sábado, 14 de novembro de 2009

Ásperguer, Autismo e empatia: estudo engloba 27 genes

Enviado por Priscilla para a Comunidade Virtual Autismo no Brasil

Traduzido pela Fga. Mônica Accioly


Cientistas da universidade de Cambridge identificaram 27 gens que estão associados com a síndrome de Asperger, e/ou com autismo e/ou com a empatia. A pesquisa será publicada em AUTISM RESEARCH.

A pesquisa foi liderada pelo Dr Bhismadey Chakrabarti e pelo professor Simon Baron-Cohen do centro de pesquisa do autismo, em Cambridge. Sessenta e oito (68) genes foram escolhidos, fosse porque eram conhecidos por participar do crescimento de neurônios, no comportamento social ou nos esteróides do hormônio sexual (testosterona e estrogênio). O último grupo de genes foi incluído considerando-se que a SA ocorre principalmente nos homens e também porque pesquisas anteriores mostraram que os níveis de testosterona fetal estão associados com traços de autismo e de empatia em crianças em desenvolvimento típico.

A pesquisa realizou dois experimentos. Primeiro, examinaram aqueles genes em 349 adultos, todos dentro do espectro do autismo e do coeficiente de empatia. Depois examinaram 174 adultos com diagnóstico formal de SA e foram feitas as devidas comparações.

A pesquisa encontrou que componentes de 27 dos 68 genes estavam associados com SA (síndrome de asperger) e/ou autismo. Dez (10) desses genes estavam ligados aos esteróides sexuais, dando suporte ao papel por eles desempenhado no autismo. Oito (8) de tais genes estavam envolvidos no crescimento dos neurônios, dando suporte à idéia de que o autismo poderia resultar de circuitos cerebrais com conexões deficientes, quando do desenvolvimento cerebral. Os demais 9 genes estariam relacionados ao comportamento social, levando alguma luz à biologia da sensitividade social e emocional.

Comentário do Dr Chakrabarti: “esses 27 genes representam conhecimentos preliminares para o entendimento das bases genéticas da SA e correlatos,como empatia. Todos são bons candidatos para outros estudos, tanto quanto ao autismo leve ou grave. Cinco (5) daqueles genes que encontramos haviam sido reportados anteriormente no autismo, mas os outros 22 nunca foram relacionados com SA, autismo ou empatia. Agora precisamos estudar como esses genes interagem.”

Professor Baron-Cohen: “Nós escolhemos pesquisar a genética da SA porque todos os outros estudos genéticos estavam focados no autismo clássico, que pode incluir as dificuldades no aprendizado e na linguagem. A SA é uma condição mais “pura”porque tai s fatores estão ausentes. Os novos resultados representam um avanço significativo em relação ao nosso trabalho anterior, ao nos mostrar que os hormônios esteróides sexuais (testosterona e estrógeno) influenciam no desenvolvimento social e no autismo. O novo estudo também confirma que outras moléculas são importantes na compreensão do autismo e da empatia.”

Síndrome de Asperger (SA) é um subgrupo do autismo. O outro subgrupo é o autismo clássico. As condições de autismo aparecem em 1% da população e o seu diagnóstico é feito tendo como base as relações sociais e a comunicação.

Referência:
Chakrabarti, B, Dudbridge, F, Kent, L, Wheelwright, S, Hill-Cawthorne, G, Allison, C, Banerjee-Basu, S, & Baron-Cohen, S. - Genes related to sex-steroids, neural growth and social-emotional behaviour are associated with autistic traits, empathy and Asperger Syndrome. Autism Research, July 16, 2009
http://www.sciencedaily.com/releases/2009/07/090715101427.htm (Diponível em 14/11/2009)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Câmara hiperbárica não é efetiva para autismo

O estudo Hyperbaric oxygen therapy treatment ineffective for children with autism (Avaliação aleatória da terapia com oxigênio hiperbárico para crianças com autismo) mostrou que a terapia HBOT (Hyperbaric Oxygen Therapy), que consiste em fornecer ar com 24% de oxigênio a uma pressão de 1,3 atm para a pessoa autista não traz efeitos significativos nos sintomas do autismo. O estudo foi conduzido pelos pesquisadores do CARD (Center for Autism and Related Disorders, Inc.) Doreen Granpeesheh; Jonathan Tarbox; Dennis R. Dixon; Arthur E. Wilke; Michael S. Allen; & James Jeffrey Bradstreet e está disponível no site da revista Research in Autism Spectrum Disorders.

A hipótese de que esse tratamento, popularizado recentemente, traria algum benefício para a pessoa autista, foi testada através de uma avaliação duplo-cega com 34 crianças autistas, comparando a HBOT com oxigênio a 24% sob 1,3 atm ministrado para 18 pacientes, com um placebo ministrado a 16 outros pacientes.

Os pesquisadores do CARD não observaram diferenças entre os dois grupos em nenhuma das medições realizadas.

Questões podem ser enviadas diretamente ao Dr. Jonathan Tarbox, pelo e-mail j.tarbox@centerforautism.com .

Também em pdf.

Center for Autism and Related Disorders Study Finds Hyperbaric Oxygen Therapy Ineffective Treatment for Children with Autism

Exemplo inglês

Autism Act 2009

O Parlamento britânico aprovou o Projeto de Lei do Autismo (Autism Bill), transformando-o no Ato do Autismo (Autism Act). Esboçado pela National Autism Society (NAS), da Inglaterra, e apresentado pelo deputado Cheryl Gillan, o projeto contou com o apoio de 16 organizações pró-autistas, tendo sido aprovado por representantes de todos os partidos ingleses.

O Ato do Autismo garante a criação da primeira estratégia para o autismo em adultos, que deverá cobrir uma ampla gama de assuntos, como: saúde, assistência social, treinamento e emprego e, principalmente, a obrigação legal das autoridades locais e das equipes do Serviço Nacional de Saúde para atender demandas específicas.

A estratégia será publicada em 1º de abril de 2010 e deverá ser implantada até dezembro daquele ano.

A NAS está com a campanha Don´t write me off, pedindo à população que escreva aos seus deputados cobrando que estes se lembrem dos adultos autistas.

Autism Act 2009
http://www.autism.org.uk/autismact2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Estudo com gêmeos indica prevalência de 88% para autismo

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins e do Instituto Kennedy Krieger e publicado nos Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine examinou o padrão de hereditariedade de desordens do espectro autista em 277 pares de gêmeos, 67 monozigóticos (idênticos) e 210 dizigóticos, com 18 anos de idade, ou menos, em que ao menos um dos irmãos se mostrou afetado. Foram analisados a concordância de diagnósticos, o histórico e os resultados para avaliação padronizada de autismo.

Observou-se que a concordância foi de 31% de casos nos gêmeos dizigóticos e de 88% para os monozigóticos. Nas meninas monozigóticas, houve 100% de concordância e nos meninos, 86%; nos pares dizigóticos, as meninas mostraram concordância de 20% e os meninos, 40%. O diagnóstico de autismo para o segundo gêmeo, depois do diagnóstico do primeiro, foi 7,48 vezes mais frequente para os monozigóticos em relação aos dizigóticos. Para os gêmeos dizigóticos individualmente afetados, os pais se mostraram preocupados mais cedo e, também, houve mais diagnósticos de deficiência intelectual do que para os gêmeos monozigóticos. Os monozigóticos tiveram maior prevalência de desordem bipolar e síndrome de Asperger e maior concordância do segundo. A correlação da avaliação de autismo com os relatos feitos pelos pais é maior do que 90%.

Segundo o estudo, os dados apontam para uma maior concordância de desordens do espectro autista nos gêmeos monozigóticos em relação aos dizigóticos. As diferenças entre a ocorrência de autismo de alto funcionamento, comorbidades psiquiátricas e síndrome de Asperger sugerem diferentes hereditariedades para diferentes tipos de autismo. Nas famílias em que um gêmeo monozigótico foi diagnosticado com autismo, é improvável que o segundo gêmeo receba o diagnóstico depois de 12 meses. Além disso, os relatos parentais de autismo pela internet são válidos.

Rosenberg, Rebecca E.; Law, J. Kiely; Yenokyan, Gayane; McGready, John; Kaufmann, Walter E.; Law, Paul A. - Characteristics and Concordance of Autism Spectrum Disorders Among 277 Twin Pairs. Arch Pediatr Adolesc Med. 2009, 163(10):907-914.
Abstract disponível em 9/11/2009 em: http://archpedi.ama-assn.org/cgi/content/abstract/163/10/907

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Busca por autista continua: mãe segue pistas, sem sucesso

| Extra | 6/11/2009 |

Para Miriam Matos Lima, que se perdeu de seu filho autista, Hudson Matos, de 17 anos, esta quinta-feira foi mais um dia em vão. Já são mais de 72 horas desde a última vez que ela viu o menino, na portaria de emergência do Hospital Getúlio Vargas (bairro da Penha, no Rio de Janeiro), até ontem, quando percorreu a Av. Brasil atrás do filho.

No início da manhã de ontem, o SOS Crianças Desaparecidas recebeu pistas. Uma delas parecia concreta. Ele estaria na Avenida Brasil, na altura do Jardim América, tentando pegar um ônibus. A descrição feita da roupa de Hudson indicaria que realmente era o garoto:

— Ele faz tratamento na Fiocruz, certamente deve estar tentando chegar lá. É uma referência que ele tem — avaliou Miriam.

O EXTRA acompanhou a mãe até o ponto da Av. Brasil onde Hudson estaria. Mas o menino não estava mais lá. Ela preferiu continuar a pé sua busca. Para Luiz Henrique Oliveira, do SOS Criança Desaparecida, esse tipo de alarme falso é comum e faz parte do processo:

— Ele pode ter pego um ônibus e sumido. Quem tiver novas informações pode ligar para (21) 2286-8337.

http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/post.asp?t=busca-por-autista-continua-mae-segue-pistas-sem-sucesso&cod_post=238626

Escola: apenas um negócio lucrativo?

O artigo "Uniban, a espetacular fábrica de canalhas", do jornalista Mauro Carrara, é uma excelente fonte de reflexão para todos nós que, de alguma forma, enfrentamos a discriminação nas escolas do Brasil. Nossos filhos, crianças e adultos autistas, passam por constrangimentos de todas as formas; nós, pais que procuramos educação para nossos filhos, um direito a eles garantido pela Constituição Federal e pelo bom senso humanitário, batemos a cara no muro do comodismo. Empresários sedentos de lucros que se travestem de educadores fecham suas portas, em vez de cumprir a obrigação que diziam ter assumido quando abriram seu negócio disfarçado de escola.

Segue abaixo um trecho do artigo de Mauro Carrara, e o link para o artigo todo, publicado no blog Eu vi o mundo.

Em anúncios publicados nos jornalões paulistas de 8 de Novembro, a Universidade Bandeirante (Uniban) anuncia que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda.

A estudante de Turismo sofreu bárbaro assédio coletivo no dia 22 de Outubro, na unidade de São Bernardo do Campo. O motivo: trajar na ocasião um vestido curto, num tom cereja. (...)

A universidade preferiu punir a vítima e inventar uma justificativa pitoresca para o espetáculo do bullying, registrado por câmeras do próprios alunos e vergonhosamente exposto ao mundo pelo Youtube.

Segundo os negociantes da educação, "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar".

Seria cômico se não fosse trágico. A Uniban, mais uma das uniesquinas do Brasil, considera "defesa do ambiente escolar" a agitação do bando que ameaçava estuprar a colega e que a perseguiu aos gritos de "puta, puta, puta".

Alheia a valores e princípios, a Uniban pautou-se unicamente pela doutrina da preservação do lucro. Expulsou a mocinha da periferia e manteve as centenas de vândalos que a molestaram.

Defendeu, assim, a receita, a contabilidade, mesmo sob o risco de macular para sempre sua imagem.
Mauro Carrara: Uniban, a espetacular fábrica de canalhas

domingo, 8 de novembro de 2009

Maranhão: supermercado discrimina crianças com deficiência

A promotoria da Infância e da Juventude investiga denúncia de dsiscriminação que teria sido praticada pela empresa Mateus Supermercados, em São Luís do Maranhão.

Um grupo de estudantes con deficiência, da Escola João Mohana, no Vinhais, foi impedido de entrar na loja do Mateus Supermercados, hoje à tarde, mesmo acompanhado de pais e professores.

A proibição foi imposta pelo gerente operacional da loja, identificado por Eduardo, e pela assessora de Marketing, de nome Natália, segundo contaram os acompanhantes.

Escolas especiais costumam levam seus alunos a supermercados e outros tipos de lojas, para praticar o que se chamam "atividades de vida diária", visando prepará-los para uma vida o mais independente possível. No entanto, o gerente Eduardo e a assessora de marketing Natália barraram o grupo, alegando que a loja deveria ter iso informada antes.

Veja mais detalhes no blog do jornalista Marco Aurélio d'Eça.