Gabriel.

Segundo Ana, seu filho começou a apresentar essas e muitas outras características depois dos dois anos de idade. Ela não entendia e eu marido falava que era coisa de criança, mas a mãe sempre ficou atenta a todo comportamento de Gabriel.

“Depois de completar os três anos de idade eu percebi que os comportamentos estavam ficando mais frequentes e resolvi consultar um psicólogo. De principio ele fez uma avaliação básica, avaliando o comportamento dele, mas já estava em bastante evidencia o que Gabriel tinha”, disse a mãe.

Mas apesar de assustar muitos pais, a psicóloga Flavia Baião tranquiliza a todos e afirma que há tratamentos para amenizar as características do autismo. “O tratamento para estes casos é extenso, dura a vida toda, sempre estimulando as partes que ainda persistem em ficar fracas. Primeiro faço uma avaliação simples, depois eu acompanho a criança no desenvolvimento escolar, vejo as dificuldades, e talvez algum tipo de preconceito por parte das outras crianças. Também a vejo dentro de casa, o observo no meu familiar”, afirmou.

Depois de todo esse processo de análise, o psicólogo consegue interpretar as necessidades mais urgentes que vai trabalhar especificadamente com aquela criança. É observado se ela irá desenvolver a função motora, estimular as emoções, ou a ensinar a conviver em ambientes com outras pessoas, dentre outros.

“A pessoa que tem autismo pode conviver muito bem dentro da sociedade. Ela não tem dificuldade de aprendizado, ou não é capaz de trabalhar, ter uma profissão ou conviver com outras pessoas. Pelo contrario, muitas delas ainda tem mais capacidade de fazer tudo isso do um ser humano saudável. Autismo é só um jeito de ser”, conclui Flavia Baião.

“Autismo é só um jeito de ser”, afirma psicóloga
http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/241958_%E2%80%9Cautismo_e_so_um_jeito_de_ser%E2%80%9D_afirma_psicologa.html

Respeite este trabalho. Se for republicar algum texto, cite-nos como sua fonte e coloque um link: http://cronicaautista.blogspot.com/

2 comentários:

Marco Paim disse...

Muito bom. "Se eu pudesse estalar os dedos e deixar de ser autista, não o faria, pois eu não seria eu.O Autismo é parte de quem eu sou" by Temple Grandim

Gostei do novo visual do blog, muito legal.

Flavia Baião disse...

Oi, sou Flavia Baião e gostaria de informar o quão surpresa fiquei ao receber comentários a respeito dessa entrevista que jamais foi concedida por mim, contendo citações e informações que, segundo consta nessa matéria, foram dadas por mim e que estão equivocadas. Portanto, gostaria de fazer algumas correções dessas informações:
1) o tratamento da pessoa autista não necessariamente dura a vida toda, depende do nível de comprometimento e do nível de envolvimento familiar;
2) não existem “partes fracas”, como foi dito, e sim atrasos no desenvolvimento, comportamentos escassos que devem ser reforçados para tornarem-se frequentes e comportamentos que podem prejudicar a ele próprio ou ao outro, que podem ser extintos com a terapia;
3) A avaliação já inclui sessões com a família, com a criança, contato com a escola e visita domiciliar – todas importantes para uma avaliação bem feita;
4) Criança NÃO TEM PRECONCEITO, pode apresentar perguntas quando vê algo que não entende ou ter medo de interagir pelo mesmo motivo;
5) A pessoa autista pode apresentar dificuldade de aprendizagem sim, mas não é condição sine qua non.
6) AUTISMO não é apenas um “jeito de ser”, como foi dito, é um transtorno do desenvolvimento que carece de mais atenção e apoio profissional; são pessoas interessantíssimas que têm uma forma diferente de aprender, e sim, muitos têm potencial para cursar Universidade e para casar. Todos podem trabalhar, mesmo aqueles com maior comprometimento podem aprender funções mais simples e ter um meio de sobrevivência.
Agradeço e me coloco à disposição para mais informações.
Flavia Baião
(NuTeC – Nucleo de Terapia Comportamental- fone 3222-4434)