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segunda-feira, 28 de agosto de 2023

AUTISMO COMO  UM PARADIGMA ACADÊMICO


| TYLER COWEN | 13 de julho de 2009 | Tradução: Argemiro de Paula Garcia Filho |

Se você pensar em termos de História, talvez imagine que as faculdades e universidades americanas nunca tenham contribuído para o discurso racista. Mas Princeton e muitas outras instituições mantiveram de fora judeus, e defesas “acadêmicas” da escravidão, segregação e eugenia foram comuns até que mudanças sociais mais amplas tornaram tais pontos de vista inaceitáveis.

A triste verdade é que ideologias desumanizantes permanecem conosco na universidade moderna, embora com formas muito diferentes. Os principais exemplos incluem as inaceitáveis maneiras com que às vezes se fala e pensa sobre o espectro autista. Há alguns anos, Michael L. Ganz, que ensina na Escola de Saúde Pública de Harvard, publicou um ensaio intitulado “Costs of Autism in the United States” (Custos do autismo nos Estados Unidos). Em nenhuma parte o ensaio avalia se as pessoas autistas trouxeram algum benefício à raça humana. Você pensaria em um ensaio equivalente, intitulado: “Custos dos nativos americanos”? Ganz pode pensar que o autismo é estritamente uma doença, mas nunca menciona ou refuta o fato de que um grande número de autistas rejeita essa visão e a considera ofensiva.

David Bainbridge é um anatomista veterinário da Universidade de Cambridge. Em 2008, publicou um livro pela Editora da Universidade de Harvard, “Beyond the Zonules of Zinn: A Fantastic Journey Through Your Brain” (Além das zônulas de Zinn: uma fantástica jornada através de seu cérebro). No livro, defende que aos autistas falta a qualidade da precaução humana, e comparou suas faculdades cognitivas desfavoravelmente às de macacos com lesões no cérebro. Deborah R. Barnbaum, filósofa da Universidade do Estado de Kent, escreveu um livro ironicamente intitulado “The Ethics of Autism”, Indiana University Press, 2008 (A ética do autismo) em que pondera as implicações filosóficas do suposto fato de os autistas não poderem compreender a vida mental de outras pessoas, ainda que este resultado não se sustente experimentalmente e possa ser igualmente refutado por uma simples conversa com uma pessoa autista.

A questão não é focalizar a culpa nesses indivíduos em particular, porque estão afogados em idéias, atitudes e pressupostos comuns a uma estrutura maior. É perfeitamente possível que todos esses escritores sejam “gente boa” no sentido usual do termo, mas eles não sentem nenhum mal-estar ou hesitação em pintar tais retratos de outros seres humanos. A triste verdade é que, até que nós estejamos muito conscientes das implicações de nossas palavras, é muito fácil escorregar em maus hábitos e numa retórica danosa, mesmo no politicamente correto ano de 2009.

Citei alguns exemplos mais óbvios, mas as polarizações subjacentes estão enraizadas muito mais profundamente. Muitas pessoas nas faculdades estão cientes de como lidar com o autismo (e a síndrome de Asperger - vou me referir em geral ao espectro autista) em seus “programas de necessidades especiais”. A realidade mais complexa é que há muito mais autismo no ensino superior do que a maioria de nós imagina. Não são apenas os “estudantes com necessidades especiais” mas, também, os oradores das turmas, os professores da faculdade e até, às vezes, seus gestores.

Esta última frase não é algum tipo de humor barato sobre as muitas características disfuncionais do ensino superior. O autismo é descrito frequentemente como uma doença ou uma praga, mas quando chega à faculdade ou universidade americanas é, frequentemente, uma vantagem competitiva mais do que um problema a ser resolvido. Uma razão da universidade americana ser tão forte é porque mobiliza eficazmente forças e talentos de pessoas do espectro autista. Apesar de alguma retórica negativa, a realidade é que os autistas são muito bons para as faculdades e as faculdades são muito boas para os autistas.

O economista e Prêmio Nobel Vernon L. Smith, um antigo colega meu, é um exemplo dos mais conhecidos de um grande realizador do espectro autista. Vernon, em Discovery: A Memoir (Descoberta: uma biografia), atribui seu extremo foco, sua atenção ao detalhe e sua erudita persistência a ligação que tem com o espectro autista. Richard Borcherds, vencedor em 1998 da Medalha Fields de Matemática, foi diagnosticado como tendo síndrome de Asperger. Temple Grandin, que ensina Ciência Animal na Universidade do Estado de Colorado, é uma brilhante mulher autista cujas ideias revolucionaram a forma como os matadouros americanos tratam os animais. Há provavelmente muito mais exemplos, embora não reconhecidos. O consagrado pesquisador de autismo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, argumenta que os grandes realizadores autistas são, de longe, mais comuns do que a maioria das pessoas imagina, sobretudo na Matemática e na Engenharia. Ele ressalta o comportamento sistemático como uma importante habilidade cognitiva dos autistas.

Apesar da retórica comum, a cada ano os especialistas estão nos ensinando mais sobre as capacidades cognitivas do espectro autista. Nos anos 60, a visão comum era que, à exceção de alguns savants, a maioria das pessoas autistas eram incapacitadas intelectualmente (“retardado mental” era o termo mais do que infeliz), e em certa medida esse estereótipo persiste hoje. Mas um crescente número de pesquisadores localiza as

Um breve levantamento mostra que os autistas têm, em média, maior percepção do compasso e outras habilidades musicais; são melhores na observação de detalhes no meio de padrões; têm melhor acuidade visual; enganam-se menos com ilusões de ópticas; têm maior probabilidade de ajustar-se a alguns cânones da racionalidade econômica, resolvem alguns tipos de quebra-cabeças e enigmas a uma taxa muito mais rápida e são menos propensos a ter certos tipos de falsas memórias. Autistas igualmente têm, em graus variados, fortes ou mesmo extremadas habilidades de memorização, execução de operações com códigos e cifras, fazer cálculos de cabeça, mostrando excelência em muitas outras tarefas cognitivas especializadas. Os savants, ainda que sejam excluídos, igualmente apresentam as forças cognitivas encontradas nos autistas mais genericamente. Uma pesquisa recente mostrou, usando métodos conservadores, que cerca de um terço dos autistas podem apresentar habilidades excepcionais ou do tipo “savant”.

As pessoas autistas têm geralmente desejo e talento superiores para montar e organizar a informação. Especialmente quando lhes é dado acesso apropriado a oportunidades e materiais, vivem o ideal do auto-didatismo, frequentemente ao extremo. Em meu novo livro, Create Your Own Economy (Crie sua própria economia), me refiro aos autistas como os “infóvoros” da moderna sociedade e argumento que, em muitas dimensões, nós, como sociedade, estamos trabalhando duro para imitar suas habilidades na organização e processamento da informação. Autismo é um item sobre o qual todo interessado em Educação deveria ler e pensar.

Resulta que a universidade americana é um ambiente especialmente favorável aos autistas. Muitos são desfavorecidos ou ficam oprimidos com o processamento de certos estímulos do mundo exterior e ficam, assim, sujeitos a uma sobrecarga sensorial. Para alguns autistas, isso é debilitante, mas para muitos outros é um problema administrável ou, ao menos, contornável. O resultado é que muitos preferem ambientes estáveis, a possibilidade de escolher seu próprio horário de trabalho ou fazê-lo em casa, e poder trabalhar focalizando-se em um projeto por longos períodos de tempo.

Soa familiar? A faculdade e a universidade modernas são, frequentemente, ideais ou ao menos relativamente boas em fornecer esse tipo de ambiente. Enquanto há uma grande discriminação contra os autistas, a maioria das pessoas das universidades americanas são tão cegas à noção de sua alta realização que um preconceito cancela o outro, para benefício de muitos dos autistas nas universidades.

Da mesma forma, autistas tendem a ser extremamente bons em um conjunto de tarefas cognitivas e marcadamente fracos ou prejudicados em outras; são os beneficiários finais da noção de Adam Smith da divisão de trabalho. A especialização acadêmica facilita que tais pessoas tenham sucesso.

Não quero forçá-lo na direção de estereótipos como o “professor distraído”. Algumas pessoas que se encaixam nesse perfil bem podem estar dentro do espectro autista, mas ele igualmente inclui mulheres bonitas com sorrisos encantadores, gente entusiasmada e extrovertida, pessoas que não conseguem produzir um discurso significativo e aqueles que fazem sozinhos, de memória, discursos em público claros e eficientes. Tony Attwood, um psicólogo australiano com extensa experiência em diagnóstico, acredita que a profissão de ator tem muitos representantes do espectro autista. A questão não é convencer ninguém de nenhum perfil único para autistas, ou substituir velhos estereótipos por novos. Ao contrário, devemos nos manter abertos para aprender que a diversidade autista é maior do que costumamos pensar.

Não há nenhuma dúvida que muitas pessoas autistas têm problemas na vida e são incapazes de atingir posições elevadas ou mesmo disputá-las. Problemas, tais como atipicidades sociais muito óbvias, ansiedade social, ou várias hipersensibilidades sensoriais - encontrados entre muitos, mas de forma alguma em todos os autistas - podem impedi-los de conseguir trabalhos comuns ou melhorar seu status social. Os preconceitos atuais são baseados pelo menos em dois erros. Primeiramente, o autismo é definido muito frequentemente como uma série de prejuízos ou falhas da vida, levando grandes realizadores à exclusão. É mais científico e igualmente mais ético ter uma definição mais ampla do autismo, baseada nos métodos diferenciados e atípicos para processar a informação e em outros marcadores cognitiva e biologicamente definidos. Dessa maneira, não rotulamos os autistas como necessariamente falhos mas, em vez disso, reconhecemos uma grande diversidade de resultados, que inclui seus sucessos.

Em segundo lugar, os autistas diagnosticados são frequentemente aquelas pessoas que encontram os maiores problemas na vida. A maioria de autistas de sucesso nunca aparecem para diagnóstico ou intervenção e muitos deles não têm necessidade ou mesmo consciência dele, ou, mesmo se estão tendo dificuldades, temem o estigma de um diagnóstico. A amostragem comum de autistas, como se encontra em um típico artigo de pesquisa, mostra muito mais problemas e menos sucessos do que seria mais provável caso usasse uma amostra verdadeira da população de autistas. Ou seja, há uma polarização enorme da seleção. A pesquisa sobre o autismo está somente começando a confrontar esse problema.

Também estamos aprendendo que muitos estereótipos sobre autistas são falsos ou pelo menos equivocados. Costuma-se dizer, por exemplo, que autistas não se preocupam com outras pessoas, ou que não sentem emoções genuínas ou empatia. O mais provável é que autistas e não-autistas não se compreendam muito bem. Frequentemente, as pessoas que fazem tais afirmações mostram sua própria falha em mostrar empatia para com autistas ou para reconhecer a riqueza de suas vidas emocionais. Mesmo quando há reconhecimento das suas capacidades cognitivas - mais comumente nos savants – ele vem acompanhado de um clichê impreciso, um retrato de uma personalidade fria, robótica, menos que humana.

A relevância do espectro autista para o ensino superior não diz respeito apenas a indivíduos particulares. A própria natureza do ensino superior mostra o quanto nós, frequentemente sem o saber, acreditamos que os perfis cognitivos dos autistas são um ideal educacional. Na “educação especial” abundam os esforços para ensinar as habilidades dos não-autistas aos autistas, mas, na sala de aula regular, frequentemente fazemos o oposto. Vejo a educação superior (e níveis mais baixos) ensinando as pessoas a serem autistas em muitas de suas habilidades cognitivas básicas. Além disso, algumas características cognitivas chave no autismo são a habilidade, o desejo de processar muita informação através de escalas grandemente diferentes, de minúsculos detalhes a estruturas abrangentes; focalizar e ordenar mentalmente essa informação; um relativamente alto nível de objetividade científica; e a presença de algumas capacidades cognitivas altamente especializadas, mesmo se acompanhados de algumas áreas com baixo desempenho. Um educador pode gostar de muita coisa nessa lista.

Outra maneira de ver a questão é notar que todos os alunos têm necessidades especiais, precisando de muita ajuda. Estudantes não-autistas não representam algum ponto ideal que todos estão se esforçando para alcançar, mas tanto os autistas como os não-autistas estão tentando aprender as habilidades especiais do outro grupo, assim como aperfeiçoar suas próprias habilidades.

No discurso público e acadêmico, não é apenas o entendimento do autismo que está em jogo. O neurodesenvolvimento dos seres humanos segue caminhos variados, sendo o TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) outro exemplo de destaque. Precisamos ser cuidadosos sobre o que rotulamos como uma desordem. Em relação a este, por exemplo, crescem as evidências de que os indivíduos com TDAH conseguem resultados muito bons por padrões sociais normais. O estereótipo da cultura popular de um TDAH (frequentemente "TDA") é de uma pessoa que zapeia freneticamente de um canal ou website para o outro. Uma visão alternativa é que muitos desses indivíduos se adaptam e terminam por usar seu perfil cognitivo para se lançar do aprendizado de um fragmento de informação ao seguinte, terminando por aprender melhor e, talvez, situando-se melhor para lidar também com o mundo social. Similarmente, um estudo descobriu que as pessoas disléxicas se fizeram melhores empreendedores na média, porque são acostumados à ideia de ter que delegar algumas tarefas mais do que tentar gerenciar tudo.

Em muitas áreas da neurodiversidade humana, incluindo o autismo, ainda não sabemos as respostas a muitas perguntas básicas. Não há nem mesmo um acordo nas definições básicas do autismo, ásperguer e conceitos relacionados. Entretanto, aplicamos aos autistas montes de estereótipos e descrições negativas que não sonharíamos em usar para descrever grupos raciais ou étnicos. É tempo de as faculdades e universidades saíram à lutar contra esses preconceitos. O ensino superior precisa ajustar sua retórica à realidade de que é uma opção comum para pessoas autistas.

Ainda estamos procurando as metáforas e a linguagem apropriadas para descrever e explicar a neurodiversidade humana. Por exemplo, avançamos de uma visão do autismo como resultado de "mães-geladeira" - frias, distantes -, como foi mais visivelmente sugerido por Bruno Bettelheim nos anos 1960. Estamos apenas dando os primeiros passos além de uma definição do tipo “série de limitações”. Chamarmos o autismo de “desordem” é sermos humanos e oferecermos simpatia, ajuda, ou é valorizar estereótipos e baixas expectativas, ignorando a variação nos resultados?

Mas se não está correto falar em desordem, quais seriam os termos aceitáveis e qual seria o quadro conceitual a acompanhá-los? A distinção geralmente aceita entre o “alto funcionamento” e o “baixo funcionamento” ignora as grandes variações nas habilidades individuais dos autistas e igualmente parece classificar um grupo de seres humanos como algo inadequado. Quando vamos falar do espectro autista, devemos ser humanos, respeitarmos a diferença e a individualidade humanas, a necessidade de apoio e reconhecermos a diversidade dentro do espectro, tudo isso sem supor que as formas dos não-autistas verem o mundo são sempre as corretas.

O senso comum é que “autismo” diz respeito a crianças doentes e cumpre à comunidade acadêmica ajudar a corrigir esse quadro. Se olharmos os dados, parece fácil encontrar montes de crianças com autismo relativamente severo, ao menos segundo os padrões desse mesmo ponto de vista e, assim, encontrar um número proporcional de adultos autistas. Por exemplo, uma ideia disseminada sugere que os Estados Unidos tenham aproximadamente 500.000 crianças autistas, para uma predominância de uma em cada 150. Isso significaria que os Estados Unidos igualmente teriam 1,5 milhão de adultos autistas. (Esses números são aproximações grosseiras e ainda estão em debate.)

Minha opinião é que os Estados Unidos têm de fato mais de um milhão de adultos autistas. Mas se há tantos, as perguntas óbvias são: “Onde estão? Quem são eles? Estão todos trancados nas instituições?” Fala-se em uma recente “epidemia” de autismo. Mas as medidas epidemiológicas da prevalência do autismo - se considerarmos mudanças baseadas nos critérios diagnósticos, conscientização, disponibilidade de serviços, métodos de pesquisa e assim por diante - não indicam grandes aumentos injustificados. Pode-se argumentar que há um aumento gradual na taxa de autismo, uma vez que as evidências não permitem excluir todas as mudanças (penso ser mais provável que a taxa seja constante ao longo do tempo) mas, ainda assim, a curva seria tão ascendente que, outra vez, uma estimativa apreciável seria mais de um milhão de adultos autistas nos Estados Unidos.

Seria complicado falar ou escrever sobre os autistas que podem estar trabalhando perto de você. Se trabalha em uma faculdade ou universidade, há uma boa chance de estar interagindo com pessoas no espectro autista regularmente. Talvez sua reação seja elaborar uma lista mental de colegas e começar a aplicar-lhes vários estereótipos. Talvez você fique de vigia, na próxima reunião com o reitor, para ver se encontra pessoas com “traços” autistas, e passe a fofocar sobre essas observações com seus amigos. Essa é a natureza humana, mas sugiro uma alternativa. Seja diferente. Questione seus estereótipos. Olhe-se no espelho. Quando tiver feito isso, é provável que se considere mais distante da perfeição e mais dentro de variedades pouco convencionais do que esperava.

Tyler Cowen é professor de Economia na Universidade George Mason, e escreve no New York Times, Money, no blog http://www.marginalrevolution.com e em outras publicações. Este texto foi adaptado de seu novo livro, Create Your Own Economy: The Path to Prosperity in a Disordered World.

FONTE: https://www.chronicle.com/article/autism-as-academic-paradigm/ Disponível em 2011.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Macacos geneticamente modificados para exibir sintomas de autismo

Mas não está claro o quanto os resultados correspondem à condição em seres humanos

| David Cyranovski | Nature, Vol. 529, nr. 7587, p. 449 | 25/1/2016 | Trad. Argemiro Garcia |

Macaco utilizado no experimento.
Os macacos de laboratório correm em círculos obsessivamente, em grande parte ignoram seus pares e grunhem ansiosamente quando encarados. Projetados para terem um gene relacionado com o transtorno do espectro do autismo em pessoas, os macacos são o modelo animal mais realista da condição até agora, dizem seus criadores. Os pesquisadores acreditam que os animais trarão novas maneiras de testar tratamentos e investigar a biologia do autismo. Mas o júri ainda está reticente sobre se a condição dos macacos corresponde ao autismo humano.

O autismo tem uma vasta gama de sintomas e tipos, e os investigadores pensam que pelo menos 100 genes desempenham algum papel. Os cientistas que conduziram o mais recente trabalho, publicado em 25 de janeiro na revista Nature (Z. Liu et al. Nature http://doi.org/bb3k; 2016), voltaram-se para o gene MECP2, relacionado com o autismo: muitos dos seus sintomas são encontrados em pessoas que têm cópias extras do gene (síndrome da duplicação do MECP2), bem como em pessoas que têm certas mutações neste gene (síndrome de Rett). Os pesquisadores já tinham criado anteriormente macacos para ter genes relacionados com o autismo (H. Liu et al. Cell Stem Cell 14, 323–328; 2014), mas esta é a primeira demonstração publicada de uma ligação entre os genes e o comportamento dos animais.

Voltando a 2010, a equipe que realizou o mais recente trabalho, liderado por pesquisadores do Instituto de Neurociências da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai, anexaram genes humanos MECP2 a um vírus inofensivo, que foi injetou nos óvulos de macacos-cinomolgos (Macaca fascicularis). Os óvulos foram então fertilizados e os embriões em desenvolvimento foram implantados em fêmeas. O resultado foram oito recém-nascidos geneticamente manipulados, cada um tendo uma a sete cópias extras do MECP2. Exames de outros macacos, natimortos, revelaram que as cópias adicionais estavam sendo expressas no cérebro. "Esse foi o primeiro momento emocionante", diz Zilong Qiu, biólogo molecular do Instituto de Neurociências e co-autor do artigo.

O próximo avanço veio cerca de um ano mais tarde, quando os macacos mostraram comportamentos que sugeriam autismo: correr de forma estranha em círculos fechados. "Se um outro macaco está em seu caminho, quer saltar sobre este, ou dar a volta, depois retornando à sua trajetória circular original", relata o co-autor Sun Qiang, biólogo reprodutivo do Instituto.

A equipe efetuou uma bateria de testes comportamentais que demonstraram que todos os macacos tinham, pelo menos, um sintoma semelhante a autismo, como um comportamento repetitivo ou anti-social, e que foram mais graves nos machos, como é observado em pessoas com as duplicações do MECP2. Mas isso ainda não era suficiente para ter certeza de que os macacos eram um modelo de autismo - e um artigo que a equipe submeteu para publicação em 2013 foi rejeitado. Entre outras coisas, os revisores queriam saber se o comportamento incomum era apenas resultado de mexer com o genoma. "Precisávamos mostrar que o gene faz a diferença", lembra Qiu.

Essa oportunidade veio com a geração seguinte de macacos, que a equipe criou com uma velocidade sem precedentes. Quando os macacos fizeram 27 meses de idade e ainda não estavam sexualmente maduros, a equipe de Sun tomou testículos dos machos, amadureceu o tecido artificialmente enxertando-o sob a pele do dorso de ratos castrados, e usou o esperma resultante para fertilizar óvulos de macacos não-manipulados. A prole apresentou comportamento anti-social em cerca de 11 meses. Genes e sintomas pareciam ter passado para uma segunda geração, finalmente convencendo os revisores, diz Qiu.

O modelo macacos-cinomolgos é "superior" a modelos de rato de autismo porque "apresenta mais claramente alguns dos comportamentos do tipo autismo", comenta Alysson Muotri, pesquisa de células-tronco, autismo e síndrome de Rett na Universidade da Califórnia, San Diego. Mas ele acrescenta que os sintomas em ratos e macacos ainda parecem menos severos do que "aquele que realmente observamos em pacientes humanos". "Continua necessário verificar se o modelo pode realmente gerar novos insights sobre a condição humana", diz ele.

Huda Zoghbi, pioneira dos estudos de MECP2 em camundongos no Baylor College of Medicine em Houston, Texas, é ainda mais cauteloso. Os macacos não imitaram alguns dos sintomas da duplicação do MECP2 em humanos, como convulsões e problemas cognitivos graves, observa ela. Poderia ser porque a expressão do gene no modelo de macaco é acionada por um mecanismo diferente que em seres humanos - uma limitação que os autores reconhecem - e ela aconselha cautela na utilização do modelo para fazer suposições sobre o autismo humano.

Qiu, entretanto, está animado com a perspectiva de usar o modelo para identificar exatamente onde no cérebro a superexpressão do MECP2 causa problemas. Sua equipe já está usando a tecnologia de imageamento do cérebro em macacos para identificar tais áreas. Em seguida, os pesquisadores planejam usar a técnica de edição de gene CRISPR para desligar as cópias extras do MECP2 em células nessas regiões e, em seguida, verificar se os sintomas similares a autismo param.

É pouco provável que essa técnica venha a ser aprovada para uso em pessoas tão cedo. Mas as regiões identificadas no estudo com macacos podem ser associadas a outros tratamentos existentes, como a estimulação cerebral profunda, que tem tido sucesso no tratamento da doença de Parkinson e da depressão. Uma vez que a estrutura do cérebro do rato é tão diferente da humana, Qiu diz que o imageamento dos macacos permitirá que mais paralelos possam ser traçados com os seres humanos do que permitem os estudos ratos. Trabalhando com um hospital de saúde mental, a equipe também está tentando identificar os genes ligados ao autismo que são mais comuns na população chinesa.

Se primatas não-humanos provarem ser um modelo útil para transtornos psiquiátricos, China e outros países que estão investindo pesadamente em pesquisa com esses animais, como o Japão, podem ganhar vantagem na investigação do cérebro. Muotri diz que tais estudos provavelmente não seriam feitos nos Estados Unidos, onde a investigação em macacos é mais cara e controversa. "China e Japão têm uma clara vantagem sobre os EUA nesta área", comenta.

Cyranovski, David – Monkeys genetically modified to show autism symptoms. Nature. Vol. 529, nr. 7587, p 449. Macmillan Publishers Limited.
http://www.nature.com/news/monkeys-genetically-modified-to-show-autism-symptoms-1.19228


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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Legislação da Ética na Pesquisa em Seres Humanos: O Projeto de Lei n° 200


|Agência FAPESP | 5/2/2016 |

O debate “A Legislação da Ética na Pesquisa em Seres Humanos: O Projeto de Lei n° 200” será realizado no dia 16 de fevereiro de 2016 no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em São Paulo.

Encontra-se em tramitação no Senado Federal o Projeto de Lei nº 200/15, que tem o objetivo de simplificar o processo de avaliação de protocolos de pesquisa em seres humanos. Segundo o IEA, apesar do mérito da intenção, a forma como o projeto está redigido tem sido criticada por aqueles que o julgam incapaz de atender a ampla variedade de pesquisas conduzidas em seres humanos.
Para debater os prós e contras do projeto, a Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da USP, com apoio do IEA e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), realizará o debate a partir das 8h30, na Sala de Eventos do Instituto.

Será o quarto encontro da série “Strategic Workshops” da PRP-USP. Participarão pesquisadores com larga experiência no assunto, favoráveis e contrários ao projeto de lei.

A abertura do evento terá José Eduardo Krieger, pró-reitor de Pesquisa da USP, Martin Grossmann, diretor do IEA, e Marcos Buckeridge, presidente da Aciesp.

Os palestrantes serão: Paulo Marcelo Gehm Hoff, da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Dalton Luiz de Paula Ramos, da Faculdade de Odontologia da USP, Roger Chammas, da Faculdade de Medicina da USP, e Dirceu Greco, da Faculdade de Medicina da UFMG (só a sigla mesmo?).

Os organizadores do evento são: Harnoldo Colares Coelho (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto), Paolo Zanotto e Regina Scivoletto (Instituto de Ciências Biomédicas) e Hamilton Varela (Pró-Reitoria de Pesquisa e presidente da Comissão de Pesquisa do IEA), todos da USP.

O evento terá transmissão ao vivo pela internet, em www.iea.usp.br/aovivo.

Mais informações: www.iea.usp.br e (11) 3091-1686.
 
http://agencia.fapesp.br/agenda-detalhe/a_legislacao_da_tica_na_pesquisa_em_seres_humanos_o_projeto_de_lei_n_200/22655/

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terça-feira, 24 de julho de 2012

Autismo, esquizofrenia e transtorno bipolar podem compartilhar fatores subjacentes

| Science Daily | 2/7/2012 | Tradução Argemiro Garcia |

ScienceDaily (2 de julho de 2012) -
Uma nova pesquisa liderada pelo Dr. Patrick F. Sullivan, membro do Real Colégio Australiano e Neozelandês de Psiquiatras e médico geneticista da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, aponta para um maior risco de transtornos do espectro autista (TEA) entre indivíduos cujos pais ou irmãos foram diagnosticados com esquizofrenia ou transtorno bipolar.

As descobertas se baseiam em um estudo de caso-controle utilizando registros da população da Suécia e Israel. O grau em que esses três transtornos compartilham uma base de causalidade "tem implicações importantes para clínicos, pesquisadores e pessoas afetadas pelos distúrbios", de acordo com um relatório de pesquisa publicada online em 2 de julho de 2012 na revista Archives of General Psychiatry.

"Os resultados foram muito consistentes em amplas amostras de muitos países diferentes e nos levam a crer que autismo e esquizofrenia são mais parecidos do que pensávamos", disse Sullivan, professor do Departamento de Genética e diretor de Psquiatria Genômica na Universidade da Carolina do Norte.

Sullivan e colegas concluíram que a esquizofrenia nos pais foi associada a um risco quase três vezes maior de TEA em grupos de Estocolmo e toda a Suécia.

Esquizofrenia em um irmão também foi associada a cerca de duas vezes e meia o risco de autismo no grupo nacional sueco e um risco doze vezes maior em uma amostragem de recrutas militares israelenses. Os autores especulam que a última descoberta de Israel resultou de indivíduos com esquizofrenia inicial precoce, "que tem uma maior recorrência entre irmãos."

O transtorno bipolar mostrou um padrão semelhante de associação, mas de magnitude menor, indicam os resultados do estudo.

"Nossas descobertas sugerem que o TEA, a esquizofrenia e o transtorno bipolar compartilham fatores de risco etiológicos", afirmam os autores. "Sugerimos que futuras pesquisas poderiam tentar discernir os fatores de risco comuns a estas perturbações."

Os coautores do estudo junto com Sullivan são Cecilia Magnusson, MD, PhD, Christina M. Hultman, PhD, Niklas Langstrom, MD, PhD, Paul Lichtenstein, PhD, Marcus Bowman, BS, Christina Dalman, MD, PhD, Anna C. Svensson, PhD e Michael Lundberg, MPH, do Instituto Karolinska, de Estocolmo, Suécia; Abraham Reichenberg, PhD, Kings College, Londres, Inglaterra, Michael Davidson MD, e Mark Weiser, MD, Sheba Medical Center e Universidade de Tel Aviv, Israel, Eyal Fruchter, MD Israel Defense Force Medical Corp, Ramat Gan, Israel.

O estudo foi financiado em parte pelo Conselho Sueco de Pesquisa em Vida de Trabalho e Social, o Conselho de Pesquisa Sueco e a Fundação Beatriz e Samuel A. Seaver.

Autism, Schizophrenia and Bipolar Disorder May Share Common Underlying Factors, Family Histories Suggest
http://www.sciencedaily.com/releases/2012/07/120702210216.htm

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Estudo: papel do sistema imune no autismo

CALTECH (EUA) - Alterações específicas em um sistema imunológico hiperativo podem efetivamente contribuir para comportamentos autísticos em ratos, mostra nova pesquisa.


Cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), há uma década, foram pioneiros no estudo da ligação entre irregularidades no sistema imunológico e distúrbios do desenvolvimento neurológico, como o autismo. Desde então, estudos de cérebros post mortem e de indivíduos autistas, bem como estudos epidemiológicos, vêm apoiando a correlação entre as alterações no sistema imune e desordens do espectro autista.

O que permanecia sem resposta, todavia, é se essas alterações imunes desempenham um papel causal no desenvolvimento da condição ou são meramente um efeito colateral.

Agora, um novo estudo da Caltech sugere que alterações específicas de um sistema imunológico hiperativo podem efetivamente contribuir para comportamento autísticos em camundongos e que, em alguns casos, esta ativação pode estar relacionada ao que o feto experimentou em seu desenvolvimento no útero.

Os resultados aparecem em um artigo esta semana no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

"Já suspeitávamos que o sistema imunológico tem seu papel no desenvolvimento dos transtornos do espectro autista", diz Paul Patterson, professor de Ciências Biológicas da Caltech, que liderou o trabalho. "Em nossos estudos com um modelo-camundongo embasado em um fator de risco ambiental para o autismo, descobrimos que o sistema imunológico da mãe é um fator chave em eventuais comportamentos anormais da descendência."

O primeiro passo do trabalho foi estabelecer um modelo-camundongo que amarrasse os comportamentos relacionados ao autismo com alterações imunológicas. Diversos estudos epidemiológicos de vulto -incluindo um que acompanhou o histórico médico de cada pessoa nascida na Dinamarca entre 1980 e 2005 - encontraram uma correlação entre a infecção viral durante o primeiro trimestre da gravidez de uma mãe e um maior risco para o transtorno do espectro do autismo em seu filho.

Para modelar isso, os pesquisadores injetaram fêmeas de camundongo prenhas com uma imitação viral que desencadeou o mesmo tipo de resposta imune de uma infecção viral.

"Nos ratos, essa única agressão à mãe traduziu-se em alterações comportamentais e neuropatologias relacionadas ao autismo na prole", diz Elaine Hsiao, estudante de pós-graduação do laboratório de Patterson e principal autora do papel de PNAS.

A equipe observou que os filhotes apresentaram os principais sintomas comportamentais associados às desordens do espectro autista - comportamentos repetitivos ou estereotipados, diminuição da interação social e comunicação prejudicada.

Em camundongos, isso se traduz em comportamentos como enterrar compulsivamente mármores colocados em sua gaiola, auto-limpeza excessiva, passar maior tempo isolado ou com um brinquedo ao invés de interagir com outro rato, ou vocalizações ultra-som com menos frequência ou de uma forma alterada em relação ao ratinhos típicos.

Em seguida, os investigadores caracterizaram o sistema imunitário da descendência de mães que tinham sido infectadas e descobriu que a descendência exibia um certo número de alterações imunológicas. Algumas dessas mudanças são comparáveis àquelas observadas em pessoas autistas, incluindo diminuição dos níveis de células T reguladoras, que desempenham um papel fundamental na supressão da resposta imune.

Tomadas em conjunto, as alterações imunes observadas somam-se a um sistema imunológico hiperestimulado que causa inflamações.

"Notavelmente, vimos essas anormalidades imunológicas, tanto na descendência jovem como adulta de mães com o sistema imunológico ativado", diz Hsiao. "Isso nos diz que uma alteração pré-natal pode resultar em consequências a longo prazo para a saúde e desenvolvimento."

Com o modelo-camundongo criado, o grupo foi, então, capaz de testar se os problemas do sistema imunológico da prole contribuem para o autismo e os comportamentos relacionados. No teste mais revelador dessa hipótese, os pesquisadores foram capazes de corrigir muitos dos comportamentos autistas da prole de mães imuno-ativadas, dando à prole um transplante de medula óssea de camundongos normais.

As células tronco normais da medula óssea transplantada não só reabasteceram o sistema imune dos animais hospedeiros, mas alteraram suas deficiências comportamentais autistas.

Os investigadores enfatizam que, embora o trabalho tenha sido realizado em ratinhos, os resultados não podem ser diretamente extrapolados para seres humanos, e certamente não sugerem que transplantes de medula óssea devam ser considerados um tratamento para o autismo. Eles também têm ainda que estabelecer se foi a infusão de células tronco ou o procedimento de transplante de medula óssea em si - competa com irradiação - que corrigiu os comportamentos.

No entanto, Patterson diz que os resultados sugerem que irregularidades imunológicas em crianças pode ser um alvo importante para novas manipulações do sistema imunológico no tratamento dos comportamentos associados aos transtornos do espectro autista. Ao corrigir esses problemas imunológicos, diz ele, talvez seja possível melhorar alguns dos clássicos atrasos de desenvolvimento vistos no autismo.

Em estudos futuros, os pesquisadores planejam examinar os efeitos de tratamentos anti-inflamatórios altamente direcionados em ratos que apresentam comportamentos relacionados ao autismo e alterações imunológicas.

Também estão interessados em considerar as bactérias e microbiota gastrointestinais (GI) desses camundongos. O coautor Sarkis Mazmanian, professor de Biologia da Caltech, mostrou que as bactérias intestinais estão intimamente ligados à função do sistema imunológico. Ele e Patterson estão investigando se as alterações na microbiota desses ratos também podem influenciar os seus comportamentos relacionados ao autismo.

O trabalho foi financiado por uma bolsa de estudos Weatherstone da Autism Speaks, bolsa de Pós-Graduação dos National Institutes of Health, uma doação da Fundação Weston Havens, uma bolsa de Inovação Caltech O. Gregory e Jennifer W. Johnson, uma bolsa de inovação Caltech e um Programa de Pesquisa Dirigida pelo Prêmio Programa de Pesquisa Médica de Desenvolvimento de Idéias Dirigido Congressualmente.

Mais sobre a Caltech: http://media.caltech.edu/

Study: Immune system has role in autism

| Kimm Fesenmaier | Caltech | 18/7/2012 |
http://www.futurity.org/top-stories/study-supports-immune-system%E2%80%99s-role-in-autism/

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terça-feira, 12 de junho de 2012

Freezer desliga e banco de cérebros autistas se perde

Uma perda irreparável.

O maior banco de amostras de cérebros de pessoas autistas, que ficavam guardadas em um freezer do McLean Hospital, afiliado à Escola de Medicina de Harvard, foi profundamente danificado.

O Centro de Pesquisas de Tecidos Cerebrais de Harvard, do McLeans hospital, em Belmont, Massachussets, está investigando porque o aumento da temperatura não fez soar os dois alarmes de emergência. O freezer que desligou mantinha 150 amostras de cérebros, incluindo 53 cérebros de autistas destinados a pesquisas sobre a causa e tratamentos do autismo. Este material pertencia à coleção de 168 cérebros da Autism Speaks, um grupo de Nova York que armazenava parte dela no centro.

Em carta do Chefe do seu Departamento Científico, a Autism Speaks informou que houve perda de porções dos 53 cérebros, e que outras partes destes continuam disponíveis para outras pesquisas.

A Dra. Francine Benes, diretora do Centro de Pesquisas de Tecidos Cerebrais de Harvard, disse em entrevista que a perda vai atrasar a pesquisa sobre autismo: "Vai atrasar, ná há dúvida disso. A questão é: quanto vai atrasar?"

Brain-Bank Glitch Mars Research Into Autism
| Jennifer Levitz | The Wall Street Journal | 11/6/2012 |
http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303901504577460690416098130.html

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Novas drogas, nova esperança

| Julie Steenhuysen | MSNBC | Reuters | 21/05/2012 |


CHICAGO - Lynn e Neil Balter sempre tiveram medo do teatrinho da escola primária de seu filho Jack.

O pai de Jack o segura no colo e o beija. Foto de Joshua Lott, Agência Reuters.
17/5/2012 - Jack Balter, nove anos de idade, ganha um beijo do pai, Neil, em sua casa em Scottsdale, Arizona.
 Quando Jack estava no palco com os colegas, o barulho, as luzes, a multidão quase sempre o perturbavam, e ele "começava a rodar", vagando ao redor do palco ou girando em círculos, conta Lynn. "Geralmente, virava uma situação embaraçosa", acrescenta ela.

Mas em uma apresentação de dança na escola de Jack em Scottsdale, Arizona, em dezembro passado, foi diferente. "Ele estava uma batida atrasado na dança, mas fez a coisa toda", diz Neil. "Ele participou e tocou o barco com toda a classe."

Depois, a professora de Jack cumprimentou os Balters em lágrimas. "Eu não sei o que está acontecendo com esse garoto, mas é um milagre que isso aconteça, eu tenho um garoto diferente na escola", ela disse a eles.

Jack, 9 anos, tem autismo. O que a professora não sabia é que Jack participava de um teste clínico de um medicamento destinado a superar alguns dos prejuízos sociais associados ao autismo, um espectro de transtornos que vai de uma falta de jeito e interesses restritos, como visto na síndrome de Asperger, à comunicação grave e deficiência intelectual.

Durante anos, o melhor que os médicos foram capazes de oferecer aos pacientes com autismo era terapia intensiva e anti-psicóticos, drogas como o Risperdal da Johnson & Johnson, para atenuar alguns dos comportamentos extremos associados à sua condição - birras, agressividade e auto-flagelação. Anti-psicóticos tranquilam os pacientes. Mas não resolvem os problemas sociais e de comunicação que tornam impossível para muitas crianças autistas desenvolver maiores relacionamentos com suas famílias e colegas e crescer funcionando independentemente dos adultos.

Como a experiência de Jack sugere, isso pode estar prestes a mudar. Os pesquisadores estão realizando testes avançados das primeiras drogas expressamente destinadas a corrigir os problemas de sinalização induzidos geneticamente no cérebro que resultam em autismo. As primeiras indicações são positivas o suficiente para oferecer uma nova esperança para as famílias e despertar o interesse de empresas farmacêuticas.

Para os pacientes, esta investigação "pode não resolver o autismo, mas pode resolver a agressão e a sobrecarga sensorial que levam a uma série de questões comportamentais", diz Isaac Pessah, um pesquisador de autismo da Universidade da Califórnia em Davis, que não está envolvido nesses testes.

As empresas farmacêuticas suíças Novartis International AG e Roche Holding AG, bem como a empresa de capital fechado Seaside Therapeutics em Cambridge, Massachusetts, têm medicamentos em fase final de testes visando a síndrome do X Frágil, a forma mais comum de deficiência mental herdada e a causa genética conhecida mais comum do autismo. E, apesar de o X Frágil representar apenas uma pequena porcentagem de pacientes com autismo, estudos preliminares sugerem que a droga pode funcionar em outras formas de autismo, também.

Se os estudos atuais forem suficientes para satisfazer as agências reguladoras dos Estados Unidos, as primeiras drogas poderão estar disponível dentro de poucos anos e, se isso acontecer, servirão a uma população crescente. Os últimos dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças estimam que cerca de 1 em 88 crianças nos Estados Unidos têm autismo, quase dobrando a taxa de 2002.

Mesmo assim, o número de estudos de drogas permanece pequeno e os próprios ensaios têm sido relativamente poucos. Daqueles que foram completados, o efeito tem sido dramática em alguns pacientes, mas desprezível nos demais.

"Este é um novo dia, e isso é instigante", diz o Dr. Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda, Maryland, um dos Institutos Nacionais de Saúde. "Mas temos que ter o pé no chão e lembrar que podem haver muitas falhas ao longo do caminho antes de chegar a um tratamento que seja eficaz e seguro."

Cientista louco

Quando pequeno, Jack Balter era hiperativo. Ele ficava hipnotizado pelas rodas dos caminhões de brinquedo ou qualquer outra coisa que girasse, ficava na ponta dos pés, tapava os ouvidos - todos os sinais clássicos do autismo. "Sequer sabíamos o que era o autismo, por isso não sabíamos que era algo fora do comum", diz Lynn, 52.
Joshua Lott / Reuters - Jack Balter joga cabo-de-guerra com a irmã Brianna em sua casa em Scottsdale, Arizona, em 17 de maio.
Jack Balter joga cabo-de-guerra com a irmã Brianna.

Jack foi diagnosticado com autismo um pouco antes de seu terceiro aniversário. Desde então, teve cerca de 60 horas de terapia intensiva por semana, incluindo a fala, fisioterapia e terapia interação social. Cerca de 10 por cento das crianças autistas que recebem terapia intensiva "florescem", tendo uma rápida melhora à medida que crescem, de acordo com um recente estudo publicado na revista Pediatrics.

"Tivemos sorte. Ele respondeu", diz Lynn. Jack está agora em uma classe de aula regular, com um cuidador em tempo integral.

Em um vídeo familiar postado no YouTube, Jack coloca para fora suas ambições: "Por fora, sou apenas um garoto normal, mas, por dentro, eu sou um cientista louco.". Ele diz que, quando crescer, ele quer ser oceanógrafo, meteorologista, climatologista, vulcanólogo e sismólogo.

Mas, mesmo com a terapia, Jack luta para interagir com o mundo à sua volta, falando cansativamente sobre seus temas favoritos, sem nunca praticar esportes ou assistir desenhos animados, ficando muito perto das pessoas. Para outras crianças, ele parece estranho.

"Ele sempre esteve em seu próprio túnel", diz Lynn.

Em novembro passado, Jack foi inscrito em um teste do composto STX209 da Seaside, ou arbaclofen. Arbaclofen contém um dos ingredientes ativos de um medicamento mais antigo, baclofen, que tem sido utilizado desde 1960 para o tratamento de paralisia cerebral.

Jack fazia parte de um estudo aleatório com 150 crianças com autismo. Nem seus pais nem seus médicos sabiam se ele recebeu a droga ou um placebo.

Os pais de Jack estão convencido de que ele toma o remédio. Neil, de 51 anos, que fundou a empresa de armários personalizados California Closets aos 17 anos e agora tem outro negócio semelhante em casa, plotou em um gráfico o progresso de Jack durante os testes. "Você pode ver, quando ele chegou à dose de 10 miligramas, aos 18 dias", ele chegou em casa com um relatório positivo da professora, Neil diz.

Os professores não sabiam sobre o teste, mas sabiam que, de repente, algo ficara diferente. Carrie Cunningham, professora de Jack na terceira série, diz que o menino estava mais concentrado e conseguia se expressar melhor e suas emoções estavam na maior parte em cheque. "Sua auxiliar e eu notamos uma mudança quase que imediatamente", ela conta.

Elas também perceberam quando o ensaio terminou. "Foi um pesadelo", diz Cunningham. "Tudo de repente, tudo trazia lágrimas aos seus olhos. Tudo era uma batalha."

Duas semanas mais tarde, Jack começou em um estudo de acompanhamento em que seus pais sabem que ele está recebendo a droga, e Jack mais uma vez melhorou.

Neil diz que, numa escala de 1 a 10, com 1 sendo uma deficiência grave e 10 sendo normal, ele costuma pensar em Jack como um 5. Desde que Jack passou a tomar arbaclofen, Neil o vê nos 7,5.

New drugs, fresh hope for autism patients
http://www.msnbc.msn.com/id/47630513/ns/health-mental_health/


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sexta-feira, 18 de maio de 2012

UE quer saber mais sobre o autismo em mulheres

| Angélica Gonzalez | Diario de Burgos | Valladolid | 17/5/2012 |

Dar uma perspectiva de gênero para a pesquisa médica ou científica, muitas vezes traz surpresas e, acima de tudo, ajuda a corrigir erros que foram cometidos ao tratar mulheres do mesmo ponto de vista que aos homens. Assim tem ocorrido com doenças cardíacas, alguns transtornos mentais e, agora, em uma iniciativa financiada pela União Europeia, os Transtornos do Espectro Autista (TEA).

A associação Autismo Burgos, representando a Espanha, junto com outras quatro entidades da Grã-Bretanha, Portugal, Eslovênia e Lituânia, desenvolverá até 2014 o projeto Autism in Pink (Autismo em Rosa), com o objetivo de melhorar o conhecimento, diagnóstico e a atenção recebidos por meninas e mulheres com esta deficiência.

"O fato de que as meninas têm algumas habilidades sociais mais desenvolvidas que os meninos faz com que o seu diagnóstico seja mais tardio, ou mesmo que sejam subdiagnosticadas, levando a que o autismo ou a síndrome de Asperger sejam interpretados, por exemplo, como um transtorno de conduta alimentar." Assim explica Javier Arnaiz, orientador do Colégio El Alba, que diz que, para cada três homens diagnosticados com autismo, há uma mulher, e uma em cada oito com síndrome de Asperger.

Nesse sentido, destacou que algumas meninas com esse autismo de alto funcionamento passam despercebidas porque têm boas habilidades sociais, o que se torna um problema na adolescência frente circunstâncias como abusos, na escola ou sexuais, ou o uso de drogas.

Essa "camuflagem" do transtorno implica que podem não ter o apoio de que necessitam. Essa é a mola mestra do Projeto Pink é o motor que irá desenvolver uma proposta de trabalho específico para as mulheres que incluem aspectos como a identidade de gênero, saúde mental e relações interpessoais (amigos e familiares).

Reduto Maculino

Os programas educacionais e sociais específicos que foram desenvolvidos até agora só levaram em conta as necessidades de intervenção para o gênero masculino, porque este é tipicamente associado ao autismo. Tanto é assim que, segundo Javier Arnaiz, há uma teoria que afirma que o autismo é a expressão máxima da personalidade do homem: "Não há, portanto, programas ou modelos que fazem referência às necessidades e interesses das mulheres com TEA e as prepare para reagir em situações sociais tipicamente femininas, como fazer compras ou encontrar-se com rapazes."

O projeto Pink vai definir uma formação específica para cuidadores, familiares, professores e outros especialistas, apresentando os desafios que as mulheres com autismo enfrentam e ajudar a resolvê-los. Em última análise, se trata de gerar uma melhor compreensão de como o autismo afeta, especificamente o sexo feminino.

O projeto é ambicioso, porque pretende desenvolver uma série de iniciativas: módulos de formação específicos para famílias e profissionais; uma pesquisa sobre a prevalência, necessidades, diagnóstico, características e transtornos mentais associados, nas mulheres com Síndrome de Asperger; um site e um documentário; um livro virtual com testemunhos de vida; grupos de trabalho com familiares de mulheres afetadas, participação das com TEA em duas conferências internacionais sobre autismo e um acampamento na Lituânia.

La UE se propone conocer mejor el autismo en las mujeres
Angélica González / Valladolid - jueves, 17 de mayo de 2012
http://www.diariodeburgos.es/noticia/Z7321BB56-9754-C157-795892F63080B910/20120517/ue/propone/conocer/mejor/autismo/mujeres

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pesquisa relaciona autismo e obesidade na gravidez

Pesquisadores da Universidade da Califórnia alertam num estudo publicado na revista Pediatrics que as mães obesas têm um risco até três vezes maior de ter filhos com autismo. O estudo mostrou a relação entre doenças do metabolismo como a obesidade, diabetes ou hipertensão com o neurodesenvolvimento das crianças. Mulheres com essas condições têm 1,61 vezes mais chances de ter crianças com transtornos do espectro autista - e 2,35 vezes mais chances de ter crianças com atrasos do desenvolvimento.
Foram analisadas 1.004 crianças californianas com idades entre 2 e 5 anos que participavam de um estudo sobre uaitsmo. Dentre elas, 517 tinham algum transtorno do espectro autista, 172 tinham atrasos do desenvolvimento e 315 mostraram desenvolvimento normal. O estudo concluiu que 29% das crianças diagnosticadas nos primeiros anos de vida com autismo eram filhas de mães com uma doença metabólica, o mesmo para 35% das crianças com algum tipo de distúrbio no desenvolvimento mental; mães obesas mostraram 1,67 vezes mais chances de ter crianças cmo autismo, mesmo analisando ocnjuntamente outros fatores, como nível escolar, etnia e idade. Mães com diabetes mostraram 2,33 vezes mais probabilidade de ter crianças com atrasos no desenvolvimento; os autores não observaram relação entre a diabetes e o autismo.
Os investigadores sugerem que condições de diabetes mal controladas durante a gravidez podem resultar numa exposição prolongada do feto a elevados níveis de glucose, o que aumenta a produção de insulina na criança e ao mesmo tempo poderá roubar oxigénio necessário ao desenvolvimento. O estudo sugere que este tipo de relações é particularmente importante quando nos EUA, onde foi feito este estudo, mais de 60% das mães têm excesso de peso e 9% são diabéticas.
Outros pesquisadores, no entanto, lembraram que foi observada uma associação; não se provou que obesidade ou diabetes contribuem para o autismo.
-"É tentador dizer: 'Puxa, temos um aumento da obesidade e um aumento do autismo - deve haver uma forte conexão entre ambos' " - provocou Andrew Adesman, chefe de Pediatria Comportamental e Desenvolvimental do Centro Médico Infantil Alexandra Cohen Children, de Nova York, que não participou do estudo. E concluiu: "Precisamos ter muito cuidado antes de fazer essa leitura."
Irva Hertz-Picciotto, epidemiologista da Universidade da Califórnia, campus Davis, e autora sênior do artigo concorda ser prematuro afirmar que a obesidade das mães causa autismo nas crianças. Mas se trabalhos posteriores confirmarem as descobertas, acrescenta, "a parte boa é que é modificável, pode ser controlado."
Study finds link between autism and obesity during pregnancy
08/04/2012 - Los Angeles Times
http://www.latimes.com/health/la-he-autism-obese-mothers-20120409,0,1741964.story
Obesidade materna aumenta risco de autismo
09/04/2012 - RCM Pharma
http://www.rcmpharma.com/actualidade/id/09-04-12/obesidade-materna-aumenta-risco-de-autismo

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sexta-feira, 30 de março de 2012

Número de casos de autismo teria aumentado nos EUA

| 30/3/2012 |

Estudo divulgado no dia 29 de março último em documento do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos afirma que o número de crianças identificadas como tendo autismo cresceu, chegando ao valor de uma para cada 88. Esta nova estatística representa um aumento de 23% em relação aos valores divulgados há dois anos.

As autoridades do CDC, em entrevista concedida à imprensa, disseram acreditar que esse resultado claramente é o aumento dos diagnósticos, mas que as pesquisas se direcionam para buscar identificar se outros fatores - genéticos ou ambientais - representam algum papel nessa história.

Em entrevista à rede CNN, Mark Roithmayr, presidente da ONG norte-americana Autism Speaks, afirmou que os números são resultado de "diagnósticos melhores, mais amplos [que consideram mais pessoas como autistas] e uns 50% que nós não sabemos como explicar".

Em reportagem da Folha de São Paulo, Estevão Vadasz, coordenador do Programa Transtornos do Espectro Autista do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, disse que esse número recém-divulgado não inspira muita confiança. Sem ver motivos para um aumento do número de casos, ele pensa que se trata de uma melhora nos diagnósticos e maior informação para as famílias que, segundo ele, "correm atrás".

O estudo do CDC indica, aidna, que o autismo é mais comum em crianças brancas do que nas negras ou hispânicas; estudos anteriores mostraram que essa é uma das poucas deficiências de comportamento com maior probabilidade de ocorrer em crianças de uma condição socio-econômica mais privilegiada.

Por outro lado, o estudo mostra justamente que o maior aumento de diagnóstico tem sido observado nas comunidades negras e hispânicas. O estudo também mostrou diferenças significativas entre os Estados. Mas os pesquisadores consideram que, provavelmente, esse resultado reflete, acima de tudo, a postura mais contundente de escolas e serviços de saúde e não disparidades na prevalência da condição. Das 14 comunidades estudadas em detalhe, as taxas foram mais altas em Utah (1 em cada 47 crianças) e menor no Alabama (1 em cada 210 crianças). Nenhum Estado da Nova Inglaterra foi analisado.

O estudo focalizou o número de crianças que, do nascimento aos oito anos, mostraram comportamentos consistentes com autismo, TGD ou síndrome de Asperger - mesmo que não tenham sido assim diagnosticadas. Os pesquisadores reviram as avaliações escolares e os registros médicos para determinar se poderiam ser contabilizadas.

Depois, os pesquiadores calcularam a frequência com que os comportamentos compatíveis com os transtornos do espectro autista (TEA) apareceram na vida de crianças com 8 anos nas comunidades selecionadas em 2008. A taxa foi de 11,3 por mil - ou uma em cada 88 crianças. Em 2000, o CDC encontrou 6,7 crianças com TEA para cada mil.

O diretor do CDC afirma, assim, que "uma coisa os dados nos dizem, certamente: há muitas crianças e famílias precisando de ajuda" disse o diretor do CDC, Thomas Freiden. "Precisamos continuar a rastrear os transtornos do espectro autista porque essa é a informação que as comundiades precisam para dirigir recursos para serviços que ajudem as crianças."

Foi observada a taxa de 18,4 casos por mil meninos, comparando com quatro por mil meninas. Em termos de raça, a prevalência estimada foi de 12 casos por mil para crianças brancas não-hispânicas; 10,2 casos para crianças negras não-hispânicas e 7,9 casos por mil para crianças hispânicas.

O estudo ainda mostrou um aumento de 12 por cento no diagnóstico até os três anos de idade para crianças nascidas em 1994, para 18 por cento para as crianças nascidas em 2000. Os especialistas lembram que isso é importante, pois a intervenção precoce faz um diferença crítica para estas crianças. Apesar destes ganhos, Collen Noyle, diretor do Centro Nacional para Deficiências no Nascimento e no Desenvolvimento, disse que esforços mais intensos são necessários para diagnosticar as crianças precocemente.

"Infelizmente, 40 por cento das crianças desse estudo não receberam diagnóstico antes dos quatro anos. Trabalhamos duro para mudar esse quadro," disse Boyle no documento do CDC.

Autism rate rises to 1 in 88 children in US, CDC reports
| Boston.com/Health | 29/03/2012

http://www.boston.com/Boston/dailydose/2012/03/autism-rate-rises-children-cdc-reports/qopVSsT4i14OZOXUAWBQiJ/index.html


Casos de autismo crescem 78% em oito anos nos EUA
| Folha de São Paulo | 30/03/2012 |

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/34181-casos-de-autismo-crescem-78-em-oito-anos-nos-eua.shtml


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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fumar durante a gravidez não causa autismo em crianças

Fumar durante a gravidez não causa autismo em crianças

| Zeenews | 13/1/2012 |

Washington: Um novo estudo refutou qualquer ligação entre o fumo durante a gravidez e transtornos do espectro do autismo (ASD) em crianças.

Pesquisadores têm considerado uma variedade de exposições a substâncias químicas no ambiente durante a gravidez e primeiros anos de vida como possíveis fatores a contribuir para o desenvolvimento de transtornos do espectro do autismo.

Muitos consideraram a exposição pré-natal ao fumo do tabaco uma causa possível devido a associações conhecidas com distúrbios comportamentais e complicações obstétricas.

Estudos anteriores do tabagismo materno e autismo tiveram resultados divergentes.

"Não encontramos nenhuma evidência de que o tabagismo materno durante a gravidez aumenta o risco de transtornos do espectro do autismo", afirmou Dr. Brian Lee, epidemiologista da Drexel’s School of Public Health que liderou a pesquisa, em colaboração com pesquisadores do Institute Karolinska, da Suécia, e da Universidade de Bristol.

No estudo, Lee e colegas analisaram dados de registros nacionais suecos e regionais para um conjunto de 3.958 crianças com transtornos do espectro do autismo, junto com um conjunto de controle de 38.983 crianças nascidas durante o mesmo período que não receberam diagnóstico de TEA.

Globalmente, 19,8 por cento dos casos de TEA foram expostos a tabagismo materno durante a gravidez, em comparação com 18,4 por cento dos casos controle. Essas taxas, quando as análises não foram ajustadas a outros fatores, indicaram uma associação entre tabagismo materno e as chances de um transtorno do espectro do autismo. No entanto, essa ligação desapareceu quando a análise foi ajustada para fatores sociodemográficos, como o nível de renda, educação e profissão dos pais.

O relatório ajuda a tranquilizar as mães que fumaram durante a gravidez de que seu comportamento não foi o provável responsável do autismo de seu filho, disse Lee, e "exclui mais um suspeito de fazer parte da lista de possíveis fatores de risco ambientais para os TEA".

No entanto, o pesquisador advertiu que fumar durante a gravidez continua sendo pouco saudável para as mães, apresentando outros riscos conhecidos para seus bebês.

O estudo será publicado na próxima edição do Journal of Autism and Developmental Disorders.

Lee recebeu seu Ph.D. e M.H.S. em Epidemiologia pela Johns Hopkins University, e graduou-se Cum laude em Antropologia Biológica pela Universidade de Harvard. Suas pesquisas incluem a epidemiologia de doenças neurológicas do desenvolvimento, manutenção e declínio, incluindo exposições ambientais pré-natais e risco para autismo; interação gene-ambiente; e métodos epidemiológicos, incluindo a metodologia de inferência causal, coleta de dados e algoritmos de aprendizagem de máquinas. Recentemente, recebeu da Autism Speaks um subsídio de 3 anos para estudar se anormalidades precoces do sistema imunológico estariam associadas ao risco de desenvolvimento de transtornos do espectro autista.

O estudo do risco materno de fumar foi financiado pelo Conselho de Estocolmo.

No Link Found Between Prenatal Exposure to Tobacco Smoke and Autism, Swedish Study Finds
http://www.sciencedaily.com/releases/2012/01/120112193220.htm


Smoking during pregnancy does not cause autism in children
http://zeenews.india.com/news/health/diseases/smoking-during-pregnancy-does-not-cause-autism-in-children_15247.html


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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Portugal pesquisa uso de robôs para crianças autistas

A portuguesa Universidade do Minho tem um projeto de apoio a crianças e jovens autistas baseado em robôs como meio de comunicação e interação.

Pesquisadores da Universidade do Minho, em conjunto com a APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental), de Braga, desenvolvem um projeto para o uso de robôs, visando a melhora de suas habilidades de interação e comunicação com as demais pessoas.

Os resultados são promissores. Há alunos que já conseguem sentar-se num local diferente para brincar com o robô ou realizar uma atividade com algum colega, como o fizeram com o robô.

Filomena Soares, investigadora responsável pelo projeto, ressalta: "Revelou-se determinante o papel da APPACDM, que acabou por facilitar a interação que proporcionou contactos durante o projeto, assim como uma ação de divulgação e partilha onde todos participaram".

O projeto pode crescer e sair de Braga, chegando a outras cidades. O Ministério da Educação entrou em contato com outras unidades de ensino estruturado. Além de Braga, o grupo de investigadores do Minho irá trabalhar, por agora, com usuários de Arouca, Barcelos e Leça da Palmeira.

A equipe deste projeto é constituída por três pesquisadores e um doutorando de Engenharia Eletrônica industrial, mais um pesquisador da Educação, um mestrando de Engenharia Biomédica, uma psicóloga da APPACDM de Braga e dois de pesquisa.

Robôs para estimular alunos autistas
| Sara R. Oliveira | Educare.pt | 30/11/2011 |

http://www.educare.pt/educare/Atualidade.Noticia.aspx?contentid=B1152573BC7A8FE2E0400A0AB8004F20&opsel=1&channelid=0

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pesquisa com síndrome de Timothy sugere causa para o autismo

Nova pesquisa, liderada pelos médicos Sergiu Pasca e Ricardo Dolmetsch, da Univeesidade de Stanford, usando células tronco de pluripotência induzida e transformadas em neurônios lança nova luz sobre o autismo. Neurocientistas da Universidade de Stanford, usando células da pele de meninos com a síndrome de Timothy, uma rara condição que tem, entre outros sintomas, um tipo de autismo muito intenso. A pesquisa Using iPSC-derived neurons to uncover cellular phenotypes associated with Timothy syndrome foi publicada na revista Nature Medicine.

Os pesquisadores partiram da hipótese de que, nessa síndrome, o autismo é causado por uma mutação que interfere na comunicação e no desenvolvimento dos neurônios, especificamente, nos canais de cálcio nas suas membranas celulares. O fluxo de cálcio permite que os neurônios acendam e a forma com que elé regulado é um fator central no funcionamento do cérebro.

Também foi descoberto que o crescimento das células cerebrais desses pacientes resulta em menos células que conectam as metades do cérebro, assim como se observou uma superprodução dos neurotransmissores dopamina e norepinefrina. Também se descobriu que é possível reverter esses efeitos com o bloqueio químico desses canais alterados.

Dolmetsch e colegas, usando células da pele de crianças com síndrome de Timothy, criaram meurônios, aparentemente usando a mesma técnica da equipe de Alysson Muotri. Em um meio nutriente, as células formaram uma estrutura tridimensional semelhante à que se imagina existir no cérebro. Observou-se que os neurônios assim formados têm, nas espinhas, níveis de cálcio maiores que o normal, sugerindo que estes teriam perdido a capacidade de desligarem-se. Esta situação traz dramáticas mudanças na sinalização neuronal, reconfigurando como os genes se expressam.

Pasca and Dolmetsch, então supuseram que o crescimento dos neurônios da síndrome de Timothy muito da enzima mais crítica para a produção de dopamina e norepinefrina, que tem importante papel no processamento sensorial e no comportamento social. A ideia pode dar pistas sobre o que causa os problemas vistos no autismo.

Para determinar se o aumento da enzima seria reversível, os neurônios foram tratados com uma substância que bloqueia os canais de cálcio deficientes, a roscovitina.

Houve perto de 70 por cento de redução na proporção de células a produzir a enzima, confirmando que os canais de cálcio deficientes eram os culpados no excesso de produção de dopamina e norepinefrina. Tal reversibilidade sugere que certas alterações celulares no autismo podem ser tratadas.

Dolmetsch alerta, entretanto, que a roscovitina não é autorizada para o uso em humanos e nunca foi testada em crianças. Tem sido usada em testes clínicos para o câncer de pulmão, quando são reportados náusea e outros efeitos colaterais.

“Os efeitos colaterais reportados provavelmente se devem ao fato de que, em adição a atingir os canais que sofreram mutação no autismo, a roscovitina também inibe as quinases que são necessárias para a proliferação das células,” ele explica. “Pensamos que a roscovitina é um bom ponto de partida, mas provavelmente prcisa ser otimizada antes de ser útil para o autismo.”

Using Skin-Cell Research to Probe Cellular Basis of Autism
http://psychcentral.com/news/2011/11/28/using-skin-cell-research-to-probe-cellular-basis-of-autism/31942.html


Las neuronas cultivadas a partir de células de la piel pueden dar pistas sobre el autismo
http://www.europapress.es/salud/noticia-neuronas-cultivadas-partir-celulas-piel-pueden-dar-pistas-autismo-20111128094435.html


Células da pele podem ajudar a entender autismo
http://www.boasnoticias.pt/noticias_C%C3%A9lulas-da-pele-podem-ajudar-a-entender-autismo_9034.html


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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A mudança do papel das mulheres em nossa sociedade está por trás do aumento no autismo nos últimos 30 anos?

| Michael Hanlon | 23 de novembro de 2011 |

A epidemia de autismo vista na maioria dos países ocidentais nos últimos 30 anos é um dos grandes mistérios médicos do nosso tempo.

A causa não pode ser alguma grande mudança genética - simplesmente não houve tempo suficiente para isto ter acontecido.

Nossas dietas não são extremamente diferentes e não há nada que sugira qualquer outro aspecto do nosso estilo de vida pode ser o culpado.

A bizarra hipótese de que certas combinações de vacinas dadas às crianças seria a culpada, já foi completamente desacreditada.

Uma "explicação" é, certamente, um excesso de diagnósticos; 50 anos atrás, falava-se em "autismo" de forma muito restrita, era considerado uma deficiência mental grave, da qual seus portadores estariam impedidos de assumir um lugar na sociedade.

Agora, crianças que sejam simplesmente um pouco obsessivas, ou que apresentem sinais de disfunção social, são rotineiramente rotuladas no "espectro autista" ou tendo "síndrome de Asperger".

Mas o diagnóstico escessivo não pode explicar completamente a ascensão - de 1-em-2500 nos Estados Unidos para cerca de 1 por cento hoje (com taxas semelhantes no Reino Unido).

Há alguns anos, o professor Simon Baron-Cohen (primo do comediante e ator Sacha), psicólogo da Universidade de Cambridge, veio a desenvolver a teoria de que algo chamado 'acasalamento seletivo' poderia ser pelo menos parcialmente responsável pelo aumento espetacular de diagnósticos de autismo.

A teoria afirma que, quando as pessoas com personalidade fortemente 'sistematizadora' - o tipo de pessoas que se tornam engenheiros, cirurgiões, especialistas em informática ou brilham em alguns aspectos do mundo dos negócios - se casam entre si e têm filhos, os efeitos desse tipo de "cérebro masculino" são geneticamente ampliados, aumentando as chances de gerar uma criança autista - que o Prof Baron-Cohen suspeita ter "cérebro masculino ao extremo".

Fortes "sistematizadores" são, muitas vezes um pouco obsessivos, perfeccionistas e dão grandes cientistas; muitas vezes são extremamente talentosos na música. Mas às vezes têm dificuldades para interagir socialmente com outras pessoas - uma combinação de características que podem misturar-se no suave final do espectro autista.

O Centro de Pesquisa de Autismo da Universidade de Cambridge agora está solicitando aos membros do público que são graduados, e a seus pais, que participem de uma pesquisa que vai investigar eventuais ligações entre desempenho educacional, o tipo de trabalho que exercem e como seus filhos se desenvolvem.

Especificamente, o novo estudo tentará descobrir se dois "fortes sistematizadores" de fato têm maior chance de gerar filhos autistas.

A teoria do Professor Baron-Cohen certamente é plausível.

Alguns dos mais fortes aumentos de diagnóstico de autismo foram encontrados no Vale do Silício, na Califórnia - onde talvez haja a maior população de sistematizadores de sucesso na Terra, as dezenas de milhares de técnicos, engenheiros e programadores que trabalham na indústria de computadores. Inevitavelmente, muitas dessas pessoas se casam (agora existem muitas mulheres trabalhando em TI, o que não era não o caso, há uma geração) e isso é uma boa, embora circunstancial, evidência da ligação entre sistematização e autismo.

Mas o que dizer de outros lugares? Por que o aumento no autismo em quase todos os lugares? Uma resposta poderia ser a mudança do papel das mulheres em geral, visto nos últimos 100 anos.

Até relativamente pouco tempo, ser excepcionalmente brilhante não era muito útil para quem fosse do sexo feminino. Na Inglaterra vitoriana, por exemplo, as oportunidades para uma mulher ganhar a vida através de suaa inteligência, por si só eram extremamente limitadas.

Segundo o Censo de 1901, havia menos de uma centena de médicas registradas em todo o Reino Unido.

Ir para a universidade era difícil e caro - a maioria sequer permitia que as meninas estudassem. Certamente havia poucas oportunidades de carreira em Engenharia ou Ciências.

A mulher poderia se tornar professora, governanta ou, talvez, se fosse excepcionalmente talentosa, ganhar a vida escrevendo, ou nas artes. A maioria das profissões eram fechadas, assim como o mundo dos negócios.

Mulheres inteligentes não eram sequer vistas como parceiras especialmente desejáveis. Os homens inteligentes ou ricos escolhiam noivas em razão da aparência, "criação", ou ambos.

Ter um QI de 140 provavelmente contaria contra. A imagem tradicional da "loura burra" pendurada do braço do político ou empresário bem-sucedido era um horrível clichê, mas tinha um fundo de verdade.

E em qualquer caso, as mulheres muito inteligentes seriam muitas vezes loucas se casassem. Até a década de 1880, mulheres britânicas que se casassem sequer podiam possuir seus próprios bens. Se tivesse um emprego, muitos patrões automaticamente despediriam uma garota no momento em que aparecesse com um anel de noivado. Assim, muitas mulheres inteligentes, "sistematizadoras", simplesmente não se casaram, ou o fizeram tarde e, provavelmente, tiveram menos filhos quando o casaram.

Agora, tudo mudou. Não apenas as barreiras legais e sociais para as mulheres trabalharem em condições de igualdade foram em grande parte desmanteladas, como também temos o fenômeno da desejável 'alpha feminina". Cinqüenta anos atrás, muitos homens tinham medo de mulheres inteligentes. Agora, cada vez mais, os machos alfa quer alguém igual a eles ou mesmo superior.

Cinqüenta anos atrás, pilotos de avião tipicamente masculino casavam com aeromoças. Agora, se casam com mulheres pilotos. Os médicos costumavam casar-se com enfermeiras, agora eles se casam com médicas.

As esposas de políticos bem-sucedidos são, cada vez mais, bem sucedido por si mesmas - e, claro, há muitas mulheres políticas bem-sucedidas.

O Professr Baron-Cohen assinala que "as fêmeas alfa" não são necessariamente fortes sistematizadoras.

Ser um político brilhante ou escritor não pode exigir um tipo de "cérebro masculino" geek que pode estar por trás do aumento do autismo.

Mas o fenômeno de casar-com-semelhante pode ter conseqüências completamente inesperadas que vão muito além da mera igualdade de oportunidades para as mulheres.

É uma teoria fascinante. Aguardamos os resultados do novo estudo com interesse.

Fonte (em 25/11/2011):
Is the changing role of women in our society behind the rise in autism in the past 30 years?

http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2064834/Is-changing-role-women-society-rise-autism-past-30-years.html

Informação complementar:
Mulheres entraram na ciência pela cozinha
| Elton Alisson | 16/11/2011 | Agência FAPESP |
http://agencia.fapesp.br/14780

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

UFSCar sedia evento sobre comportamento autista

| Elton Alisson |Agência FAPESP | 22/11/2011 |

A pesquisa sobre o autismo – uma disfunção global do desenvolvimento que afeta as capacidades de comunicação, socialização e de comportamento de milhares de pessoas em todo o mundo – vem obtendo avanços nos últimos anos que apontam para a melhoria no seu tratamento.

Alguns desses avanços serão discutidos entre os dias 9 a 13 de janeiro na Escola São Paulo de Ciência Avançada, com o apoio da Fapesp: Avanços na Pesquisa e no Tratamento do Comportamento Autista (ESPCA: Autism), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O evento é organizado pelo professor Antônio Celso de Noronha Goyos, do Departamento de Psicologia da UFSCar, em parceria com os pesquisadores Caio Miguel, da California State University, e Thomas Higbee, da Utah State University, nos Estados Unidos.

A escola reunirá 40 estudantes de graduação, pós-graduação e pós-doutorado do Brasil e 25 do exterior, que terão aulas com 31 pesquisadores consagrados nas áreas de genética, medicina molecular e tratamento comportamental do autismo, sendo nove brasileiros e 22 provenientes de países como os Estados Unidos, Canadá, Noruega e Espanha.

Entre os pesquisadores do exterior estarão Brian Iwata, da Universidade da Flórida, e Douglas Greer, da Columbia University, ambos dos Estados Unidos. Maria Rita dos Santos e Passos Bueno, professora da Universidade de São Paulo (USP), e Alysson Renato Muotri, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, serão alguns dos professores brasileiros.

Bueno tem se dedicado a estudos na área de genética do autismo, realizando mais recentemente pesquisas com células-tronco para compreensão dos mecanismos genéticos associados ao distúrbio neurológico.

Muotri, que realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado com bolsa da FAPESP, anunciou, no fim de 2010, ter conseguido acompanhar, pela primeira vez, o desenvolvimento de neurônios derivados de pacientes com comportamento autista (síndrome de Rett) e revertê-los ao estado normal. O pesquisador acredita que seu estudo abriu a perspectiva de, no futuro, reverter os sintomas do autismo.

“A pesquisa e o tratamento dos pacientes com autismo têm avançado muito nos últimos anos, principalmente em áreas como o desenvolvimento da linguagem e social. E não há, no Brasil, grupos de pesquisa bem estruturados nessa área, como existem nos Estados Unidos e na Europa”, disse Goyos, o organizador do evento, à Agência FAPESP.

De acordo com ele, apesar da excelência, as pesquisas realizadas no país na área são pulverizadas e têm maior ênfase no diagnóstico do que no tratamento dos pacientes, que, quanto mais cedo e de forma intensa for realizado, maiores e melhores são as chances de recuperação. Além disso, a capacitação dos profissionais que atuam no tratamento do distúrbio neurológico, nos níveis clínico e escolar, também é bastante deficiente.

Com base nessa constatação, a programação da ESPCA: Autism foi planejada para possibilitar tanto a formação e atualização de profissionais especializados no atendimento e tratamento de pacientes autistas no país, como também para fomentar a consolidação de grupos de pesquisa na área, especialmente no Estado de São Paulo.

“O único programa de pós-graduação dedicado totalmente à educação especial em todo o Brasil está na UFSCar. É preciso criar mais programas de pós-graduação como esse para atender à demanda e transformar São Paulo em um pólo de formação de pesquisadores nessa área”, sugeriu Goyos.

Aberta ao público

A sessão de abertura da Escola terá entrada livre para o público em geral. Após a solenidade, haverá um painel de discussão, composto por pesquisadores convidados para a Escola, que apresentarão perspectivas dos estudos nas três áreas que produzem o maior número de pesquisas atualmente sobre autismo: genética, medicina molecular e análise comportamental.

A programação do evento será composta por workshops e apresentações orais de pesquisas básicas e avançadas pelos pesquisadores e professores convidados, e sessão de apresentação de pôsteres pelos estudantes participantes.

Os interessados em assistir alguma das apresentações, que serão realizadas em inglês, sem tradução para o português, deverão solicitar a inscrição pelo e-mail espca.autism@gmail.com. As vagas são limitadas.

Mais informações: www.lahmiei.ufscar.br/espca

Fonte: Agência Fapesp

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Autistas ganham sistema de tecnologia assistiva


Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense, campus Aterrado, desenvolveram o software meaVOX, que permite a pessoas com dificuldade de comunicação se expressar. Com alguns toques na tela do celular, uma frase é montada e o celular "fala", em voz alta, o que foi escrito.

Desenvolvido pelo professor Gustavo Vicente Furtado, que é fisico, o programa permite que a pessoa selecione ícones na tela do celular, formando frases.

Por exemplo, ao pressionar-se o ícone eu quero, abrem-se outras opções, como brincar, comer, ir a algum lugar... Além disso, o seu criador explica que é possível configurar o programa de forma a ajustá-lo ao nível de conhecimento do seu usuário.

Ao que tudo indica, esse programa substitui com vantagens as figuras do PECS.

Leia mais:
Autistas ganham sistema de tecnologia assistiva
| Felippe Carotta | Diário do Vale | Volta Redonda, 13/11/2011 |
http://diariodovale.uol.com.br/noticias/4,48880,Autistas-ganham-sistema-de-tecnologia-assistiva.html



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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tratamento com vermes

O neurobiólogo Alysson Muotri relata, em seu blog Espiral, o caso de Stewart, pai de um jovem autista norte-americano que testou, com o controle de médicos, as larvas do verme Trichuris suis.

Alysson explica que há a evidências de que pelo menos um tipo de autismo seja causado por uma resposta autoimune da pessoa, em que o sistema imunológico ataca as próprias células, causando infecção nas células da glia e, consequentemente, os sintomas do autismo.

Constatando que a doença de Crohn, autoimune, estava sendo tratado através da infestação com esses vermes, conseguiu permissão da FDA, a agência norteamericana que controla a qualidade de medicamentos e alimentos, para testar o tratamento no próprio filho, Lawrence, de 13 anos.

O T. suis é um parasita do porco. Não consegue sobreviver muito tempo no intestino humano, mas provoca uma forte reação do sistema imune, permitindo que este "aprenda" a funcionar melhor - o que se chama de "modulação do sistema imune".

Com o apoio de pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine, Stewart consegui comprar ovas de T. suis para tratamento de uma empresa europeia chamada OvaMed. Cada frasco contém 2.500 ovas que são administradas a cada duas semanas, por 600 euros por mês. As ovas tentam se alojar no intestino humano, um ambiente hostil; a maioria morre. Quando sobrevivem, dão origem a larvas que persistem no intestino por alguns dias. É nesse estágio que acontece a modulação do sistema imunológico.

Ainda que não se saiba como isso ocorre, é mais uma indicação de tratamento. No caso de Lawrence, o pai relata que os sintomas desapareceram por completo em 10 semanas.

Para saber mais, leia o artigo no blog Espiral, de Alysson Muotri:
Vermes contra o autismo
http://g1.globo.com/platb/espiral/2011/02/14/vermes-contra-o-autismo/

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domingo, 23 de outubro de 2011

Estudo relaciona autismo com diabetes

| Agência O Globo | Redação do Diário de Pernambuco | 20/10/2011 |

Uma nova pesquisa sobre as anomalias genéticas e bioquímicas associadas ao autismo revela que existe uma possível ligação entre a doença neurológica e o diabetes tipo 2. Os dois transtornos médicos tiveram o número de casos em ascensão nas últimas décadas.

"Parece que ambos, o diabetes tipo 2 e autismo, têm um mecanismo comum subjacente: a intolerância à glicose e a hiperinsulinemia (excesso de insulina na corrente sanguínea)", avalia Michael Stern, bioquímico da Rice University, nos EUA e autor do estudo que aparece na edição deste mês da revista Frontiers in Cellular Endocrinology.

A hiperinsulinemia, frequentemente um precursora da resistência à insulina, é uma condição caracterizada por níveis de excesso de insulina na corrente sanguínea. Resistência à insulina é freqüentemente associada com obesidade e com o diabetes tipo 2.

"Será muito fácil para os clínicos testar a hipótese deste estudo", afirma Stern, professor de bioquímica e biologia celular na Rice. "Eles podem fazer isso colocando crianças autistas em dietas de baixo carboidratos, que minimizam a secreção de insulina, e ver se os sintomas melhoram".

Stern diz também que a nova descoberta sugere que a tolerância à glicose em mulheres grávidas pode ter de ser abordada com mais seriedade do que tem sido feito até agora.

O laboratório de Stern está localizado no Collaborative Rice Research BioScience, seção especializada em investigar as interações genéticas associadas a doenças genéticas como a neurofibromatose, um distúrbio no qual os pacientes são várias vezes mais propensos a apresentar sintomas de autismo e de desordens do espectro do autismo, como a síndrome de Asperger. Autismo e Asperger são desordens neurológicas que têm forte base genética, mas ainda pouco compreendida pelos pesquisadores. Os Centros dos EUA para Controle de Doenças e Prevenção estimam que cerca de nove em cada mil crianças dos EUA são diagnosticadas com autismo ou Asperger.

Stern comenta que, pelo menos, quatro genes associados com freqüência ao autismo são conhecidos por produzir proteínas que desempenham um papel chave em um caminho bioquímico conhecido como PI3K/Tor. Stern diz que estava estudando uma forma de funcionamento anormal nas sinapses de cobaias com esta espécie de anomalias, notavelmente semelhantes a anormalidades observadas em cobaias com defeitos em um caminho diferente, conhecido como mGluR, que determina depressão a longo prazo.

"Passei muito tempo pensando sobre a sinalização da insulina, porque um outro projeto no meu laboratório é um projeto de endocrinologia em que estamos estudando como as principais proteínas envolvidas na sinalização de insulina afetam o tempo de metamorfose em cobaias de laboratório", diz Stern.

De seus estudos em ambas as áreas, Stern sabia duas coisas: PI3K/Tor foi a principal via de sinais de insulina dentro das células, e a insulina pode afetar as sinapses de modo muito semelhante aos defeitos mGluR associados com o autismo.

"Quando li que a incidência de autismo foi aumentando, e combinada com o fato de que a incidência de diabetes tipo 2 também está aumentando, parecia razoável que cada aumento poderia ter a mesma causa final — o aumento da hiperinsulinemia em geral na população", disse Stern.

Stern disse que ele organizou o estudo alguns meses atrás, quando uma empresa de consultoria de saúde cuidado pediu-lhe para fornecer informações sobre o autismo.

"Na preparação para esta entrevista, eu descobri que o diabetes gestacional foi o mais importante fator de risco materno identificado para o autismo, mas que nenhum mecanismo conhecido poderia ser responsável por isso", Stern lembrou. — Foi quando eu percebi que isso não era óbvio para os outros no campo científico. Então decidi escrever isto com a esperança de que os clínicos possam se tornar conscientes disso e tratar seus pacientes de acordo."

Ao escrever o artigo, Stern disse que aprendeu que o papel da insulina na função cognitiva está se tornando mais amplamente aceita.

"Eu estava verificando se a insulina era conhecida por afetar a função sináptica, e aprendi que a aplicação nasal de insulina já está sendo testada para ver se é benéfica para outros casos, como pacientes de Alzheimer e até de esquizofrenia".

Stern disse que também descobriu que estudos preliminares indicam que dietas baixas em carboidratos foram terapêutica para algumas pessoas com autismo e Asperger.

"Baseado no que já está na literatura, a insulina tem de ser levada a sério como um elemento causador de autismo", disse Stern. "Espero que os médicos possam dar o próximo passo e estabelecer parâmetros de um rigoroso teste para determinar a melhor forma de usar essa informação para beneficiar os pacientes".

Estudo mostra relação entre aumento de casos de autismo e diabetes
http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20111020202648&assunto=31&onde=Mundo


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